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Especial Dia da Consciência Negra – Chuva, escola e manga

15/11/2013

No nosso terceiro post sobre o Especial Dia da Consciência Negra, temos aqui dois livros do premiado escritor e ilustrador norte-americano James Rumford, que vive em Honolulu, no Hawaí. James começou a fazer livros para crianças aos 46 anos de idade. E tudo veio a partir de um outro trabalho voluntário que desenvolvia no Chade, no coração da África.

Para as crianças, costumamos dizer que o Chade é um país que fica lá longe, no centro do continente africano. Seu povo vive uma realidade diferente e, ao mesmo tempo, próxima do nosso coração brasileiro. Há terras secas e alguns momentos de fertilidade, no solo árido – uma bênção da água que cai do céu. E seguimos apresentando “Chuva de Manga“, já que a leitura aproxima os povos.

Por meio da rotina do menino Tomás, personagem principal, os leitores poderão imaginar o que é esperar pela chuva, fazer um carrinho de lata e apreciar os frutos da terra generosa, que nos oferece a alegria de saborear e cheirar uma manga dourada. A felicidade de um povo que tem pouco e valoriza tudo é uma lição de vida para todos. E ainda que distante na geografia, quantas semelhanças podemos ver com nossa realidade brasileira, não? Nossa história, terras, frutas, clima e todas as cores. Agradável e poético, Chuva de Manga é, sobretudo, original.

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chade

manga

Cinco anos depois, James continuou falando da chuva. De Tomás também. É o primeiro dia de aula em Kelo, no Chade, na África. As crianças caminham pela estrada. “Vou ganhar um caderno?”, pergunta Tomás. “Vou ganhar um lápis? Vou aprender a ler como vocês?”. Mas quando ele e as outras crianças chegam à escola, não há sala de aula nem carteiras. Apenas uma professora. “A primeira lição é construir a nossa escola”, diz ela.

Sem dúvida, “Escola de chuva” é uma história emocionante sobre o amor pelo aprendizado, o desejo de estudar e sobre a maior herança que um adulto pode deixar para uma criança: o conhecimento.

Recentemente, em entrevista a um site norte-americano, James deixou a seguinte mensagem. “Gostaria de contar essa história nos locais mais afastados e dizer que se as crianças do livro tiveram acesso à educação, então todas crianças terão também. Nas escolas dos bairros de classe média, nos Estados Unidos [onde a maioria é pública], eu diria para que os alunos valorizassem a escola e seus professores. Nos colégios particulares, minhas palavras seriam para que os alunos apreciassem o que têm. E para todas as instituções de ensino e governantes no meu país, minha frase seria a seguinte: Veja como um professor é importante. Aumente o salário deles.”

A seguir, mas antes passando por mais imagens bonitas, a entrevista que James Rumford concedeu ao blog da Brinque-Book:

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chuva

Brinque-Book: Discutir, ler e ampliar conhecimentos. Como você acha que seus livros ajudam a reforçar a identidade cultural de crianças e jovens negros?

James Rumford: Sou norte-americano. Aos norte-americanos, a África parece distante. É envolta em mistério e cheia de perigo. Aos brasileiros também? Eu, quando vivia no Chade, ao despertar do domínio colonial, percebi que a África era nem misteriosa nem perigosa. Certamente, era diferente: a cultura, os costumes e a língua. Mas, sobretudo, a África era um lugar onde as pessoas viviam e trabalhavam, onde eu conheci gente feliz e triste. Esse equilíbrio entre o exótico e o familiar é exatamente o que eu gostaria de difundir com meus livros.

Quero que as crianças sintam que estão num meio ambiente diferente e, ao mesmo tempo, que esse ambiente seja familiar também. Mas como? Pelas verdades universais. Em “A Chuva de Manga”, há a verdade da “criatividade infantil”, que existe em todo lugar. Em “A Escola de Chuva”, por exemplo, há a verdade da “educação em função do professor e do desejo de que as crianças têm em aprender”. Acho que a partir do momento em que as crianças entendem a verdade universal, a possível estranheza do lugar da história, dos rostos e do estilo das roupas desaparecem. Isso não é uma base que ajuda no combate à discriminação?  Talvez eu seja diferente por fora, mas por dentro somos todos iguais. Dessa maneira, quero que meus livros celebrem as diferenças e, ao mesmo tempo, as semelhanças.

Amanhã é Dia da Consciência Negra. Para você, qual a importância dessa data?

Nunca estive no Brasil, portanto não sabia que há o Dia da Consciência Negra. Se meus livros sobre o país de Chade estimulam uma discussão sobre a cultura e a raça, sobre o país e sua gente, eu estou feliz então.

Se pudesse mostrar suas histórias às crianças brasileiras, ou acompanhar a rotina de um professor em sala de aula com os seus livros, como imaginaria ou gostaria que fosse esse momento? 

A primeira coisa que gostaria de entender seria como as crianças se relacionam com a história. Veem as semelhanças com suas vidas? E então, esperaria uma discussão sobre as diferenças. Por exemplo: em “A Chuva de Manga”, poderíamos perguntar se a criança faz os seus brinquedos como o Tomás, o personagem. Se a família tem o costume de do lado de fora da casa. Em “Escola de Chuva”, gostaria de entender a discussão sobre as primeiras páginas, onde vemos a rotina do dia a dia: a velha com a sua cabra, a alfaiataria, a professora andando na parte de trás da moto. Assim, a África (mais precisamente, o Chade) parace bem mais próxima e íntima.


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