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Propostas literárias: um recurso potente para a sala de aula

01/03/2016

Para a linguista Ana Lúcia Micheli, a cultura e a arte alimentam a alma e proporcionam sonhos para aguentar a dura realidade. Foi de sua experiência pessoal que nasceu essa convicção, mais tarde sua escolha de vida.

Apesar de tantas dificuldades, em sua casa nunca faltou livros e o estímulo dos pais. “Lia de tudo: enciclopédias, dicionários, livros técnicos, apesar de que na escola fazia o necessário, pois havia matérias que não me interessavam”, conta Ana Lúcia. “Eu queria livros que fizessem sentido para mim. Queria que a professora tivesse o meu olhar infantil para escolher os livros e para ensinar aquilo que me interessava. Por que os adultos perdem esse olhar para ensinar as crianças dentro da escola? Por que a Educação não enxerga as crianças com os critérios necessários de aprendizagem?”, questionava.

Os anos passaram e veio a formação em Letras pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, com cursos de literaturas Portuguesa e Africana pela Universidade de Coimbra e Literatura Irlandesa pela Trinity College, em Dublin. Hoje, a frente de sua empresa de consultoria linguística, a Maestrello, Ana, como fruto de sua própria pesquisa, utiliza uma metodologia de leitura e produção de texto focada na aprendizagem do aluno.

É ela quem cuida das propostas literárias para a Brinque-Book que você encontra no nosso site, junto a diversos títulos (basta ir na página do livro e ver o canal “Sugestão de atividades”, logo abaixo a imagem de capa, está disponível). Para entender melhor essa iniciativa, que funciona como um caminho interessante e facilitador aos educadores, conversamos com a Ana e revelamos aqui a importância desse trabalho.

setecachorrosamareloscapa

Para o livro de Silvana Rando, Ana criou uma proposta literária muito bacana. Quer conhecer? É só clicar na imagem!

Brinque-Book: Como linguista responsável por nossas propostas literárias, conte um pouco sobre o seu processo criativo.

Ana Lúcia: Primeiramente, faço uma análise geral, desde o tamanho do livro, o tipo de letra, a textura da obra e, nesse momento, procuro me colocar no lugar da criança. Depois disso, verifico qual o efeito de sentido que a leitura do texto e as imagens podem provocar no aluno, ou seja, as possibilidades de interpretação. Esse é um exercício de empatia fundamental para o processo de criação. Depois disso, avalio a coerência entre escrita e imagem, estabeleço os objetivos de leitura que a obra proporciona e preencho as lacunas de compreensão para que essa leitura faça sentido para a criança por meio da técnica chamada antecipação linguística, um dos passos da metodologia Maestrello.

Brinque-Book: Você fala em ferramentas inovadoras que orientam os educadores a trabalhar com os gêneros textuais. Que ferramentas são essas?

Ana Lúcia: As ferramentas se resumem ao processo chamado de interlocução, ou seja, o leitor é inserido de forma ficcional na obra através de propostas de produção de texto norteadas pelos gêneros textuais – exemplos: bula, bilhete, biografia, tirinha e outras -, para que o aluno possa escrever como se estivesse brincando com o livro. Esses gêneros são definidos de acordo com a idade e segmento escolar. O objetivo dos projetos é proporcionar ao estudante a leitura lúdica, porém, o foco é a escrita lúdica e criativa. Eles também contemplam a interatividade entre o aluno e os colegas, entre professor e alunos e entre a obra e todos os envolvidos, inclusive a família, no desenvolvimento de todo o processo da leitura e produção de texto como ferramenta de aprendizado. Afinal, os projetos também envolvem momentos de diálogo sobre o tema e brincadeiras pedagógicas.

Brinque-Book: Na sua proposta, literatura e pedagogia andam juntas ou esses temas, dentro da atividade, não se misturam?

Ana Lúcia: Há uma mistura de várias vertentes: Literatura, Pedagogia, Psicologia e, principalmente, a Linguística, já que o objetivo dos projetos é elevar o nível de leitura e de escrita dos estudantes, de forma que haja um processo sistematizado e lúdico, como se fosse um curso, que contemple os gêneros textuais, bem como alguns conteúdos que possam se relacionar ao contexto da obra. Vejo como um problema separar áreas do conhecimento, pois isso pode limitar a leitura profunda do livro. O aproveitamento dele precisa ser visto como uma fonte de inesgotável de pesquisa, ou seja, o contexto ficcional das obras literárias pode ser utilizado para provocar no aluno caminhos de como estudar Matemática, Geografia, Ciências, entre outras disciplinas, através das propostas de produção de texto.

Brinque-Book: De que forma uma proposta literária pode ajudar o educador a alcançar seus objetivos em sala de aula?

Ana Lúcia: Como disse anteriormente, formatar o processo como curso/projeto dentro da grade curricular e utilizar o contexto ficcional como meio para contemplar alguns conteúdos das disciplinas ajuda o professor a atingir seus objetivos de ensino, pois é possível cumprir alguns conteúdos de forma diferente do sistema tradicional de ensino e fortalecer as habilidades de comunicação. Os leitores mirins “brincam de aprender”.

Brinque-Book: Como fazer para que a proposta seja um caminho, mas não seja o único jeito de explorar esse livro? 

Ana Lúcia: Os professores, bibliotecários, livreiros e qualquer profissional que trabalhe com leitura precisam conhecer os objetivos da leitura e da escrita dentro do contexto escolar. O maior problema que vejo é esse: leitura sem objetivo de ensino e a escrita sem objetivo de registro do conhecimento adquirido, ou seja, só conseguimos indicadores qualitativos da leitura se houver uma produção de texto sobre ela e a intervenção avaliativa do professor que ajude o aluno perceber o que há de problemático no texto dele.

Brinque-Book: Se fosse para escolher um livro da Brinque-Book que tem uma proposta realizada por você, qual seria e por quê?

Ana Lúcia: Para mim é muito difícil escolher uma única obra, pois todos os projetos são especiais e artesanais, o que promove um sentimento de maternidade em mim. Porém, houve o trabalho do livro “Os sete cachorros amarelos”, de Silvana Rando, que me marcou muito, pois consegui a partir dele formatar o caderno lúdico de produção de texto da Maestrello num dos colégios que presto consultoria. Foi fantástico o processo de criação, pois pude confeccionar esse material junto com os alunos, para que ele fosse funcional e atendesse especificamente o processo de aprendizagem.

Clique aqui para ter acesso à proposta literária criada para o livro. E lembre-se: muitos outros títulos da Brinque-Book também têm sugestões. Basta estar na página deles, no nosso site, e verificar, logo abaixo a imagem de capa, se a opção “Sugestão de atividade” está disponível.


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