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Livros informativos e ficcionais para ensinar até ciências na sala de aula

04/11/2020

Apresentar um livro informativo para as crianças em sala de aula pode ser uma ótima maneira de trazer novos conhecimentos às crianças ou ampliar o acesso delas a eles.

Uma explosão de informação? Os livros informativos ajudam as crianças a organizar o conhecimento segundo seus interesses. Imagem: Como eu cheguei aqui?, de Philip Bunting

A professora e pesquisadora espanhola Ana Garralón, que se dedica a pesquisar sobre livros para a infância há 30 anos, levanta uma série de boas razões para ter livros informativos à mão das crianças.

  • estimular a curiosidade natural dos pequenos;
  • ajudá-los a se orientar em um mundo repleto de dados e apelos informativos, muitas vezes compartilhados de forma pouco sistematizada com as crianças (pense no Google e mesmo nos jornais);
  • formar leitores de não ficção, cada vez mais críticos e capazes de orientar a si mesmos em busca de respostas;
  • mostrar aos seus alunos que uma mesma pergunta pode ter diversas respostas — e quase sempre gerar novas questões
  • e oferecer referências que suportam a compreensão e o interesse das crianças por temas abordados em sala de aula ou não.

“Os livros podem ajudar as crianças a ordenar esse mundo de informações dispersas”, escreve ela em seu livro Ler e saber: os livros informativos para crianças, publicado no Brasil pela série Gato Letrado, da editora Pulo do Gato.

Informativos vão para a escola

Especialista em livros informativos para crianças, a designer Ana Paula Campos — que já deu uma super entrevista para o blog — explica que os livros informativos:

“São os livros de não ficção, de maneira geral, aqueles que tratam das coisas do mundo. Buscam contar, informar, explicar, descrever, mas também encantar, divagar e até fazer poesia sobre tudo que nos rodeia”.

E podem ser de diversos gêneros e formatos:

“Livros de ciências, abecedários, numerários, biografias, imagiários, de curiosidades, mapas, manuais, guias e enciclopédias…”, conta Ana Paula.

Com humor, essa obra ficcionaliza a origem das aves e a evolução de alguns dinossauros, que guardam um parentesco, segundo a ciência… Imagem: A inacreditável, porém verdadeira, história dos dinossauros, de Guido van Genechten

Quanto mais variado o acervo, melhor. Mais possibilidades de temas, abordagens, formas de encantar as crianças…

Na escola, essas obras, claro, podem ser usadas pelos professores como apoio para os temas e conteúdos que são trabalhados com as crianças no currículo.

  • Servem de referência,
  • são usados para ampliar e aprofundar as pesquisas de determinado assunto,
  • trazem formas diferentes de se ver um tópico,
  • podem acrescentar camadas e diversão às aprendizagens cotidianas e
  • até trazer um olhar poético para as aprendizagens.

 

Mas, sobretudo, os livros informativos na escola ajudam a formar leitores desse tipo de obra também na escola e  ajudam as crianças a refinar as habilidades de pesquisar e perguntar.

“O acesso a uma variedade de livros e temas permite às crianças buscar informações à medida que as necessitem e nas mais diferentes situações”, nos conta Ana Garralón em seu livro, que já citamos alguns parágrafos acima.

Como usar esses livros na escola

Garralón recomenda introduzir os informativos para crianças nas práticas cotidianas de leitura. Ou seja, esse tipo de obra pode estar na roda de leitura, na biblioteca de sala, no acervo bibliotecário, nos projetos de formação leitora, nas aulas!

Sim, a ideia é essa mesma: introduzir as obras também nas aulas de Português, Matemática, Ciências, Geografia, História. Para os menores, com os professores polivalentes, pode ser ainda mais fácil inclusive fazer um intercâmbio de disciplinas com o mesmo livro.

A autora espanhola dá algumas dicas interessantes:

1) Mostre os livros

A ideia é apresentar os títulos interessantes, os mais novos, os que têm mais a ver com determinado tema. Enfim, mostrar as obras às crianças.

Conte por que você acha que os pequenos devem dar uma olhada no livro. Formar leitores é, antes de mais nada, apaixonar as crianças pela leitura.

Para os menores, vale o mesmo raciocínio. O cuidado aqui é na seleção: livros que possam ser “lidos” pelas imagens. E, claro, é preciso estar disponível para mediar a leitura, especialmente no caso daqueles que ainda não leem sozinhos.

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2) Convoque os conhecimentos prévios

“Todos os pesquisadores são unânimes em afirmar é importante ativar o que o leitor já sabe sobre o tema que será lido”, nos conta Garralón.

Isso é bacana para eles e para nós, adultos, também: assim, ficamos a par do que os pequenos já sabem sobre o tema, ativarmos nossa habilidade mediadora e observar a diferença de opinião das crianças.

Importante: “a educação não consiste em ignorar ou suprimir os conhecimentos prévios, mas estimulá-los e desenvolvê-los a fundo, para que possam ser integrados aos novos saberes”, escreve a especialista.

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3) Conte a história

Insira os informativos na hora da história. Leia para as crianças. Peça para que elas leiam umas para as outras, se quiserem, convide-as a compartilhar a leitura que já fizeram, exatamente como faria com as obras ficcionais.

Os livros informativos mais bacanas são aqueles que, do mesmo modo que os ficcionais, tem textos com qualidade estética, palavras bem trabalhadas, ilustrações e recursos gráficos que acrescentam camadas de sentido, um projeto gráfico instigante, temas e formas que convidam o leitor a explorar.

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Como escolher

Ana Paula Campos já nos deu algumas dicas para selecionar bons títulos informativos para crianças: “[usamos] Os mesmos [critérios] que para os livros em geral, com especial atenção para a linguagem dos textos e imagens e para como os conteúdos são apresentados”.

Algumas perguntas que Ana Paula deixou podem servir para nos orientar nessa tarefa.

Olha só:

  • A obra me afeta?
  • A criança para quem estou escolhendo está interessada no assunto?
  • O livro é atraente visualmente ou as ilustrações são estereotipadas?
  • Existe uma variedade de tipos de representação que apresente às leitoras e leitores diferentes maneiras de mostrar o mundo?
  • Há diversidade e representatividade?
  • Os textos são bem escritos e envolventes?
  • A inteligência das crianças é respeitada?
  • A linguagem engaja?
  • Quem são as autoras ou autores? E a editora?
  • O livro traz informações adicionais, como glossários, listas de referências e afins? Quem fez a pesquisa? Há consultores técnicos ou científicos envolvidos?
  • Como os conteúdos são organizados, divididos, sequencializados?

 

Ficção também informa?

Já que estamos falando que as escolhas de livros informativos podem ser próximas dos critérios usados para escolher os ficcionais, fica a dúvida: os livros de ficção podem ser informativos?

Biografias, como a de Carmen Miranda no livro que reúne 10 histórias de mulheres e homens notáveis, também são informativos. Imagem:Era uma vez 20, de Luciana Sandroni (texto), Natália Calamari e Guilherme Karsten (ilustrações)

A arte e a ciência estão sempre muito próximas, especialmente na infância. Muitas fronteiras entre ficção e não ficção, entre brincar e descobrir, entre pesquisar e se divertir estão bem borradas.

As crianças têm a imensa capacidade de achar perguntas e respostas em tudo, com aquele olhar inaugural sobre o mundo, que as faz tão atentas e tão abertas para o novo — e para a descoberta em todas as suas formas.

Dá para aprender na poesia, na música, no corpo, no livro.

Se você conhecer bem as curiosidades dos pequenos, pode equilibrar a oferta de livros informativos, ficcionais, de canções, de artes plásticas, filmes e outras formas de arte que possam dar repertório e gerar pergunta para as crianças.

E há muitos livros ficcionais que, por si sós, já suscitam brincadeiras e curiosidades, que podem ser exploradas em sala de aula.

Trouxemos para cá alguns exemplos, tanto ficcionais quanto informativos — ou mesmo híbridos 🙂

5 livros para aprender

Dá uma olhada nessa seleção:

1) Como eu cheguei aqui?

Autor e ilustrador: Philip Bunting
Tradutor: Gilda de Aquino
Temas: Teoria Big Bang / Origem do universo / Identidade / Evolução das espécies / Cidadania / Responsabilidade / Respeito às diferenças / Humor
Faixa Etária: A partir de 4 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

Para responder a essa pergunta, o livro traça a sua história desde o Big Bang (teoria que explica a origem do universo) até o seu nascimento. A tarefa não é fácil, mas, com muita graça e simplicidade, nosso autor começa a apresentar a formação das estrelas, do sistema solar, do planeta Terra, dos primeiros seres vivos até chegar a você.

O humor conduz a narrativa, que traz diversos conceitos científicas de um jeito irreverente e fácil de entender. Não à toa, um dos mais vendidos nesta categoria na Amazon.

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2) A inacreditável, porém verdadeira, história dos dinossauros

Autor / Ilustrador: Guido van Genechten
Tradutor: Camila Werner
Temas: Dinossauro / Evolução das espécies / Extinção / Álbum fotográfico / Humor
Faixa Etária: A partir de 3 anos (leitura compartilhada) / 7 anos (leitura independente)

Um álbum de família de uma galinha pode não despertar interesse de muita gente. Mas e se dissermos que ela descende dos dinossauros?! Para provar isso, a galinha dessa história decidiu compartilhar com os leitores fotos e lembranças divertidas de sua família.

Veremos a ágil família dos velociraptors, mostrando suas habilidades no patinaptor; e os diplódocos. Veremos também – de uma distância segura – os temíveis tiranossauros; os iguanodontes, que botavam ovos como as galinhas; os estegossauros e muitos outros.

Guido van Genechten, com muito humor e criatividade, mais uma vez surpreende, trazendo para as crianças a inacreditável, porém verdadeira, história dos dinossauros! Aqui ficção e informação se juntam!

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3-) Girafas

Autor e ilustrador: Jean-Claude
Temas: Números / Relacionamento familiar / Cores / Humor / Animais / Brincadeiras / Diversão / Matemática / Imaginação
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

Aqui se trata de um livro ficcional (embora inspirado na vida do autor). A grande sacada “informativa” é que tem os números como ponto de partida para uma história divertida e afetiva.

O que mais diverte as crianças quando seus pais brincam com elas? Neste livro, um pequeno vive pedindo desenhos. O pai, brincalhão, coloca em um papel compriiiido suas melhores versões de girafas. Com seus pescoços looongos, os bichos tomam conta das páginas e vão se multiplicando, mostrando que nessa brincadeira de desenhar também há um tanto de matemática. Mas ora, onde foi parar a girafa número 10?

Em sala, você consegue explorar muitos conceitos matemáticos com os pequenos, além de ajudar os menores a contar e compreender as quantidades.

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4-) Dino e Saura

Autor: Fernando Vilela
Ilustrador: Fernando Vilela
Temas: Dinossauros / Amizade / Respeito às diferenças / Amor / Solidariedade / Pluralidade cultural
Faixa Etária: A partir de 3 anos

Certa manhã, o ovo de uma fêmea Oxalaia foi parar no ninho de outra da mesma espécie. Tudo poderia ter passado despercebido se não fosse um pequeno detalhe: os ovos tinham cores diferentes.

O filhote vermelho, chamado Dino,  não é muito bem recebido pelos demais membros da nova família, todos azuis. Parte, assim, em uma jornada em busca de se encontrar, levando consigo sua melhor amiga Saura, azul.

A fábula sobre amizade, descoberta e tolerância tem um surpresa nada ficcional: todos os dinossauros personagens da obra são brasileiros e, no final do livro, o autor fez um glossário, dando principais informações sobre eles!!

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5-) Era uma vez 20

Autora: Luciana Sandroni
Ilustradores: Guilherme Karsten e Natália Calamari
Temas: Biografia / Identidade / Criatividade / Infância / Cultura brasileira
Faixa Etária: A partir de 8 anos

Falamos tanto de superpoderes que às vezes nos esquecemos de que seres de carne e osso também são heroínas e heróis! Neste livro informativo, apresentamos a biografia de 20 personalidades – 10 mulheres e 10 homens – que viveram em épocas diversas e se destacaram em diferentes áreas de atuação. Esses textos trazem ainda um tempero especial, pois dão destaque a um período crucial na vida de todos nós, a infância. O que você sabe sobre os primeiros anos de brasileiros como Antonieta de Barros e Candido Portinari?

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E você? Conte para a gente suas experiências ou dúvidas com os livros informativos para crianças!

 


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