Select Your Style

Choose your layout

Color scheme

Blog
 
 

BLOG

Dia Internacional do Amigo: a escola como local de socialização das crianças

29/07/2021

Em 30 de julho comemoramos o Dia Internacional do Amigo. Como educadores, sabemos da importância das relações sociais para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças.

Dia Internacional do AmigoDia Internacional do Amigo: escola é principal local de socialização também porque promove a diversidade. Imagem: Poderia, de Joanna Raspal (texto) e Ignasi Blanch (ilustrações)

Não à toa, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) dá destaque a essas competências, que são relacionais, e as insere em todas as 10 competências gerais da base, de acordo com o Ministério da Educação (MEC).

Amizade e competências socioemocionais

As cinco competências socioemocionais previstas pela BNCC são:

  • Autoconsciência
  • Autogestão
  • Consciência social
  • Habilidades de relacionamento
  • Tomada de decisão responsável

Todas elas têm, em algum nível, a relação consigo e com os outros como ponto de partida da aprendizagem e da modulação dessas habilidades.

No encontro com o diferente e com o outro é que as crianças podem ir treinando e melhorando suas habilidades sociais e emocionais. Daí a importância central da escola -da esfera da vida pública e comunitária por excelência- na aquisição dessas competências, tão bem sinalizada pela BNCC.

Para a educadora e especialista em literatura Celinha Nascimento, a família é o espaço primário de socialização, mas a escola vem logo em seguida, em segundo ou terceiro, a depender da cultura, e, assim como a família, é um espaço organizado, com regras e rotinas combinadas, ao contrário, por exemplo, da rua.

“A escola sempre foi um importante espaço de socialização. No passado, era apenas um dos espaços de socialização e nem era o principal”, avalia a socióloga e educadora Lourdes Atié. Mas hoje, diz ela, como as crianças saíram das ruas, acabam passando muito tempo mesmo nas escolas.

Socialização na escola

Celinha pontua que, há algum tempo, não se pensava sobre esse papel de socialização da escola. As crianças viviam as relações, brincavam naquele espaço, faziam amigos — às vezes para a vida –, mas não se refletia sobre essa dimensão e sua importância como hoje.

Para ela, uma das fortalezas da escola como espaço de socialização é a diversidade das relações em comparação com espaços como a casa, a família estendida ou mesmo a comunidade mais próxima (vizinhos, grupo religioso, local de esporte etc).

Na escola, há outras relações de poder -a figura de autoridade é o educador, por exemplo- e o encontro de experiências pessoais variadas e diferentes, mediadas por adultos que também tiveram experiências as mais diversas possíveis, o que enriquece a socialização porque amplia as capacidades e habilidades de relacionar-se, expressar-se, compreender a si e ao outro.

Celinha relembra que na medida em que a escola foi ocupando cada vez mais lugar nas discussões políticas, sociais, ambientais, foi se ampliando também essa oportunidade de socializar, proporcionalmente maior também por causa da complexidade das próprias crianças.

As novas gerações, cujo acesso à tecnologia, à informação e a experiências é muito maior do que as precedentes, também traz essa complexidade para a escola, o que também amplia esse espaço como local privilegiado de socialização; nas palavras da Celinha:

—“

Quanto mais livre e mais democrática essa escola se tornou, essa socialização também aumentou

“—

Isso porque uma escola mais democrática pressupõe maior abertura para se falar de diversos temas, para se colocar com mais liberdade os sentimentos, para se debater pensamentos e emoções e para se acolher, assim, essa diversidade humana. O que é relação, se não isso?

“No espaço escolar, você tem essa chance de pensar diferente [do que pensaria em casa ou em outros espaços menos diversos]. É muito importante isso porque, se não tiver espaço de socializar na escola a chance de as crianças passarem a vida toda pensando de um mesmo jeito é muito grande. Numa sala de aula, você pode ter 30 pensamentos parecidos, mas diferentes”, avalia  a especialista.

A falta que a escola faz

Não à toa, as crianças compõem um dos grupos mais afetados emocionalmente durante esse período de isolamento. A FioCruz conduziu um estudo, ainda no ano passado, em que demonstrou que os pequenos estavam sentindo mais medo, irritabilidade, alterações no sono e no apetite.

Na mesma época, a própria FioCruz lançou uma cartilha orientando pais e educadores sobre os pontos de atenção na saúde emocional das crianças.

O isolamento social, a falta dos colegas e da convivência diária com eles e mesmo a mudança de uma rotina mais estruturada, que a escola ajudava a garantir, são alguns dos motivos que explicam esses sintomas.

LEIA MAIS: Um ano de pandemia: como está a saúde emocional das crianças?

Para Celinha, vale uma atenção ainda mais especial para as séries de passagem, como os 5.os e 9.os anos. São momentos em que as crianças encerram ciclos, há mudanças de procedimentos e até de turmas e um período que, no ideal, precisaria ser presencial. Mas diante do isolamento -que foi tão necessário-, esse processo de transição pode ter ficado mais prejudicado.

Socialização na escola na volta às aulas

O que fazer agora, na volta às aulas que, ao que tudo indica, vai, aos poucos, resgatar uma “normalidade”? Com a equipe escolar vacinada e a vacinação chegando a adolescentes em diversos estados, muitos governos estaduais estão flexibilizando as regras sanitárias e permitindo mais alunos, menos distanciamento, mais aulas por semana.

“Acho que as crianças são mais resilientes que os adultos e vão reconectar com a escola como espaço socializador sem problemas. Para isso é preciso que os adultos da escola decidam se farão a escola do medo ou a escola de confiança. Agora é preciso receber as crianças com calma, muito acolhimento e escuta”, afirma Lourdes Atié.

Para Celinha, é um momento de conversar com os pequenos, garantindo que possam ser ouvidos nas experiências que viveram e no que imaginam que seja esse recomeçar.

“Imagino que os professores vão privilegiar os trabalhos em grupo, os momentos coletivos”, pondera a educadora.

Lourdes complementa:

—“

Os professores precisam controlar sua ansiedade de querem compensar o tempo perdido. Não houve tempo perdido. Afinal tempo vivido nunca é tempo vivido e as crianças aprenderam muitas coisas para além dos conteúdos escolares. Esta é uma boa oportunidade dos professores descobrirem isso

“—

Livros e comunidade leitora

As histórias unem. E a volta às aulas pode ser um bom momento para trazer a literatura como forma de fortalecer essa comunidade.

Trouxemos aqui um vídeo da Jornada Pedagógica de 2021 sobre o tema:

 

Para refletir! 🙂 Porque, como nos contou Celinha, “Sabedoria, é do que a gente vai precisar bastante”.

///

E você? Como tem pensado sobre a socialização nas escolas?

 

 

 

 


Sem comentários no momento

Editora Schwarcz S.A. - São Paulo
Rua Bandeira Paulista, 702, cj. 32
04532-002 - São Paulo - SP