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Livros literários para levar Arte para a sala de aula segundo a BNCC

19/04/2021

“Desenhar é uma forma de pensar”, nos revela o autor e ilustrador premiado Renato Moriconi (de obras como Bárbaro e Uma planta muito faminta, ambas publicadas pela Companhia das Letrinhas).

Há tempos que a artista plástica e educadora Edith Derdyk se dedica a mostrar aos adultos como o desenho e as artes gráficas em geral são parte da forma de aprender e se expressar das crianças.

Conhece o trabalho dela?

Desenhar é uma forma de expressão e aprendizagem na infância. Imagem: Rosa e Rafa, de Marie-Louise Gay

O desenho é uma das formas de expressão e pensamento da infância. Estudiosos da arte ou dos primeiros anos de vida do ser humano concordam na importância que o desenho tem no processo de conhecimento das crianças.

Do linguista francês Maurice Merleau-Ponty ao espanhol Pablo Picasso, o desenho infantil é objeto de estudo e devoção como forma de expressão das mais complexas.

Cem linguagens da infância

Mas não é só o desenho a linguagem da infância.

E do italiano Loris Malaguzzi, já ouviu falar? No pós-guerra, o jornalista resolveu unir a comunidade de Reggio Emilia, no norte do país, para reconstruir a educação pública, destruída pelo conflito.

Para ele, as crianças têm cem linguagens, ou seja, pensam, sentem, pesquisam, compreendem, aprendem, se apropriam do que aprenderem, produzem e se expressam de muitas formas que não apenas o texto verbal — escrito ou falado.

Assim, esse entendimento, que tem origem em diversos pesquisadores da infância, entre eles Maria Montessori, se transformou nas escolas reggianas públicas reerguidas depois de Segunda Guerra e transformou a educação do lugar.

Mais tarde, esse tipo de abordagem da infância ganhou mundo, foi estudada e premiada pela Harvard nos anos 90 e hoje inspira algumas escolas no Brasil.

De acordo com essa concepção de infância, as crianças usam linguagens como música, dança, o próprio corpo, todos os sentidos, as narrativas orais (ouvidas ou inventadas por elas mesmas) para apreender o mundo, complexo como é.

A palavra não dá conta de tanta complexidade, não é mesmo?

Os sentimentos, emoções e percepções subjetivas,  matéria-prima das artes, são, assim, valorizados como veículos e pressupostos da aprendizagem e da racionalização — que não é neutra, sabemos.

Arte na BNCC

Não é exagero dizer que o texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) traz um pouco dessa perspectiva para o ensino de Arte na Educação Infantil.

Por isso, a base traz diversas linguagens artísticas para o currículo do Fundamental:

  • Artes visuais
  • Dança
  • Música
  • Teatro
  • Linguagens integradas

 

A base também aborda as artes híbridas, como cinema, circo e performances.

Criança e arte

As crianças são consideradas produtoras de arte, e o foco sai do produto final e vai para o processo.

“Nesse sentido, as manifestações artísticas não podem ser reduzidas às produções legitimadas pelas instituições culturais e veiculadas pela mídia, tampouco a prática artística pode ser vista como mera aquisição de códigos e técnicas. A aprendizagem de Arte precisa alcançar a experiência e a vivência artísticas como prática social, permitindo que os alunos sejam protagonistas e criadores”, revela o texto contido no próprio documento da BNCC.

Por isso, ganha importância especial as seis dimensões propostas pela base no ensino da Arte: elas mostram como os especialistas entendem e propõem o contato dos alunos com esse campo do saber. São elas:

  • Criação
  • Crítica
  • Fruição
  • Estesia
  • Expressão
  • Reflexão

 

Vale a pena ler o especial que a revista Nova Escola fez para tratar desse tema.

Livros literários para levar Arte para a sala

Com esses temas em mente, selecionamos algumas obras que podem estimular a exploração e a produção artísticas, além de funcionar como ganchos para pesquisa e reflexão da sua sala:

1) Rosa e Rafa

Autor e ilustrador: Marie-Louise Gay
Temas: Relacionamento Familiar / Criatividade / Imaginação / Cotidiano
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

Rosa e Rafa são gêmeos parecidos. Muito parecidos. Desenhar, por exemplo, é uma coisa que os dois adoram. Mas, quando o assunto é desenho, algumas diferenças começam a aparecer. Rosa é desenhista ótima de flores, borboletas, laranjeiras. Já Rafa acha que suas flores parecem panquecas e suas lagartas são iguais a meias listradas… Rosa diz: “Desenhe o que você quiser”. Exatamente o que Rafa faz! Só que ele prefere elefantes ferozes, ursos, tubarões. O que pode acontecer? As repetições narrativas e as ilustrações expressivas de Marie-Louise Gay nos dão a resposta e nos conduzem pela força e pela potência da imaginação e do brincar das crianças.

>>Por que ler:

Essa é uma obra que traz a potência do desenho infantil de forma muito poética. Também sugere inúmeras formas de explorar o desenho e suas formas de expressar sentimentos e desejos.

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2) Poderia

Autora: Joana Raspall
Ilustradora: Ignasi Blanch
Tradutor: Alexandre Boide
Temas: Empatia / Identidade / Solidariedade / Compaixão / Imigração / Preconceito
Faixa Etária: A partir de 3 anos (leitura compartilhada) ou 7 anos (leitura independente)

“Você teria sido criado de outra maneira, talvez melhor, talvez pior. (…) Você poderia ler contos e poemas, ou não ter livros nem conhecer as letras”. Como seria sentir o que o outro sente? Como seria viver o que outro vive? Numa sequência de versos intensos e singelos, a obra nos transporta para mundos distantes e para outros muito próximos, nos faz pensar sobre nós mesmos e a nossa relação com o outro. A cada virada de página, as palavras ganham força, e as cores vivas das ilustrações irradiam empatia e afeto. Dos pequenos aos mais velhos, com extrema leveza, o livro sensibiliza e encanta.

>>Por que ler:

Esse livro está nesta lista por duas razões principais:

  • 1) a arte movimenta nosso sentir e nos ajuda a ampliar as perspectivas e os modos de olhar. Tem tudo a ver com empatia, com imaginar a vida que não a nossa a partir do sentimento. Bem o tema desta obra lindíssima.
  • 2) o ilustrador Ignasi Blanch utilizou técnica da serigrafia, muito parecida com os carimbos, para ilustrar o livro. Repare que ele usa sempre as mesmas quatro cores, fazendo, com elas, diversas camadas. Isso pode ser um convite às crianças a explorarem o carimbo.

Você pode se inspirar nesse técnica com as dicas do Manual de Apoio ao Professor (pode baixar gratuitamente).

Neste outro post aqui, Fernando Vilela, um mestre dos carimbos, dá dicas para carimbar com os pequenos.

Novo livro de Fernando Vilela é um convite a explorar o mundo, mesmo se for em casa

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3) Ana, Guto e o gato dançarino

Autor / Ilustrador: Stephen Michael King
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Ética / Meio ambiente / Pluralidade cultural / Conto / Animais / Humanos / Artes / Reciclagem / Sustentabilidade / Autoestima / Dia do Amigo e Internacional da Amizade (20 de Julho) / Amizade
Faixa Etária: A partir de 2 anos

Ana fazia sapatos: marrons, pretos ou simples boti­nas de trabalho. Ela não tinha coragem de mostrar tudo que sabia fazer. Ana podia pegar qualquer coisa e transformá-la em algo diferente, mas os habitantes de sua cidade só queriam saber do que era comum, prático e conhecido.

Seus dias eram todos iguais, até que a visita de dois menestréis, vindos de longe, mudou sua vida. Guto e o Gato Dançarino precisavam de novos sapatos, mas não tinham como pagar por eles. Ofereceram em troca aulas de dança. Será que Ana vai aceitar?

>>Por que ler:

De seu jeito delicado e cheio de afeto, o premiado Stephen Michael King nos mostra o poder transformador da arte na nossa vida. Daqui podem surgir inspirações para você e seus alunos brincarem a dança e a música. Que me diz?

Quando o autor veio ao Brasil, em 2018, preparamos uma resenha para essa obra, que pode ajudar você a pensar como inseri-la em sala na hora de levar Arte para a sala:

Stephen Michael King mostra papel das artes e da diferença em “Ana, Guto e o Gato Dançarino”

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4) Pedro e Tina

Autor: Stephen Michael King
Ilustrador: Stephen Michael King
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Ética / Conto / Humanos / Convivência social / Opostos / Amizade / Respeito às diferenças
Faixa Etária: A partir de 2 anos

Pedro fazia tudo torto; se quisesse desenhar uma linha, ela saía torta; os cordões de seus sapatos nunca estavam bem amarrados. Já Tina fazia tudo certinho. Um dia, eles se encontraram e Pedro ficou encantado com o jeito de Tina fazer tudo certinho, mas Tina bem que gostaria que tudo que fizesse não fosse tão perfeito.

>>Por que ler:

Essa obra, premiada com o selo Altamente recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), mostra as diferenças e complementariedades entre um jeito mais racional e outro mais sensível de ver o mundo. Mas esses supostos opostos mais que se atraem: eles se unem para uma experiência bem mais profunda.

Além de trazer essa perspectiva, a obra também dá muitas ideias para explorar a natureza e a arte com as crianças. Se quiser explorar melhor a obra, um bom começo é a resenha a seguir:

Pedro e Tina: conheça esta delicada história de amizade, diferenças e afeto

 

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5) Eu sou uma menina!

Autora / Ilustradora: Yasmeen Ismail
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Identidade / Autoconhecimento / Respeito às diferenças / Brincadeiras / Cotidiano
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

Determinada, esperta, cheia de atitude e energia, assim é a menina dessa história. E não é que muita gente a confunde com um menino?! Mas essa personagem nunca se dá por vencida: ela é uma menina! Anda de patinete, lê muitos livros, é uma ótima nadadora, adora música, gosta de uma bagunça, brinca de faz de conta com os amigos. Ela não para. E o livro segue o seu ritmo! Colorida, divertida e dinâmica, a obra prova que o mais importante é sermos o que somos e o que queremos ser!

>>Por que ler:

Esse livro é uma homenagem divertida à brincadeira, à leveza e à forma como as crianças passam de arte à outra e se apropriam delas como forma de expressão e diversão.

Conversamos com a autora, que nos contou que a obra foi inspirada em sua própria irmã — e também tematiza como às vezes, sem perceber, limitamos as possibilidades das meninas.

Leia mais aqui:

Yasmeen Ismail, autora de “Eu sou uma menina!”, conversa com a gente hoje!

 

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E você? Que artes anda imaginando com as crianças por aí?

 


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