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“Nhac!”: livro infantil trata de amizade e da dificuldade dos pequenos em compartilhar

30/04/2019

O livro resenhado hoje é Nhac!, da inglesa Carolina Rabei, com tradução de Gilda de Aquino. Lançado pela Brinque-Book em 2015, é uma fábula divertida e leve sobre relações e compartilhar.

Nhac!
De: Carolina Rabei (texto e ilustração)
Tradução: Gilda de Aquino
Idade indicada: a partir de 2 anos
Por que é legal: trata de emprestar e compartilhar objetos, um tema sensível para os pequenos; é todo em letra bastão, o que ajuda os leitores em processo de alfabetização, e tem ilustras diversificadas, que vão mudando o ritmo da história e colocando o foco em uma ou muitas situações, de acordo com o momento em que está a narrativa

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“Este é Nhac”, um porquinho da índia, e ele gosta muito dessa cama confortável, dessa vida sossegada. Assim começa a história deste roedor simpático, que nos é apresentado muito feliz em sua casa, instalado em sua almofada de dormir.

Repare que, na imagem acima, o foco está no bichinho tirando seu cochilo. Mas a ilustradora, Carolina Rabei, coloca dois elementos em cena que nos indicam outro gosto de Nhac: comida (afinal, ele tem um quadro de tomate na parede e, ali, no canto, divide espaço com uma cenoura).

Pois é justo esse o tema da página seguinte:

Nhac pode até gostar de dormir, mas o que ele adora mesmo é comer!

É legal reparar que, nessa ilustração, Rabei usa um recurso diferente, que constrasta com a ilustração anterior: muitas informações ao longo da página, dando ideia de movimento e de uma certa euforia do porquinho da índia diante de sua diversão predileta: comer.

Pois bem. Eis que, apesar disso tudo — a cama quentinha e o alimento gostoso e divertido –, Nhac ainda sente falta de alguma coisa, que não sabe bem o que é.

Então, um dia, sem mais nem menos, ele recebe a visita de Coalho, um ratinho sem casa nem comida, que passava por ali.

Novamente aqui, Rabei muda o ritmo da narrativa, mas, dessa vez, o que ela muda não é a quantidade de informação por ilustração e sim a quantidade de ilustração por página. Até aqui (imagem acima), as ilustrações estão em página dupla, ou seja,  ocupam a folha toda, o livro todo quando aberto. Daqui em diante (imagem abaixo) — exceto pelas ilustras que fecham a história –, a autora faz uma ilustra em cada página — às vezes usando muitos elementos e quadrinhos, como numa HQ –, dando mais agilidade e emoção à história.

Coalho e Nhac se conhecem justamente no momento em que o ratinho estava comendo uma folha verde e gostosa do porquinho da índia, sem que Nhac tivesse percebido. Repare nas duas expressões, a de Coalho e a de Nhac (acima).

Ao perceber que Coalho está comendo sua comida, Nhac puxa para si a folha (acima). O ratinho até tenta se apresentar, mas o porquinho da índia agarra-se ainda mais ao que mais gosta, sinalizando que não vai compartilhar (abaixo).

As crianças muito pequenas ainda não identificam com clareza o que faz parte delas e o que não faz, razão pela qual é ainda mais difícil para elas emprestar seus objetos queridos

Coalho, que quase nunca come, sugere então uma troca: e se Nhac lhe oferecer uma comida em troca de uma abraço de amigo? Bravo, Nhac nega a oferta e expulsa Coalho (abaixo), retomando, feliz, sua rotina de comer, beber, dormir.

Só que…

Nahc não consegue esquecer Coalho. O que será que o ratinho está comendo? Será que está passando fome? Ou, pior, que está em perigo? Nessa sequência (abaixo), em que Nhac imagina o que está se passando com Coalho, note que Carolina Rabei diferencia o que é pensamento do que é realidade através do uso da cor. Ou seja, a realidade é colorida e vívida, e o pensamento é todo construído em tons de verde claro.

 

Arrependido, preocupado e envergonhado, Nhac parte em busca de Coalho munido, claro, de um alimento (olhe o morango que ele leva nas mãos). Nesta jornada, vai descobrir muitas coisas e viver experiências que podem ser compreendidas como um caminho de amadurecimento. Afinal, Nhac vivia fechado em sua gaiola, centrado em si e completamente ignorante do mundo ao seu redor. Será que ele vai encontrar quem procura?

 

Combinação de diversas técnicas — inclusive do digital em seu processo de desenho e dos recursos das HQs na sua narrativa  — é uma marca da premiada — e jovem — inglesa que assina Nhac!, todo feito em letra bastão, o que facilita a leitura para as crianças em fase de alfabetização.

Compartilhar é um tema delicado para as crianças, e Rabei trata dele com delicadeza e humor. As crianças muito pequenas ainda não identificam com clareza o que faz parte delas e o que não faz, razão pela qual é ainda mais difícil para elas emprestar seus objetos queridos. Nhac! pode ajudar os pequenos a elaborar essa questão e construir as bases necessárias para confiar e compartilhar, processo natural de amadurecimento.

 


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