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A importância do desenho no desenvolvimento da criança

24/09/2013

Há duas semanas, o Blog da Brinque-Book lançou o concurso cultural “Toda Criança é Artista”, um jeito de conhecer melhor o gosto dos nossos pequenos leitores e reconhecer uma de suas linguagens mais puras: o desenho. Na brincadeira, a criança tem de desenhar uma “capa nova” para o seu livro favorito da editora e nos enviar. Com isso, pode reviver a história e soltar a imaginação através de uma leitura visual daquilo que mais a tocou.

Mas afinal, você sabe qual a importância do desenho na vida de uma criança? Quem responde a essa e outras perguntas é Sandra Medrano, pedagoga e mestre em didática pela USP, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac, do Laboratório de Educacão da Revista Emília e de um novo espaço que discute a infância com muita inteligência e carinho: Toda Criança Pode Aprender.

Esperamos que vocês gostem da entrevista e tenham uma leitura inspiradora!

Brinque-Book: Por que desenhar é importante para o desenvolvimento da criança?

Sandra Medrano: Desenhar é fundamental para que a criança aprenda uma forma diferente de se expressar, a fazer representações sobre o que vê, imagina, sente… É uma outra forma de linguagem que permite desenvolvimentos distintos daqueles que a linguagem oral e a escrita proporcionam. É interessante considerar que o desenho da criança muitas vezes (ou talvez a maioria das vezes) tem seu valor no processo, e não em seu resultado. A experiência que o ato de desenhar proporciona para as crianças, a experimentação do uso dos materiais, dos suportes e dos gestos que realiza é mais importante que o produto em si. De que forma uma criança se expressa através desse processo? Expressa através de cores, de traços, de imagens, do uso do suporte, pois tudo pode ter significado ou tudo pode ser só experimentação. Como pais e professores podem incentivar os pequenos a desenhar? Proporcionando espaços, momentos livres e dirigidos, com materiais diversos, suportes diferentes, compartilhando o que realizam, se interessando realmente pelo que fazem, atribuindo valor ao que as crianças desenham. Não pelo resultado em si – como disse – mas pela experiência que proporciona essa atividade. Expor as produções, por exemplo, – seja na escola, em painéis que podem ser apreciados pelos pais e outros colegas ou em casa, colando na geladeira, na parede do quarto ou de um cômodo em que possam ser vistos por parentes próximos – comunica às crianças que o que foi produzido por ela é valorizado. Por que a medida que a escrita vai se tornando a principal forma de comunicação da criança, o desenho vai ficando de lado? O ideal não seria trabalhar os dois ao mesmo tempo? Numa sociedade como a nossa – grafocêntrica – a escrita tem um valor que se sobrepõe ao desenho. Há uma cobrança social para a alfabetização e isso corrobora para que a escola se concentre no ensino da escrita e relegue a arte. Além disso, a formação que temos, na maior parte das vezes, é muito superficial em relação à arte. Assim também acabamos não tendo observáveis para valorizar, analisar e produzir imagens. Seria interessante que mesmo com o foco no ensino da língua escrita – que é fundamental para apropriação de conhecimentos formais e participação social – a escola continuasse a tratar as artes visuais, não só desenho, para o desenvolvimento amplo das crianças. Mas, considerando cada conhecimento – língua e arte – com características e potencialidades distintas. No nosso concurso, sugerimos que a criança escolha seu livro predileto e crie um desenho a partir dele, como se fosse um ilustrador que pudesse fazer uma nova capa. Como os pais e professores podem fazer para que essa seja uma atividade prazerosa e livre, mesmo partindo de uma ideia? Penso que a proposta em si é desafiante e para as crianças que já apreciam como leitoras as imagens, se deliciando com as pistas que dão logo no “rosto do livro”, observando como se relacionam as imagens com o que o título indica, analisando como são compostas no espaço disponível, examinando a relação entre a capa e o que há dentro do livro, como são usadas as cores ou materiais ou ainda as técnicas… Se as crianças já possuem esse repertório, proporcionado pelas situações em que um mediador ofereceu essas oportunidades, a proposta do concurso será a chance de colocarem em jogo seus conhecimentos. Qual seu conselho para adultos e crianças que acham que o desenho deve ser um retrato fiel do que se vê? Há casos em que pintar o céu de outra cor, que não seja azul, pode trazer problemas ao pequeno artista. Que conselhos podemos dar para que esses e outros casos não aconteçam, bloqueando a imaginação da criança? O desenho é uma forma de expressão e por esse motivo, o sentido se dá no todo, no que está explícito e no que está implícito. Representar fielmente o que se vê pode ser feito de outras formas, como por exemplo, a fotografia, que por sinal fará de maneira muito melhor que o desenho. Assim, a representação pessoal, que pode ser feita pelo desenho, tem valores diversos que não a fidedignidade. O inusitado, o original, o impensado pode ser mais representativo do que se deseja apresentar. Pode representar aquilo que não se vê, mas isso nem sempre é fácil de enxergar – mas podemos nos arriscar. Se abrirmos nossos horizontes, não restringiremos os horizontes das crianças.

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>>Sobre o concurso: feito para pais e professores que queiram nos mostrar as belezinhas que têm por perto! Feito para todas as crianças até 12 anos que amam ler e têm algum livro favorito da Brinque-Book!Clique aqui para saber mais!


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