Select Your Style

Choose your layout

Color scheme

Blog
 
 

BLOG

,

Nick Bland, um autor magnífico

15/10/2014

Nick Bland nasceu em 1973, em uma fazenda em Yarra, na Austrália. Filho de um artista e de uma professora de escola primária, passou a infância escalando árvores e fazendo travessuras no estúdio do pai. Nick sempre disse à família e aos amigos que ia ser cartunista e escritor. Isso não aconteceu até 1996, quando conseguiu um trabalho em uma livraria onde finalmente encontrou o meio de unir seus dois amores.

Foram dois anos folheando todos os livros ilustrados que chegavam às prateleiras, até que começou a aprimorar seu estilo como contador de histórias e ilustrador. Ele agora vive em Darwin, onde começou a trabalhar em tempo integral como ilustrador e autor.

De lá, conversou com o blog da Brinque-Book, na entrevista que você abaixo, em que fala de curiosidades, explica seu processo criativo e relata os bastidores de “O Livro Errado”, seu último lançamento pela Brinque-Book.

Além dele, Nick Bland também é autor de A Árvore Magnífica, ilustrado por Stephen Michael King. Logo após sua estreia na Brinque-Book, Bland publicou O Urso Rabugento e O Urso Pulguento, que assim como O Livro Errado também fazem parte da coleção Ler e Ouvir (narração da história gratuita, acessada de várias formas). Em 2015, essa trilogia bem divertida ganha seu terceiro livro: O Urso Faminto.

ursopulguentocapa

Brinque-Book: O que lhe inspirou a escrever para crianças?

Nick Bland: A principal razão pela qual eu escrevo para crianças é que eu era uma criança quando comecei. Eu não lembro de ter em mente outra carreira qualquer. Mesmo quando eu fiquei muito velha para livros-imagem, meu interesse em literatura mais ilustração nunca desapareceu e eu continuei procurando caminhos para juntar texto e imagens. Felizmente, quanto mais distante eu fiquei da minha infância, melhor eu conseguia escrever para crianças e, eventualmente, fiquei bom o suficiente para ser publicado.

Qual é a melhor parte de ser um autor de livros para crianças?

Ver o público curtindo um trabalho de meses.

Você convive durante quanto tempo com um personagem antes de colocá-lo no papel?

Pode ser qualquer coisa entre um dia e 10 anos. Às vezes um personagem aparece com uma história pronta. Mas em outras o personagem fica guardado lá no fundo da minha cabeça esperando para encontrar uma história que ele possa habitar. Eu simplesmente não tenho tempo de colocá-los em histórias de imediato.

Qual é o seu lugar favorito para escrever?

No deck sobre o Mar Arafura, no norte da Austrália.

O que há por trás do seu conceito de contação de história?

Eu normalmente gosto de mostrar algum tipo de transição entre a primeira e a última página. De medroso a corajoso, mal-humorado a feliz, maldoso a nem-tão-maldoso-assim. O jeito que essas transições acontecer interessam muito às crianças.

Se você pudesse ser um personagem de qualquer livro por um dia, qual você seria e por quê?

Ratty, de Wind in the Willows, porque…  ‘Acredite, meu jovem amigo, não há nada – absolutamente nada – que valha mais a pena que simplesmente fazer bagunça em barcos’ (Kenneth Graham, Wind in the Willows).

livroerradocapa-1

O Livro Errado é uma celebração dos livros e da imaginação de uma criança. Como você chegou a essa ideia?

Nicholas Ickle é meu alter ego. Quando eu era pequeno, ficava sempre muito frustrado quando as coisas não iam do jeito que eu gostaria. Então quis dizer a esse meu “eu-criança” e a outras crianças que nem tudo vai sair do jeito que esperamos. E que se você só ficar bravo, você vai perder todas as coisas legais que estão à sua volta. Pesquei alguns personagens das minhas memórias infantis que adoraria ter conhecido, e pus todos para interromper Nicholas no livro. Ele está tão concentrado em contar sua própria história que não percebe todas as histórias que surgem à sua volta, até que é tarde demais. Eu poderia ter colocado um final mais feliz, mas aí ninguém entenderia a mensagem.

É ótimo seguir a história com Nicholas Ickle. Conta pra gente como foi o processo de criação?

Obviamente há um mundo inteiro de personagens que poderiam ter aparecido no livro, então eu pensei em criar todos e escolher os melhores. Escrevo sem referências, de forma que os personagens são familiares, mas são acima de tudo híbridos que formei na minha mente.

Como o formato parece teatral, eu dei a Nicholas a roupa de um narrador clássico, e botar um chapéu feito em casa é uma maneira criar uma conexão com o processo criativo. Depois, pus todos os personagens que o interrompem entrando no palco pela esquerda e, em seguida, saindo pela direita. Nicholas deixa o palco pelo lado oposto, então ainda há esperança que ele vai ter mais uma chance de contar a história. Então em vez de um final aparentemente infeliz, ele é realista e traz alguma esperança.

livroerradoc

livroerradod

Como os melhores livros-álbum que vemos hoje, O Livro Errado traz uma dimensão metalinguística. Qual a importância disso para o projeto?

Existe um bom motivo para você não ver tantos ‘livros-dentro-do-livro’ para essa faixa etária, que é que o livro pode parecer um pouco confuso. A chave aqui é que eu o montei sem distrações além da página branca e dos personagens. Mesmo com toda a ação que acontece, e que cresce página a página, as reações de Nicholas aos invasores são o foco.

Então, ironicamente, a frustração de ter seu livro tomado é o que transforma isso em um livro sobre ele. Não tenho certeza se as crianças mais novas entendem imediatamente, mas tenho certeza que isso as coloca para pensar. Aquilo que é previsível no texto, os personagens familiares e as pistas do que vêm em seguida fazem o processo todo parecer uma história coesa quando, na verdade, é uma viagem para longe da narrativa comum. Se isso é metalinguística, então sim, foi bastante importante. Mas antes de um livro tentar ser inteligente demais, ele precisa ser divertido ou ninguém vai se importar sobre como ele termina.

É seu terceiro livro publicado pela Brinque-Book no Brasil. Como é saber que seus livros estão chegando a crianças de diferentes partes do mundo?

É a parte mais incrível desse trabalho. Por ser australiano, seria tentador fazer livros australianos com temas australianos e animais australianos, mas eu não vejo o mundo assim.

Eu acho que as crianças são iguais em todo lugar quando estão em certa idade, antes das diferenças no ambiente mudarem suas maneiras de pensar. É na imaginação que somos mais parecidos. Por isso, eu uso temas e personagens que são familiares internacionalmente, para que eu possa alcançar mais pessoas e comunicar de um jeito bem melhor do que minhas capacidades de idioma poderiam.

Sempre esperei uma tradução em português, que é falado em países tão importantes com histórias que sempre estudei e admirei.

arvoremagnificacapa

Nós também adoramos o trabalho do Stephen Michael King. Vocês são amigos? Como foi criar A Árvore Magnífica com ele? Vocês têm outros projetos juntos?

Na verdade, antes de eu me tornar um autor publicado, eu também adorava Stephen Michael King. No início eu fui muito influenciado por seu estilo e até fiz algumas ilustrações para o que então foi chamado “The Tin Tree”, que eu escrevi em 2002 (três anos antes de meu primeiro livro ser publicado). Mas a história não estava assim tão boa, então a deixei de lado.

Encontrei meu estilo próprio de ilustrar nos anos seguintes e rescrevi a história, mudando seu nome. Eu decidi que poderia ser melhor ilustrada por outra pessoa e meu editor sugeriu Stephen, sabendo que eu era fã de seu trabalho.

Stephen disse sim e fiquei maravilhado. Como ilustrador, eu tendo a manter bastante espaço nas “entrelinhas” para que as ilustrações contem sua própria história. Além disso eu sempre soube que não havia ninguém melhor para preencher esses espaços que Stephen. Então passei o texto para ele sem quaisquer notas, somente as palavras, e ele criou um mundo ao seu redor.

Nunca nos conhecemos pessoalmente, mas tem gente que diz que temos muito em comum. Ele fez um trabalho perfeito com A Árvore Magnífica. Eu certamente espero que a gente possa fazer outro livro juntos, e eu até já escrevi algo com ele em mente, mas nada oficial. Estamos sempre ocupados, o que não é um mau sinal.

>> Clique aqui para conhecer os livros de Nick Bland.

>> Clique aqui para conhecer a narração de todos os livros que fazem parte do Ler e Ouvir.


Sem comentários no momento

Grupo Brinque-Book
Rua Mourato Coelho, 1215 - Vila Madalena
São Paulo - CEP 05417-012 - SP