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Formação leitora: descubra como e por que montar uma biblioteca de sala

31/08/2020

A gente já sabe que a leitura e a literatura desde pequenos têm efeitos muito positivos no aprendizado das crianças. Todas as pesquisas mostram a importância de uma biblioteca escolar e de uma sala de leitura.

Livro tem de estar ao alcance da mão, do coração e da imaginação! Imagem: Cadê o juízo do menino?, de Tino Freitas (texto) e Mariana Massarani (ilustrações)

Mesmo com esses equipamentos disponíveis — e até para incentivar o vínculo das crianças com eles — faz todo o sentido manter uma biblioteca em sala.

Quer saber por quê? Neste post, vamos:

  • Mostrar os benefícios de uma biblioteca de sala;
  • Dar dicas de como montar o acervo e de como trabalhar com as crianças;
  • Falar da roda de leitura em sala;
  • Dar dicas de preparação dessa roda
  • E ainda apresentar o projeto Roda de Leitura do Portal do Educador, que seleciona diversos livros para rodas de leitura por turma — da Educação Infantil ao Fundamental I, mostrando dois livros por série e te dando o caminho para acessar os demais 😉

 

Biblioteca de sala: por quê?

A primeira razão para levar os livros para dentro da sala de aula é a proximidade física com as crianças.

Uma das principais formas de incentivar a leitura é deixar as obras sempre à mão, em um canto bonito, organizado, aconchegante, que desperte interesse e curiosidade.

Estamos deixando um post aqui embaixo em que damos dicas de como organizar uma biblioteca. Foi pensado mais para o acervo de casa, mas serve para a escola também! 😉

5 dicas de… como organizar a biblioteca e o acervo de livros das crianças

Outra ideia fundamental é que, com a biblioteca na sala, a (o) educadora pode criar espaços para essa leitura diária, que vai se acomodando na rotina da turma, de acordo com os interesses, com a dinâmica, com o momento do dia.

Consultar o acervo, escolher, ler junto vira um hábito — muito mais que um “evento” esporádico e desconectado dos saberes e fazeres daquele grupo de crianças.

O professor dá o exemplo também, ao chamar para a leitura, ao buscar um livro no meio da aula para exemplificar uma explicação, por exemplo. Ou seja, ao colocar as obras no dia a dia, como fontes permanentes de sabedoria, prazer, aprendizagem.

Escolha compartilhada do acervo

A escolha desse acervo também faz parte do hábito leitor. Aqui, o importante é que as crianças possam ir periodicamente à biblioteca da escola — ou a bibliotecas públicas — emprestar os livros que vão ficar em sala.

Que seja escolha delas — e sua, claro — o conjunto de obras disponível em sala. O leitor vai se formando nessa possibilidade de aprender a escolher e de perceber as escolhas de um outro leitor — o educador, no caso — mais experiente.

É interessante também que a criança perceba que pode fazer o papel de leitor experiente em relação a um colega da turma. Isso acontece quando uma criança ajuda um amigo a escolher uma obra (na biblioteca da escola ou na de sala), quando pede à professora que leia determinado livro ou quando recomenda livros para os demais.

Assim, se formam comunidades leitores, essenciais para a formação do leitor, diz a especialista Lara Meana, escritora, mediadora, bibliotecária e livreira — dona de uma simpática livraria em Gijón, na Espanha.

As crianças também podem trazer livros de casa e compartilharem com a turma, deixando-os na biblioteca de sala por um determinado período.

Uma boa ideia para pensar no acervo é ter livros variados, diversos, e organizá-los por temas, por interesse dos pequenos leitores, por autor ou mesmo por tipo de ilustração. Imagem: Eu, de Janaína Tokitaka

Ficha afetiva

Uma boa ideia aqui é deixar que as crianças apresentem aos colegas os livros que escolheram trazer da biblioteca: por que fizeram essa escola? O que esperam do livro? O que chamou a atenção?

Vale também pedir que as crianças compartilhem suas impressões depois da leitura.

Uma professora do primeiro ano do fundamental I, em uma escola particular de São Paulo (SP), por exemplo, bolou uma ficha afetiva e pessoal de cada livro da biblioteca de sala.

Cada livro que a criança lia, ela podia preencher a ficha informando desde dados catalográficos até o que achou da capa, das ilustrações, do texto, do que mais gostou ou menos gostou e por quê.

Quem quisesse, podia apresentar o livro e a ficha oralmente aos colegas, defendendo e recomendando o  livro — ou dizendo que não tinha gostado e quais motivos faziam com o que o livro não fosse tão bacana.

Bibliodiversidade

Visitar a biblioteca, escolher o acervo em conjunto com a turma, possibilitar trocas e avaliações do grupo tudo isso ajuda a garantir que a biblioteca da sala seja diversa.

E é essencial que seja mesmo, trazendo assim uma bibliodiversidade para os pequenos leitores. Quer dizer:

  • Livros com formatos variados (quadrados, menores, maiores, com abas, com recortes, capa dura e capa simples etc),
  • Tipos diferentes de papel,
  • Temáticas diversas,
  • Diversidade de autores e de lugares de fala (com variação de gênero, etnia, origem, abordagem de temas),
  • Diversidade de técnicas de ilustração e também
  • Diversos gêneros literários.

 

Mas só a diversidade no acervo não garante a experiência leitora diversa, que amplia o repertório e engaja o leitor nessa viagem única que é a descoberta do outro pelas páginas de um livro.

É preciso a mediação do adulto, com intenção até na escolha compartilhada desse acervo e do que apresentar à turma.

Roda de leitura

Essa mediação exige uma preparação, como nos conta a educadora e consultora literária Celinha Nascimento no projeto Estações.

A sugestão dela começa com a leitura prévia dos livros do acervo de sala pelo educador. Algumas perguntas podem orientar o que essas obras despertam – boa bússola para saber como apresentá-las aos pequenos.

  • A obra me tocou? Como?
  • Já conhecia esse autor?
  • Já conhecia essa ilustração?
  • Que impressões essa ilustração me causa?
  • Essa obra tem potencial de apaixonar meus alunos? Como e por quê?
  • De que forma posso apresentá-la a eles?

 

Apresentar as obras é sempre uma forma bacana de trazer as crianças para perto dos livros. A apresentação pode ser feita momentos antes da leitura e quando um livro novo passa a integrar o acervo.

Preparando a roda de leitura

Esse conceito de roda de leitura é bacana, porque permite um momento diário de leitura em sala e faz dessa leitura um prazer e um compartilhamento.

Preparação interna

Segundo Celinha Nascimento, o primeiro passo é a preparação interna do mediador. Ou seja, realizar um processo consciente e consistente de escolha do acervo e do livro que será apresentado, a partir de perguntas como as que listamos acima.

Depois, refaça a leitura para ganhar intimidade com a obra. Você será capaz de dominar o ritmo do texto, antecipar momentos cômicos, tensos, de “virada” na narrativa. Com isso, conseguirá dar as ênfases necessárias para engajar o leitor.

O mesmo vale para as ilustrações: com várias releituras, seu domínio da linguagem imagética será confortável e você poderá conduzir as crianças por detalhes e nuances da narrativa.

Preparação externa

Está ligada à ambientação do espaço onde será feita a leitura.

Aqui, você pode envolver as crianças nessa organização e ambientação, quando todos estiverem em sala novamente. Mas mesmo numa leitura on-line, é possível trazer elementos que representem a história e pedir ajuda das crianças para juntar esses objetos.

Mesmo uma música pode incrementar o ambiente on-line. Peça sugestão dos alunos!

Deixamos aqui embaixo um vídeo de contação de história que pode te dar boas ideias nesse sentido.

Livros para a Roda de Leitura

No Portal do Educador, da Brinque-Book, organizamos sugestões de livros para Rodas de Leitura e bibliotecas de sala por faixa etária — na Educação Infantil — e série — para o Fundamental I.

Nossa equipe de especialistas e curadores escolheu obras que atendem a esses critérios todos, como diversidade, qualidade literária, autores brasileiros e estrangeiros, autoras mulheres, temática que engaja os pequenos leitores e que fala do cotidiano deles, entre outros.

Aqui para o post, trouxemos dois livros em cada faixa etária, exemplificando o conteúdo da seleção. Para acessar todos os livros selecionados, basta clicar no título da série ou faixa de idade

Acessando essas Rodas de Leitura, você conhece o acervo e ainda pode ler a íntegra dos livros. Basta se cadastrar no Portal antes de ler 🙂

 

Educação infantil – 2 a 3 anos

Cotidiano — como o desfralde e a separação temporária da mãe –, relações, descoberta de si e livros poéticos, com imagens que engajam e texto adequado para a faixa etária são algumas das características das obras selecionadas para este grupo.

Abaixo, exemplo de dois livros que podem ser agrupados por temática: a descoberta do eu.

EU

Autora: Janaina Tokitaka
Ilustradora: Janaina Tokitaka
Temas: Relacionamento familiar / Imaginação / Brincadeiras.
Faixa Etária: A partir de 2 anos

 

EU SOU ASSIM E VOU TE MOSTRAR

Autor: Heinz Janisch
Ilustradora: Birgit Antoni
Tradutora: Hedi Gnädinger
Temas: Corpo humano / Identidade / Rima / Incentivo ao conhecimento
Faixa Etária: A partir de 2 anos

///

Educação infantil – 3 a 4 anos

Na seleção para essa faixa etária, os 18 livros trazem temáticas cotidianas, relações, amizade, muitos animais! e ainda obras irreverentes, para o leitor se divertir “desvendando” as relações entre palavra e imagem.

Trouxemos para cá dois exemplos justamente dessa irreverência no diálogo entre texto e ilustração 😉

CADÊ O JUÍZO DO MENINO?

Autor: Tino Freitas
Ilustradora: Mariana Massarani
Temas: Humor / Convivência social / Cotidiano / Imaginação
Faixa Etária: A partir de 2 anos

 

SETE CACHORROS AMARELOS

Autora: Silvana Rando
Ilustradora: Silvana Rando
Temas: Ética / Conto / Narrativa visual / Animais de estimação / Humanos /Autoestima / Inveja
Faixa Etária: A partir de 2 anos

 

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Educação Infantil – 4 a 5 anos

Aqui, os livros ganham um pouco mais de densidade e também são obras com um pouco mais de texto, agora que os pequenos têm mais abertura para histórias um tico maiores.

Entram mais gêneros textuais — com a poesia de Lalau e Laurabeatriz em Olha que eu viro bicho… de jardim ou os recontos de fadas– e as histórias irreverentes ganham espaço — veja a série dos ursos, de Nick Bland, o jogo de imagens x palavras em Oi, au-au ou ainda a incrível viagem visual de Caos!

Mas o foco emocional fica na relação eu e o outro.

Separamos para este post duas obras que tematizam exatamente esse reconhecer dos limites alheios.

NÃO!

Autora: Marta Altés
Ilustradora: Marta Altés
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Conto / Humor / Animais de estimação / Humanos / Relacionamento familiar / Obediência
Faixa Etária: A partir de 2 anos

 

AMÉLIA E O PEIXE

Autora / Ilustradora: Helga Bansch
Tradutor: José Feres Sabino
Temas: Defesa dos animais / Amizade / Respeito às diferenças
Faixa Etária: A partir de 3 anos

 

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Educação Infantil – 5 a 6 anos

Mistério, vocabulário, contos tradicionais (ou recontos), a complexidade das relações e o poder da linguagem são os grandes temas dessa faixa etária.

Como as crianças começam a ter domínio sobre a linguagem e a refletir sobre ela a partir dessa faixa etária, trouxemos para cá dois livros que tematizam exatamente isso.

PIO, O PASSARINHO

Autor e ilustrador: Martin Baltscheit
Temas: Humor / Onomatopeias / Animais / Diversidade / Amizade
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

 

 

BIBIOTECA???

Autor: Lorenz Pauli
Ilustradora: Kathrin Schärer
Tradutor: José Feres Sabino
Temas: Conto / Animais / Astúcia / Incentivo à leitura / Cooperação
Faixa Etária: A partir de 3 anos

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Fundamental I – 1º ano

Aqui, o dia a dia e as emoções ganham destaque, até porque as crianças estão inaugurando uma nova etapa, de conquistas, sim, mas de desafios também. Crescer é o tema 😉

Assim, em A macaquinha, esse é o tema, assim como em Zeca Zangado e Eric faz tibum, que traz os desafios emocionais desse período.

Separamos para mostrar para você dois exemplos, que têm a ver com esses novos desafios e com a alegria e as emoções de vivenciá-los:

JÁ SEI LER

Autora: Patricia Auerbach
Ilustradora: Patricia Auerbach
Temas: Incentivo à leitura / Incentivo ao conhecimento / Letra bastão / Cotidiano / Gêneros textuais
Leitura compartilhada: a partir de 2 anos
Leitura independente: a partir de 6 anos

 

MANU E MILA

Autor: André Neves
Ilustrador: André Neves
Temas: Amizade / Ponto de vista / Brincadeiras / Imaginação / Dia do Amigo e Internacional da Amizade (20 de Julho)
Faixa Etária: A partir de 3 anos

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Fundamental I – 2º ano

Esta seleção traz livros sensíveis, que falam de relação e de emoção de um ponto de vista mais trabalhado e sutil, como em A árvore magnífica e Entre nuvens.

A diversidade de pontos de vista aparece nas obras de Fernando Vilela, mostrando um Brasil diverso — veja Tapajós –, cheio de rimas e repentes — Abrapracabra! — e com um passado a se descobrir: em Dino e Saura, o premiado artista nos mostra uma narrativa todinha com dinossauros brasileiros!

Aparece, pela primeira vez, o livro informativo como gênero literário.

Selecionamos duas obras que instigam a sensibilidade do leitor e promovem um letramento para além das palavras.

JOANA NO TREM

Autora: Kathrin Schärer
Ilustradora: Kathrin Schärer
Tradutor: José Feres Sabino
Temas: Conto / Animais / Criatividade / Medo
Faixa Etária: A partir de 3 anos

O TREM DA AMIZADE

Autor: Wolfgang Slawski
Ilustrador: Wolfgang Slawski
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Pluralidade cultural / Conto / Humanos / Convivência social / Solidão / Dia do Amigo e Internacional da Amizade (20 de Julho) / Amizade
Faixa Etária: A partir de 5 anos

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