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Em “A princesa e o gigante”, são os livros infantis e as histórias que salvam o ogro

16/03/2019

Era uma vez uma princesa. Uma princesa um tico diferente: ela morava numa casinha simples, seu pai – o rei – cozinhava enquanto a mãe – a rainha – era quem cortava a lenha. Ao invés de ficar esperando e esperando e esperando, o negócio dela era se divertir na bicicleta. E se divertir nem sempre era pedalar de lá pra cá. Repare no que a menina está fazendo com sua bike na ilustração* abaixo, que abre o livro.

*Nos livros ilustradosilustração e texto contam a história, complementando-se e estabelecendo um diálogo. Às vezes, o texto conta uma coisa e a ilustra mostra outra, ampliando o sentido ou mesmo criando um ruído engraçado e divertido. Para ler um livro ilustrado, é preciso ler também suas imagens.

Pois bem. Tudo ia às mil maravilhas nesse reino, não fosse por um detalhe: no fundo do quintal, havia um pé de feijão; no topo dele, claro, vivia um gigante resmungão.

A princesa perguntou aos pais
por que os gigantes eram tão maus
Sempre foram – mamãe falou
Sempre serão – papai completou

 

Mas como? Mas por quê? Sophia, a princesa que não tinha esse nome por acaso, queria saber mais sobre o vizinho incômodo que todos temiam!

O rei entregou a ela um livro que contava a história de João e o Pé de Feijão. Aquele João que descobriu um pote de ouro e teve de se haver com um gigante muito do mau humorado que queria nada menos que comê-lo!

Ela leu, leu e leu. Mas não se deu por satisfeita. Será que o gigante era apenas mau mesmo?

Mais tarde, enquanto lia uma outra história – aquela de João e Maria presos na casa feita de doces pela bruxa faminta – ouviu os barulhos e resmungos do “vizinho” ogro. Puxa! É isso, pensou. Partiu então, árvore acima, com uma mochila nas costas e uma ideia na cabeça: o gigante tinha era fome!

Foi recebida de muita má-vontade pelo brutamontes em sua casa no alto do pé de feijão, mas levava para ele uma tigela de mingau, que ele saboreou de uma golada só. Será que agora os barulhos e resmungos e ameaças, que tanto apavoravam os moradores do reino, parariam?

Nada! O humor do gigante até que melhorou, mas não muito.

 

Ela leu sobre a menina e os três ursos esfomeados,
e se perguntou se os gigantes ficam tristes ou apavorados.

 

Teve outra ideia: e se o gigante precisasse apenas de um ursinho fofo para sentir-se acolhido? Lá foi Sophia numa segunda visita levando pelúcias para o brutamontes. Assim como da primeira vez, houve uma melhora de humor, mas os barulhos e ameaças continuavam. Lá no alto do pé de feijão, o ogro não conseguia dormir, dava passos fortes que estremeciam tudo cá embaixo, aterrorizando as pessoas e reforçando a crença de todos desde João e o Pé de feijão: esse gigante é malvadão!

 

Era madrugada, o gigante não devia estar dormindo? Foi assim que Sophia pensou, enquanto lia A princesa e as ervilhas, que talvez o colchão do gigante pudesse não ser tão confortável assim, como o da pobre moça que dormia sobre uma ervilha incômoda. Lá se foi Sophia mais uma vez levando um lugar novinho em folha para o ogro dormir.

Será que dessa vez ele parava de resmungar?

E assim, a cada nova visita, o humor do gigante melhorava diante de uma ideia fabulosa de Sophia até que… Nesta deliciosa aventura, narrada em rimas por Caryl Hart e feita de lindas ilustras por Sara Warburton, os destaques são as obras clássicas e a literatura.

No fim, não são apenas as histórias, mas os livros em si e a leitura que trazem ao gigante a alegria de viver pelas mãos da amizade com Sophia, cujo nome simboliza nada menos que sabedoria.

Repare que é o livro que faz o gigante dormir. E, depois, é o livro que sela definitivamente a amizade e a convivência entre humanos e gigantes, até então considerados ameaçadores e inimigos. A família real, antes de Sophia, estava a um passo de prender o ogro. Simbolicamente e delicadamente, essa passagem nos faz pensar nos ciclos intermináveis de violência e repressão onde não há arte e subjetividade como meios de expressão e compreensão genuínos.

É a arte – corporificada na literatura – que permite à Sophia pensar além do óbvio, dos estereótipos e do “sempre foi assim” para criar novas respostas e ampliar a subjetividade, tirando do lugar tanto ela mesma quanto o gigante, refém do “papel” de vilão até ser libertado pela literatura e viver feliz pra sempre!

 

 


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