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Conheça livros e dicas para trabalhar HQs na alfabetização em suas aulas

11/11/2020

Desde de os anos 90, os gibis e as histórias em quadrinhos já surgem recomendadas como boas aliadas do ensino e da prática de diversas linguagens no Ensino Fundamental, nos Parâmetros Nacionais Curriculares.

Há, ali, textos objetivos, com forte marcador de oralidade, histórias curtas, as imagens sequenciais, as expressões das personagens, uma linguagem corporal, símbolos gráficos, onomatopeias…

Letras, palavras, textos diversos, imagéticos, tudo isso é letramento. Imagem: Já sei ler, de Patricia Auerbach

Toda essa riqueza de expressões é muito importante, sobretudo porque a Base Nacional Comum Curricular prevê um letramento multimodal, ou seja, em diversas linguagens e gêneros textuais. E cita nominalmente as histórias em quadrinhos, desde a Educação Infantil:

“(EF15LP14) Construir o sentido de histórias em quadrinhos e tirinhas, relacionando imagens e palavras e interpretando recursos gráficos (tipos de balões, de letras, onomatopeias)”.

Falamos sobre multimodalidade neste post aqui embaixo:

Como trabalhar textos multissemióticos em 7 livros para infância e juventude

Na alfabetização

No dia 14 de novembro, comemoramos o Dia Nacional da Alfabetização, e essa potência de letramento amplo, em várias linguagens, pode estar em sala desde a Educação Infantil e dos anos iniciais do Fundamental I.

As histórias em quadrinho contemplam texto e imagem, o que facilita a compreensão mesmo para as crianças que ainda não são leitoras autônomas das palavras.

Seus textos curtos e objetivos facilitam a aproximação do leitor que é iniciante. O colorido e caráter lúdico bem evidente são mais dois pontos fortes, que aproximam os alunos.

E é bacana reparar que a criança vai acompanhando a história pelas imagens e, ao mesmo tempo, se interessa por decifrar os códigos verbais da página.

A curiosidade, o prazer e a vontade de aprender são motores importantíssimos no aprendizado, assim como a troca entre as crianças nessa faixa etária.

Por essas razões, esse tipo de literatura pode ter bons resultados nos processos de alfabetização e consolidação da leitura autônoma.

Lucia Begatini Silverio, professora de pós-graduação nessa área, explicou, em uma reportagem sobre HQs e alfabetização publicada na revista Educaçãoque esses recursos de imagem, expressão facial e corporal, as letras, tudo isso facilita a compreensão do que a criança está lendo, no concreto.

Como usar em sala de aula

Assim, levar gibis, HQs e obras que tenham ou contemplem essa linguagem pode ser uma boa ideia para a formação leitora da sua turma.

Inclusive porque, como apresenta diversas linguagens, dá conta de atender as necessidades leitoras de alunos que, mesmo na mesma série, podem ter fluências leitoras diferentes.

Texto, ilustração e recursos gráficos: letramento amplo desde cedo. Imagem: Pequenas histórias para grandes curiosos, de Marie-Louise Gay

Trouxemos aqui algumas dicas para você trabalhar esse tipo de obra em sala. Algumas você encontra no Manual de Apoio ao Professor dos livros que vamos recomendar ao final do post.

Outras tiramos de livros, autores e teses sobre o tema. Vamos deixar algumas dessas fontes sugeridas e indicadas aqui embaixo também, depois dessas dicas 🙂

1) Deixe as obras à mão

Isso vale para qualquer livro, e serve também para as histórias em quadrinhos e similares. Deixar que as crianças busquem ativamente o material é importante, porque o interesse aqui é o primeiro passo para a formação leitora.

Se você tiver uma biblioteca de classe,

  • organize os títulos com as capas viradas para frente, de forma de que as crianças possam ver o que estão pegando;
  • certifique-se de os títulos estão ao alcance, ou seja, dispostos em locais em que os pequenos alcancem sem dificuldades;
  • deixe um tapete e umas almofadas e crie um “canto” de leitura convidativo, bem próximo dos livros e HQs.

Se não tiver uma biblioteca de sala, pode montar um “canto” de leitura usando uma mesa baixa e um cesto de vime ou palha, onde expõe as obras.

Pode também dispor os livros sobre um tapete. Lembre-se de deixar as capas para cima e visíveis. Coloque almofadas em volta e crie uma “ambientação” que convide os pequenos a explorar as obras.

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2) Convide que folheiem e também compartilhem

Muito importante: crie momentos do dia em que as crianças possam folhear livremente os HQs e livros. Não conduza a leitura nesses momentos, deixe que cada uma faça sua própria leitura, seja de texto e imagem, seja apenas das imagens.

Bacana também criar espaços — físicos e simbólicos — para que a turma converse sobre o que está lendo, folheando, vendo, compreendendo.

Juntas, as crianças trocam, recomendam e mosram à outra, riem, conversam sobre os muitos sentidos que vão surgindo nesse tipo de leitura, em que todos os elementos — às vezes até os próprios quadrinhos mesmo — contam como efeito narrativo.

Nesta tira acima, por exemplo, repare como a autora brinca com a forma do quadrinho, que delimita as margens internas. “Presa” no seu quadrado, a personagem voa. Explore isso com as crianças. Imagem: Pequenas histórias para grandescuriosos, de Marie-Louise Gay.

 

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3) Sugira produções

Uma ideia muito bacana para estimular a leitura, a aquisição da linguagem verbal e também das visuais e gráficas contidas nas HQs é sugerir que seus alunos produzam as próprias histórias.

Aqui importa muito mais o processo que o resultado final.

Então, é convidar que desenhem — não necessariamente escrevam — e narrem histórias usando todas as possibilidades. Os menores provavelmente ficarão na linguagem visual.

Os maiores talvez se aventurem a colocar onomatopeias e palavras, balões. O importante é que façam, que produzam, que se apropriem e se familiarizem cada vez mais.

Livros para se inspirar e ler junto

Sugerimos abaixo algumas obras que podem ajudar e trazer elementos das HQs para a sala de aula.

Tem desde uma história em quadrinhos mais tradicional a outros títulos que se apropriam de alguns desses elementos, colocando em foco também o tema da alfabetização.

Bóra?

1) Pequenas histórias para grandes curiosos

Autora: Marie-Louise Gay
Ilustradora: Marie-Louise Gay
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Humor / Cotidiano / Criatividade / Imaginação
Faixa Etária: A partir de 2 anos

O que você vê quando fecha os olhos? Você conhece alguém invisível? Sabe o que tem na toca do coelho? E que os caracóis recebem visitas em suas conchas? Por que os gatos atacam poltronas?

Como as mães ouvem através das paredes? Em 19 pequenas histórias, em formato de HQ, Marie-Louise Gay narra essas e outras aventuras divertidas, poéticas, reflexivas, lúdicas.

Com seus traços delicados e cores características, a premiada canadense, autora das séries “Estela”, “Marcos” e de livros como Onde começa a história?, nos leva a uma jornada de perguntas e descobertas, que nascem da grande curiosidade dos pequenos leitores.

>>Baixe gratuitamente o Material de Apoio ao Professor

Conheça dicas e ideias especiais para explorar essa obra em sala de aula, relacionando imagem com texto verbal…

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2) Pio

Autor e ilustrador: Martin Baltscheit
Temas: Humor / Onomatopeias / Animais / Diversidade / Amizade
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

O passarinho tinha poucos dias de vida quando caiu do ninho. E, ao cair, deu um pio que intrigou os sapos… Croac! Croac! “Ele é muito grande para ser uma mosca e muito pequeno para ser uma cegonha!”; Pio! Pio! “Que bichos são esses, enormes para serem minhocas e desafinados demais para serem mamães?”.

Aventurando- se mata adentro, o passarinho conhece muitos animais e aprende a falar línguas as mais diversas – croac; pio; i-ó; miau; au-au. A história divertida de Pio, repleta de surpresas, reúne muitos animais e sons e explora com fino humor o tema da amizade.

>>Baixe gratuitamente o Material de Apoio ao Professor

No projeto, de autoria de Clara de Cápua, focado na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I, primeiro ano, há dicas como a que segue:

“Embora não adote um formato de história em quadrinhos, o livro apresenta um importante recurso do gênero: os balões de fala.

Como um exercício lúdico, proponha uma leitura do livro em voz alta, em que toda a turma ficará responsável por reproduzir, em coro, as falas das personagens que estão nos balões.

Como um exercício de oralidade mais refinado, proponha que o coro se atente também aos sinais de pontuação que acompanham essas falas, sugerindo, por exemplo, entonações de surpresa ou dúvida”.

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3) Já sei ler!

Autora: Patricia Auerbach
Ilustradora: Patricia Auerbach
Temas: Incentivo à leitura / Incentivo ao conhecimento / Letra bastão / Cotidiano / Gêneros textuais
Leitura compartilhada: a partir de 2 anos
Leitura independente: a partir de 6 anos

Organizar as letras, ordenar as palavras em pares, completar sequências até ler o mundo. Quem se lembra de como foi essa
conquista? No novo livro de Patricia Auerbach, o leitor é guiado pela curiosidade de Tobias, personagem que apresenta com
orgulho e alegria seu mais novo conhecimento.

Agora que sabe ler e escrever, o mundo já não é mais segredo para Tobias. Autônomo, ele se vira nos recados, não troca o sal pela pimenta, descobre sentimentos caçando palavras, se comunica com o Papai Noel, viaja no universo das frases e já não faz ideia de como pôde um dia viver sem tudo isso.

>>Baixe gratuitamente o Material de Apoio ao Professor

“(EF15LP04) Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos gráfico-visuais em textos multissemióticos”.

Essa é apenas uma das ideias e das propostas do projeto, assinado por Clara de Cápua.

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E você? De que forma leva a HQ para a sala de aula?

 

 


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