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Dolores Prades, curadora de mostra que abre hoje, conversa sobre ilustração

11/07/2018

Abriu hoje, no SESC Bom Retiro, a mostra A ilustração como porta para o mundo, que traz pela primeira vez ao Brasil a exposição comemorativa aos 50 anos da Mostra de Ilustradores da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, principal evento mundial da literatura para esse público.

Dolores Prades: o livro ilustrado é uma porta para o mundo / Foto: Fábio Furtado

São 5o artistas homenageados, um por ano de mostra, o que traça uma panorama histórico da ilustração nessas cinco décadas, entre 1967 e 2016. Além disso, no Brasil, há mais cinco artistas expondo suas criações, ilustradores brasileiros contemporâneos escolhidos a partir da curadoria sensível da editora e consultora internacional Dolores Prades, publisher da Revista Emilia, presidenta do Instituto Emilia e co-diretora do Laboratório Emilia de Formação, além de consultora da Feira de Bolonha para a América Latina.

Entre os brasileiros da “mostra paralela”, estão Mariana Zanetti, Marilda Castanha, Odilon Morais e Fernando Vilela – este último autor de diversos títulos pela Brinque-Book.

A mostra segue em cartaz até 14 de outubro, de terça a domingo, a partir das 10h. A seguir, trechos da entrevista que Dolores Prades concedeu ao Blog da Brinque sobre a mostra, ilustração e literatura.

Blog da Brinque: Como foi o processo de curadoria dos artistas brasileiros que integram, no Brasil, a mostra original?
Dolores Prades: Foi muito dificil a escolha, ​pois a inserção dos artistas brasileiros foi decisão dos organizadores da mostra aqui [no Brasil]. Dado o espaço reduzido [da exposição], várias foram as decisões a serem tomadas. Até que, finalmente, decidiu-se q​ue seriam cinco ilustradores contemporâneos para que a mostra fosse uma janela para o que está se produzindo hoje. Concorrer por décadas seria muito injusto em termos de amostragem, daí esta decisão de concentrar em nomes que têm uma presença e que, de certa maneira, marcam uma identidade e uma diversidade na ilustração hoje de nosso pais.

BB: Esses 55 artistas – os 50 estrangeiros da mostra internacional e os cinco brasileiros da “mostra paralela” brasileira – revelam, em suas cores, paletas, traços, temas, trajetórias a história da ilustração e da literatura infantil. Como deixar claro, especialmente em um momento em que a ilustração sofre tantos retrocessos políticos, a  importância dela e do livro álbum como estética e linguagem?

Uma das ilustrações da mostra, essa é do dinamarquês Bente Olesen Nystrom

Dolores: Pois é, a mostra vem num momento inesperado, quando a ilustração no Brasil perde espaços importantíssimos já conquistados. A Mostra vai colocar a ilustração em evidência e [assim como] a sua importância no panorama internacional, afinal a Mostra de Bolonha está festejando seu 50º aniversário, isso é bem significativo para quem ainda tem dúvidas sobre o papel da ilustração no campo da edição para crianças e jovens…

O álbum ​ilustrado é, sem dúvida, uma “porta para o mundo” (fazendo este gancho com o titulo da exposição), a sua importância já foi analisada de diversos ângulos: como porta de entrada ao mundo da arte; como sensibilizador e educador de um olhar estético; como um gênero que permite uma leitura compartilhada integrada… Enfim, o álbum ilustrado, pela sua riqueza de linguagens, apresenta mil possibilidades que ampliam a relação com o leitor​, e [ampliam] também as possibilidades da mediação. Além disso, as possibilidades que o objeto álbum apresenta são muito potentes, o que coloca este “gênero” na ponta da produção do livro para crianças e jovens.

 

nada como o acesso a referências de qualidade e muito diversas para construir critérios cada vez mais autônomos de seleção e escolha, fundamental para a formação de leitores independentes e mediadores cuidadosos

 

BB: A ideia de trazer essa mostra para o Brasil é recente? Como foi esse processo?Dolores: Não é recente, não. Este projeto vem se gestando ha vários anos. Quando, em 2016, vi a Mostra na Feira [Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha] e percebi o seu significado histórico, a cuidadosa curadoria, o fato dos grandes ilustradores, praticamente todos terem passado pela Mostra, e a potência nela contida para entender o desenvolvimento da ilustração – um trajeto de 50 anos, nada menos! – pensei que seria maravilhoso trazê-la para o Brasil.

Não só para compartilhar a Mostra, mas para por em evidencia o papel decisivo que a Feira de Bolonha cumpriu e cumpre para o desenvolvimento do livro para crianças e jovens. Além disso, vimos a forte conexão de uma iniciativa como esta com a proposta do Instituto Emília: nada como o acesso a referências de qualidade e muito diversas para construir critérios cada vez mais autônomos de seleção e escolha, fundamental para a formação de leitores independentes e mediadores cuidadosos.


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