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“Bruxa, bruxa, venha à minha festa”: o medo pode ser divertido

12/12/2017

(“Bruxa, bruxa, venha à minha festa” / Texto: Arden Druce; Ilustrações: Pat Ludlow; Tradução: Gilda de Aquino).

Um adulto que olhe para as ilustrações grandes, “estouradas” em páginas duplas, figurativas, reproduzindo detalhes nada bonitos -e muitas vezes francamente assustadores- de personagens que metem medo talvez se assuste com Bruxa, Bruxa, venha à minha festa. As crianças, ao contrário, sentem-se fascinadas pela história e pelas ilustras, absolutamente indispensáveis à narrativa do começo ao fim desse que é um dos livros de mais sucesso entre os pequenos leitores.

Lidar com personagens e situações assustadoras na fantasia, no aconchego do colo e do afeto dos adultos,  é um modo de as crianças “viverem” simbolicamente aquilo que as assusta e, assim, elaborarem emoções complexas e desestabilizadoras. Por isso as histórias de terror e perigo e os seres encantados são unanimidades entre elas, quase irresistíveis. Nesse Bruxa, Bruxa, o que não falta são criaturas horripilantes: da bruxa ao fantasma, passando por pirata, lobo, tubarão, coruja. Até o unicórnio, aqui, não fica nada fofo.

Repetição e circularidade
Além do tema, o recurso narrativo também fascina os menores. A repetição atrai pela possibilidade de identificar padrões e antecipar a história. Em Bruxa, Bruxa, todas a frases começam da mesma forma, o que se altera é apenas a personagem convidada. A narrativa se desenrola por um diálogo em que há sempre um convite igual e uma resposta que também não muda.

A circularidade -a história termina no ponto que começa- é outro recurso estilístico lúdico, dessa que é uma obra repleta de um brincar sagaz e envolvente.

Elaborando papéis
Ambos os recursos de estilo, mas principalmente a repetição, permitem que adulto e criança brinquem de interpretar papéis, pois há, em toda página, um diálogo envolvendo duas personagens, que podem ganhar voz ora pela criança ora pelo adulto.

“Bruxa, bruxa,
por favor, venha à minha festa.

Obrigada, irei sim.
Se você convidar o gato.

Gato, gato,
por favor, venha à minha festa.

Obrigado, irei sim
Se você convidar o espantalho”.

 

Esse é um recurso sugerido no livro, inclusive, e que funciona muito bem tanto em casa, na mediação com os pais, quanto na escola.

Ilustração revelação
Complementares à narrativa, as ilustrações são o veículo principal do medo no livro, pois evidenciam as características assustadoras das criaturas convidadas. A bruxa ganha contornos horríveis, o gato torna-se assustadoramente cruel e selvagem, o unicórnio é tudo menos fofinho. Sem as imagens, o efeito narrativo certamente não seria tão potente nem dialogaria tão bem com os medos infantis.

Além disso, é da ilustra que, na última página, surge a surpresa redentora do livro, a imagem que tranquiliza e garante às crianças que era “só brincadeirinha”.

Assim, os pequenos colocam seus medos no devido lugar: um faz-de-conta divertido e inofensivo.

Outras vozes
Bruxa, Bruxa, especialmente por seu caráter tão fascinante com as crianças, ganhou diversas resenhas. O Blog da Brinque selecionou duas delas e recomenda a leitura de ambas:

Essa aqui destaca um pouco o percurso da autora, Arden Druce, que foi bibliotecária e professora. E também trata das características mais cativantes da narrativa. Sua autora, Denise Guilherme, é especialista no tema e consultora de diversas escolas. Fundou  A Taba, uma comunidade de leitores em rede com clube de assinaturas especializado em livros infantis.

E essa outra, de Daisy Carias, mãe de dois meninos, jornalista, apaixonada por literatura, que escreve sobre suas experiências leitoras com os seus pequenos no blogue (e canal do YouTube) A cigarra e a formiga, traz a experiência leitora do filho de um modo sensível e que pode inspirar mais famílias.

Brinque-Book conta histórias
Bruxa, bruxa, venha à minha festa é uma das mais de 50 histórias narradas por Marina Bastos no canal do YouTube do Grupo Brinque-Book. O Blog da Brinque trouxe essa contação, que pode ser vista aqui embaixo ou direto no canal.


Bruxa, bruxa, venha à minha festa
Arden Druce (Texto); Pat Ludlow (ilustrações).
Gilda de Aquino (tradução).
Editora Brinque-Book
Indicação etária: a partir de 2 anos


Comments ( 2 )

  • Sou contadora de histórias,do meu Projeto “Entrou por uma porta saiu pela outra,quem quiser que conte outra”,pela Casa da Cultura Miguel Reale,na cidade de São Bento do Sapucaí,SP.Conto histórias tendo sempre o livro ,como portador.
    Já contei essa história da Bruxa,bruxa,inúmeras vezes.As crianças pequenas das creches e da Educação Infantil ,amam.Gostam demais.Recomendo a contadores e professores!Beijão pra turma da Brinque!

    • oi, Paula, tudo bem? Que ótimo saber da sua experiência. “Bruxa, Bruxa” é querido das crianças mesmo, né? Obrigada por compartilhar com a gente! Beijos

Grupo Brinque-Book
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