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Conheça três experiências pedagógicas inspiradoras que vimos no ICLOC

31/05/2018

Já imaginou uma escola que organiza um edital de artes para publicar livro de ficção e ensaio, mostra de artes plásticas e sarau – tudo realizado pelos alunos, em um projeto inspirado por ninguém menos que o professor e ficcionista Daniel Pennac e seu Os Dez Direitos do Leitor?

E que tal um passeio pela literatura fora do eixo, produzida por escritores periféricos e minoritários em uma escola pública da periferia de São Paulo? Ou, ainda: um projeto de letramento científico, unindo áreas do conhecimento tão diferentes quanto Português, História, Geografia e Física?

Blog da Brinque esteve no X Congresso ICLOC, realizado pelo Instituo Cultural Lourenço Castanho (ICLOC) em parceria com o Singularidades e com apoio do Grupo Brinque-Book, e selecionou três experiências inspiradoras – de mais de mil e cem delas – para compartilhar e inspirar por aqui.

“O Catador de Pensamentos” / Monika Feth (texto) e Antoni Boratynski (ilustrações)

 

Arte Viva: a reflexão crítica e a produção autoral

É comum ouvir que crianças e jovens não gostam de ler ou não gostam de arte. Será mesmo? Três professores do Colégio Cristo Rei (SP) desafiaram esse senso comum ao proporem aos jovens a partir da Nona Série encontros regulares – para além das aulas – em uma sala repleta de livros e de possibilidades. Desses encontros e conversas, incentivavam a produção de textos autorais dos alunos.

“Tivemos que assumir um certo risco e pensar em um projeto de longo prazo. Teve aluno perguntando se poderia dormir. E eu disse que sim!”, conta o professor de Literatura Charles Sousa. Claro que a ideia não era que os alunos dormissem, mas oferecer a eles liberdade e um resgate do prazer na leitura e no diálogo, atividades que passaram a ocupar os alunos durante os encontros na “Sala da Reflexão”.

Os encontros e as aulas – de Literatura, Redação e Filosofia – foram criando condições de escrita autoral, da qual participaram os alunos que quiseram, livremente. O resultado foi um livro, editado e impresso no final do ano, com a produção dos jovens, apresentado em um Sarau.

De um livro coletivo, o projeto cresceu e se transformou em um edital de artes, que recebe inscrições no começo do ano e para qual o aluno tem seis meses para entregar sua obra. As orientações para a produção e as conversas vão acontecendo dentro e fora das aulas, mas os alunos produzem tudo em seu tempo livre.

Já são cinco os livros editados e impressos com poesia, contos e até ensaios filosóficos produzidos a partir de temas debatidos em aula, muito próximos das angústias e questionamentos típicos da adolescência, lembra o professor de filosofia Júnior Ribeiro da Silva.

“A partir do momento em que você estabelece um objetivo – a leitura vai servir para isso -, a gente perde o fundamental, que é um certo prazer nessa leitura, prazer nessa fruição estética, [e a possibilidade] de pensar outras coisas a partir daquilo que a própria pessoa já tem de bagagem”, explica Charles, justificando porque acreditavam que liberdade de exploração – ao contrário de mais pressão – seria a chave para interessar vestibulandos pelas artes e formar leitores.

 

A periferia nossa de cada dia

Responsável por levar os alunos das sétimas séries da EMEF Professora Marina Melander Coutinho à biblioteca, a professora Larissa Forster iniciou um questionamento, que logo compartilhou com os alunos: qual é a relevância do “cânone”? O que é cultura? Por que crianças nascidas na periferia (a escola fica num bairro no extremo sul de São Paulo) precisam ler apenas obras produzidas nos centros urbanos, fora da realidade, do cotidiano e da sensibilidade daquele grupo?

Pensando o aluno como produtor de cultura e o espaço da biblioteca como um local para que as crianças sejam ouvidas, Larissa propôs conversas e reflexões baseadas em algumas perguntas, tais como: quem eu sou?O que eu quero?Qual é o meu lugar no mundo?O que penso do futuro?

Os livros fora do eixo, ou seja, produzidos por autores periféricos, foram sendo oferecidos aos alunos ao longo dessa conversa reflexiva, que acontecia nos encontros semanais e levou todo o primeiro bimestre do ano passado.

“Não dá para pensar em uma literatura que não dialogue com o leitor”, explica Larissa, comentando que escolheu títulos não apenas periféricos, mas que tratavam da identidade periférica e da negritude, das minorias. “Descobri que tinha alunos que não sabiam que eram da periferia, nunca tinham pensado nisso”.

O grupo leu junto poemas do poeta Sergio Vaz, criador do Sarau da Cooperifa, leram Antes de saber do pente, da autora negra Nayla Carvalho, Contos Negreiros, de Marcelino Freire, trechos de Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, além de trechos de clássicos como Navio Negreiro, de Castro Alves, e O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

“Nossas conversas mostraram que as crianças se apropriaram daquele espaço como lugar de refletir e falar. Falar desse lugar de periférico, que não é determinante, mas um ponto de partida e reconhecimento que não pode ser ignorado”.

 

Projeto Sinapse

“Por que preciso aprender isso?” é uma pergunta relativamente comum entre estudantes, indicando que, muitas vezes, não fica clara a correlação entre o conhecimento e sua aplicação na vida prática.

Partindo do pressuposto de que a aprendizagem em sala de aula pode e deve ser acionada pelas pessoas em seus desafios cotidianos – e que só assim será realmente assimilada, pois fará sentido -, a professora Márcia Azevedo Coelho, do Colégio Espírito Santo (SP), desenvolveu o Projeto Sinapse.

Trata-se de um trabalho com textos científicos e de divulgação científica que, por sua própria natureza textual, aproximam descobertas da ciência com desafios cotidianos de países e grupos. Tendo como base a revista científica Pré-Univesp, cujas edições, temáticas, apresentam temas sob a perspectiva de diversas áreas do conhecimento, o projeto se desenvolve em etapas.

Primeiro, escolhe-se a edição da revista a ser trabalhada e quais professores especialistas serão envolvidos. Depois, os professores analisam os textos da edição e definem com quais irão trabalhar e de que forma, a partir do conteúdo de suas aulas. A partir disso, os alunos do Ensino Médio tem acesso aos textos, que são utilizados de diversas modos, tanto como fonte de consulta quanto de leitura de gênero textual e produção de texto.

Com isso, ressalta Márcia, amplia-se a cultura científica de professores e alunos, aproxima-se o saber do dia a dia e integra-se disciplinas e conhecimentos. Afinal, na vida, os desafios não vêm separados por área de saber.


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