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Dia do Livro: para Marina Colasanti, não haveria leitores sem livros para crianças

18/04/2018

Hoje, data em que se comemora o nascimento de Monteiro Lobato, é também celebrado Dia Nacional do Livro Infantil, em uma homenagem a um dos mais importantes escritores de ficção para crianças. Neste dia, queremos fazer um convite: vamos refletir sobre literatura para crianças, formação leitora, infância?

Então, ninguém melhor do que Marina Colasanti para se juntar à gente nesse bate-papo. Uma das mais premiadas escritoras em língua portuguesa, considera-se leitora desde sempre. Conta que nunca faltou livro ou biblioteca onde morou, mesmo mudando frequentemente para fugir da guerra (nasceu na África, filha de um oficial italiano; viveu parte da infância durante a 2ª Guerra Mundial). Chegou a fazer um ensaio poético relatando em detalhes a contribuição dos livros que leu em sua formação pessoal. Na lista, muitos clássicos infantis.

Agora, a gente republica aqui a entrevista exclusiva que ela concedeu ao Blog da Brinque quando, aos 80 anos, lançou Tudo tem princípio e fim pela Escarlate, do Grupo Brinque-Book. Livro de poemas para jovens, acaba de receber o selo Altamente Recomendável, da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil).

A entrevista abaixo está na íntegra, mas se quiser conferir o link original, vá por aqui.

Marina Colasanti dispensa apresentações. De certo modo, sua biografia e produção falam por si. Filha de italianos nascida na África (em Asmara, capital da Eritréia), enfrentou de perto uma guerra mundial ainda criança. Mudou-se diversas vezes –entre África e Itália- e acabou emigrando com a família para o Brasil por intermédio da tia, cantora lírica que aqui morava. Chegou com apenas 10 anos, em 1948, pouco depois de terminado um dos conflitos mais violentos do século XX.

 

“Eu olho o pequeno porque sei da minha pequena dimensão e porque o pequeno contém o grande”, diz Marina, 60 livros e 80 anos

 

Mesmo em um contexto tão difícil, a literatura sempre esteve por perto em sua infância: “nunca vivi em uma casa sem livros”. Marina atribui a isso – “não me formei leitora, sempre fui leitora” – sua visão de mundo, parte de suas escolhas pessoais e profissionais, a ponto de ter escrito um belíssimo texto (publicado no livro Como se fizesse um cavalo*) em que reflete sobre o que seria dela sem os livros que leu.

Para ela, a narrativa é uma necessidade humana; e a literatura, formativa. Mas não deve ser usada para ensinamentos morais. Literatura infantil que mereça esse nome tem de ter qualidades estéticas que o justifiquem: “só pode ser considerada literatura quando, não sendo ‘infantilizada’, toca leitores de qualquer idade”.

Talvez isso ajude a entender uma obra tão vasta e premiada, com alta qualidade artística e que costura tão bem contos, romances, poesia, ensaios – para adultos, para crianças, para jovens. Artista plástica, jornalista e escritora, a “multimídia” (nas palavras do amigo Ziraldo) Marina foi contemplada com nada menos do que sete prêmios Jabuti, um dos principais de literatura no Brasil, sendo o mais recente deles, em 2014, com um livro infantil –Breve história de um pequeno amor*, que, além de vencer nessa categoria, foi também considerado o melhor livro de ficção do ano.

Nesta entrevista concedida por e-mail, que marca o lançamento de seu 60º livro – Tudo tem princípio e fim, de poemas para jovens que sai pela Editora Escarlate, do Grupo Brinque-Book, Marina responde a tudo sem meias palavras: de educação à formação leitora; de mercado editorial a políticas públicas para a leitura;  do olhar sutil e delicado, que vê o grande que há nas pequenas coisas, aos adolescentes, que, diz ela, não apenas leem poesia como “a fazem”.

 

Brinque-Book: Como a senhora “formou-se” leitora? Que memórias – afetivas até – têm de sua infância leitora?

Marina Colasanti: Não me formei leitora, sempre fui leitora, sempre tive livros ao meu alcance, sempre vi pessoas lendo ao meu redor. Quando ainda não sabia ler, liam para mim. A leitura foi mais divertida, interessante, emocionante, enriquecedora, surpreendente do que qualquer brincadeira.

 

BB: De que maneira os adultos de sua convivência, incluindo família e escola, ajudaram ou foram importantes em sua infância leitora?

Marina: Nunca, em tantos deslocamentos e em momentos difíceis, vivi em uma casa sem livros. E transmiti a minhas filhas o conceito de que os únicos elementos indispensáveis numa casa são o colchão, o fogão e uma estante. Minha escolarização foi diferente (considere que não sou brasileira e até os 10 anos vivi na Itália durante a Segunda Guerra) e não incluía leitura.

 

(“Tudo tem princípio e fim”/ Texto e ilustrações: Marina Colasanti)

 

BB: A quais grupos sociais – escola, família, comunidade – cabe a importante (e prazerosa) tarefa de “formar” leitores, de apresentar literatura às crianças?

Marina: Depende do país. Se você se refere ao Brasil, cabe quase exclusivamente à escola, uma vez que, para a maioria, o dinheiro é curto; as livrarias são poucas; as bibliotecas são raras e  frequentemente mal equipadas; a família pode ser analfabeta ou não leitora…

 

BB: E como a senhora avalia esse fato, de que tem sido da escola o papel principal de introduzir a literatura no universo das crianças e vice-versa?

Marina: Não é o ideal, porque fica faltando um elemento que sabemos ser muito importante: a vivência familiar. E o resultado é precário, porque precária é a qualidade da escola no País. Professores não leitores não fazem crianças leitoras.

 

BB: Que importância a senhora atribui à sua experiência leitora na infância? De que forma reverbera e reverberou em sua vida?

Marina: De toda forma e maneira. Influenciou minha maneira de pensar o mundo, minhas escolhas profissionais e até a escolha do meu marido: sou casada com Affonso Romano de Sant’Anna, poeta e professor de literatura.

 

“O Brasil não lê porque não acha importante”.

 

BB: Em seu livro Como se fizesse um cavalo, a senhora conta, muito sensivelmente, de que formas os livros contribuíram para a sua formação. A senhora disse, certa vez, que a literatura e a narrativa são necessidades humanas formativas da alma, como o alimentar-se é para o corpo. Quais são os desafios para que essa experiência tão singular e fundamental seja, de fato, fruída por mais crianças e mais pessoas em um país como o Brasil, em que 44% das pessoas declaram não ter o hábito de ler e 30% da população jamais comprou sequer um único livro?

Marina: Não é difícil. Como se faz, todo mundo sabe. Há uma imensa bibliografia, há decálogos, há experiências comprovadas. Outros países fizeram a escolha da leitura e tiveram êxito; exemplos não faltam. O que falta é vontade política, é reconhecer a leitura como uma alavanca primeira de desenvolvimento e civilização. O Brasil não lê porque não acha importante.

 

BB: O que pode significar essa lacuna, essa falta de experiência literária, para um país, para uma geração, para a infância?

Marina: O que significa, estamos vendo! O quadro do Brasil é muito eloquente.

 

BB: De que formação estamos falando quando falamos que literatura é formativa? Está claro que não se trata de “formação moral”, visto que a senhora já declarou muitas vezes -e inclusive por intermédio de sua obra- que não acredita que literatura infantil e juvenil têm a finalidade de “ensinar” lições morais às crianças. Poderia falar um pouco, por favor, sobre isso?

 

(“Tudo tem princípio e fim” / Texto e ilustrações: Marina Colasanti)

 

Marina: A literatura é formativa porque transmite o sentimento da pluralidade, porque nos dá a conhecer o outro, porque analisa os sentimentos humanos, porque nos oferece diversas visões temporais, porque está entretecida de filosofia, porque é a arte da linguagem. Os livros “finalistas” [aqueles que têm uma “finalidade” que não apenas a fruição artística] são pobres porque não exigem a participação do leitor: por sua própria natureza, são pratos feitos que apresentam, de maneira necessariamente óbvia, uma única idéia. E são questionáveis porque os princípios morais que defendem nem sempre são universais, e, frequentemente, são passageiros.

 

“Professores não leitores não fazem crianças leitoras.”

 

BB: Yolanda Reyes, escritora colombiana, especialista em literatura e fundadora do Instituto Espantapájaros, de formação de leitores, defende que tornar-se leitor, na infância, está ligado às possibilidades de brincar, simbolizar, elaborar histórias livremente, organizar emoções e pensamentos nesse brincar e por intermédio da literatura. As crianças brincam cada vez menos, e a própria leitura, em geral, adentra a vida das crianças como uma obrigação. Em que medida isso pode prejudicar a experiência da criança com a arte, com a literatura como arte?

Marina: Yolanda, minha amiga querida, sabe tudo sobre leitura e está certíssima. Mas o Brasil é muito diferenciado. Não tenho certeza, por exemplo, de que as crianças fora dos grandes centros estejam brincando menos.  Nem que a leitura entre na vida delas como obrigação, quando entra. Isso é coisa de centros maiores. Quanto à arte, vale dizer que a experiência das crianças brasileiras com a arte é muito limitada, o único contato frequente é com arte popular. Os museus são pouquíssimos e, mesmo nas cidades que os têm, as escolas não levam as crianças para visitá-los. A esmagadora maioria dos professores não tem nenhum conhecimento de arte erudita, assim como não sabe distinguir um livro de uma obra literária.

 

BB: Qual é a importância e a contribuição dos contos de fadas e dos contos maravilhosos para o universo simbólico e intelectual das crianças, jovens e adultos?

Marina: Há uma extensa bibliografia sobre isso. Freud, Jung e seus seguidores se debruçaram sobre os contos de fadas mostrando seu poder estruturante e a força do diálogo que mantêm com o inconsciente. Eu própria já escrevi a respeito. Tentando resumir: as crianças, que ainda não aprenderam as fórmulas adultas de comunicação, vivem ainda muito próximas do imaginário, pensam simbolicamente, brincar é fundir realidade e imaginação, é tomar uma coisa por outra, é pura metáfora; para elas é espontâneo aceitar os contos e introjetar seu conteúdo, sem fazer análises e sem trazê-los à consciência. Os adultos fazem outro tipo de leitura. A riqueza dos contos maravilhosos é justamente a multiplicidade de significados, que os tornam apropriados para qualquer idade e em qualquer latitude.

 

BB: A senhora é artista plástica, ilustra seus livros, foi gravurista. Que importância atribui às artes plásticas e gráficas nos livros infantis e juvenis? Como avalia a produção para crianças e jovens nesse sentido?

Marina: Temos hoje, no mercado, uma predominância da imagem sobre o texto. Livros álbum maravilhosos visualmente, mas por vezes de conteúdo questionável. A parte gráfica é importantíssima, quando está em consonância com o texto.

 

“As crianças vivem ainda muito próximas do imaginário, pensam simbolicamente, pura metáfora”.

 

BB: Como a senhora analisa o mercado editorial brasileiro no geral e, mais especificamente, o mercado de literatura para crianças? Em que avançamos e em que falta avançar ou mesmo em que pontos regredimos?

Marina: O infantil representa a maior fatia do bolo editorial. Mas a quantidade de porcarias que recheiam essa fatia é espantosa. Ainda assim, podemos dizer que avançamos muito. Temos autores e ilustradores respeitados no mundo todo. E melhoramos a qualidade física dos nossos livros. Quando comecei, os livros nem lombada tinham, era canoa grampeada, capa mole, papel de má qualidade e a maioria das editoras não trabalhava com cores, só preto e branco e uma única cor primária. Hoje já temos livros muito bem produzidos. Mas, como um todo, ainda estamos longe dos grandes países leitores.

 

BB: Como enfrentar essa questão do acesso à literatura, mesmo por quem pode comprar, uma vez que a maioria das ofertas para crianças é composta por livros-brinquedo, de entretenimento, licenciados? Como ampliar a participação da literatura infantil e juvenil propriamente, do livro literário?

Marina: Uma boa educação ajudaria bastante. Mas não nos enganemos, o mesmo fenômeno ocorre na área adulta. Vivemos o momento do entretenimento, todos de mãos para o alto agitando os bracinhos nos shows. As pessoas querem se distrair, se divertir, have fun. E o entretenimento dá dinheiro, o que faz com que o mercado aposte nele.

 

BB: Literatura tem idade ou “adjetivo”? Existe literatura para crianças ou literatura é literatura?

Marina: Existe literatura para crianças, mas só pode ser considerada literatura quando, não sendo “infantilizada”, toca leitores de qualquer idade.

 

“Os únicos elementos indispensáveis numa casa são o colchão, o fogão e uma estante”.

 

BB: No “mercado”, a literatura infantil ainda é considerada “menos importante” que a “literatura”. Qual é o papel que a literatura infantil ocupa ou deveria ocupar? 

Marina: O mercado é uma entidade controladora importante. Mas não é a única. A literatura infantil e juvenil é estudada com absoluta seriedade nas universidades, é objeto de teses e de estudos críticos. Muitas instituições se ocupam dela. O IBBY [International Board on Books for Young People, uma das principais organizações internacionais sobre o tema, que concede o prêmio Hans Christian Andersen de literatura infantil], por exemplo, é um organismo internacional muitíssimo respeitado, representado no Brasil pela FNLIJ [Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil]. Quanto à importância, basta dizer que, sem ela, dificilmente haveria leitores adultos.

 

BB: Há uma estética literária que a senhora busca quando escreve para crianças e jovens?

Marina: Sou uma pessoa ligada à estética. Minha proposta nunca foi sujeito/verbo/predicado. Nunca desejei apenas contar uma história. Sempre pretendi ser uma escritora de linguagem. Busco o frescor da palavra, a sua palpitação. E isso vale para qualquer idade, porque qualquer idade se beneficia com uma linguagem mais rica.

 

BB: A senhora contou em muitas oportunidades que, quando criança, lia títulos que não eram considerados “para crianças”. Comentou também sobre a riqueza que uma leitura ampla ofereceu à senhora e a outros escritores e escritoras. Como apresentar leituras variadas às crianças, para além das qualificações “infantil” ou “juvenil”?

Marina: Sempre, quando tiveram acesso à escolha, crianças e jovens leram o que os adultos achavam “não apropriado” para eles. Isso só lhes fez bem. Mas, para isso, é preciso que tenham variedade de livros ao alcance do olhar e do desejo, que frequentem bibliotecas e livrarias, que os bibliotecários da sua escola sejam suficientemente inteligentes para não regular as escolhas.

 

BB: Como fica claro para a senhora se a obra que vai escrever ou está escrevendo tem como interlocutor crianças, jovens, adultos? A senhora se coloca no lugar desse leitor quando escreve?

Marina: De forma alguma! Seria impossível. Fui uma criança do século XX, europeia e africana, vivi uma guerra tremenda, tenho 80 anos. E escrevo para crianças do século XXI, brasileiras, moderníssimas. Qualquer tentativa de entrar na pele delas seria uma falsificação e um fracasso. Escrevo como sou, com a minha idade e com a parca compreensão de mundo que consegui.

 

“Existe literatura para crianças, mas só pode ser considerada literatura quando, não sendo ‘infantilizada’, toca leitores de qualquer idade.

 

BB: Ziraldo disse, em uma entrevista que fez com a senhora, que a senhora é “multimídia”, provavelmente referindo-se ao fato de que é artista plástica, jornalista, já atuou como publicitária e na TV, também é ensaísta, cronista e, na literatura, é ficcionista para crianças, jovens, adultos, escreve poesia, prosa… Em quais dessas áreas sente-se mais à vontade?

Marina: Se eu não me sentisse à vontade em alguma delas, pulava fora.

 

BB: A senhora lançou recentemente o livro de poemas para jovens leitores Tudo tem princípio e fim (pela Editora Escarlate, do Grupo Brinque-Book). É possível identificar nessa obra uma coerência temática que perpassa os poemas, mesmo sendo eles independentes, assim como a senhora faz em muitos dos seus livros de contos, em que um tema é explorado de muitas formas a partir dos pequenos textos. Era essa a intenção?

Marina: Os sentidos se complementam porque, no processo de criação, um poema puxa o outro, a sensibilidade entra em uma determinada frequência. Minha intenção é, sempre, ser coerente comigo mesma. Isso, possivelmente, se transfere à escrita. Ao contrário do que possa parecer pela diversidade de gêneros com que trabalho, acho a minha obra muito homogênea. Não apenas pela temática, mas pela forma de abordá-la.

 

(“Conte uma história, Estela” / Texto e ilustrações: Marie-Louise Gay)

 

BB: Em muitas de suas obras -e em muitas entrevistas que a senhora concedeu sobre elas- parece claro o seu interesse pelo cotidiano, pelas “pequenas” histórias, pelos detalhes repletos de afeto e subjetividade. Tudo tem princípio e fim parece repleto desse olhar apurado para o que é pequeno, mas enorme…

Marina: Eu olho o pequeno porque sei da minha pequena dimensão e porque o pequeno contém o grande. Olho a beleza do detalhe, sempre acessível, e nela repouso o meu olhar.

 

“Qualquer tema é difícil quando não é bobo, e as crianças têm enorme curiosidade pela vida.”

 

BB: Este livro fala de questões delicadas, como a passagem do tempo, a morte, o crescimento, o processo… Como é tratar dessas questões para esse público?

Marina: Sem ter que vestir colete salva-vidas, trato qualquer tema que me pareça importante. E o mesmo vale para qualquer idade.  Não é o tema que faz a diferença, é a maneira de lidar com ele.

 

BB: A literatura para crianças e jovens tem tratado com cada vez mais profundidade e delicadeza de temas ditos “difíceis”. Como a senhora avalia isso?

Marina: Qualquer tema é difícil quando não é bobo. Mas a dificuldade à qual você se refere é fabricada pelos adultos. A morte, a doença, a diferença e a infelicidade fazem parte da vida. E as crianças têm enorme curiosidade pela vida.

 

BB: Em Minha guerra alheia, a senhora retoma memórias de infância e um ponto de vista muito singular – o da criança – sobre um tema muito árido. Estamos vivendo um momento no mundo repleto de conflitos, crise de refugiados. Em que o olhar das crianças – atento, observador – pode contribuir para elaborarmos coletivamente esses dramas?

Marina: O mundo sempre foi repleto de conflitos, a vida nunca foi fácil, e as crianças sempre estiveram de olhos abertos. Mas é evidente que crianças mais preparadas têm maiores possibilidades de se tornarem cidadãos conscientes.

 

BB: Adolescentes (ainda) leem poesia?

Marina: Bastante -e a fazem.

 

BB: Deslocar, viajar aparece em sua obra e também em sua biografia. Literatura é deslocar-se? Pode levar a deslocamentos? Desejáveis?

Marina: Sem dúvida, literatura é uma viagem. O deslocamento mental é decorrência inevitável. Quanto ao físico, depende de vários fatores e das agências de turismo.

 

 

*Publicado em 2012 pela Editora Pulo do Gato, Como se fizesse um cavalo traz duas conferências de Marina Colasanti. Em uma delas, a autora relembra como se deu sua “construção” como leitora e como pessoa.

 


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