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Livros são espaços seguros para falar de sentimentos e temas difíceis com crianças

04/11/2019

Em resumo Já  ficou em dúvida sobre como reagir a uma birra? Para as crianças, também não é fácil. Saiba como a literatura infantil pode  apoiar o desenvolvimento emocional dos seus filhos

Os livros não têm uma função específica, não são feitos para “servir” ou “tratar” de algo. A arte é um lugar livre, que cada um de nós habita com o que tem dentro de si, com suas questões, seus medos, interesses, olhares.

É por isso mesma tão rica, porque coloca nossa subjetividade em contato direto com a subjetividade do autor, do artista. O que ele disse que ecoa tão fundo em nós?

Mesmo sem ter uma “finalidade”, a arte — e aqui a literatura para crianças e jovens também — pode servir de ponto de partida e de espaço seguro para “trabalharmos” emoções difíceis, para lidarmos com o que entristece, assusta, desorganiza.

E isso vale ainda mais para as crianças, porque elas dominam melhor as linguagens artísticas, metafóricas e sensíveis

 

De acordo com a psicóloga Danielle Rossini, do canal Bom pra Cuca, as crianças sentem diversas emoções desde muito, muito pequenas. Experimentam a expressão física dessa emoção, e isso independe da vontade delas. Só depois de sentir é que o cérebro vai agir sobre e interpretar o que foi sentido.

Essa interpretação, explica ela, vai variar de acordo com as experiências vividas, com a forma com que lidamos com situação semelhante anterior, com como eu vejo os outros lidarem com isso e com a forma como me ensinaram a manejar com essa emoção.

Danielle defende que nós, adultos, somos os tutores das crianças nesse camino de aprendizado de manejo das emoções, o que é bem difícil para elas. Afinal, elas nunca fizeram isso antes e têm pouquíssima experiência para balizar sentimentos tão fortes e básicos como medo, raiva, alegria, nojo…

Ajudar a criança a se regular — nosso papel — também não é fácil, porque essa regulação é um desafio enorme para os adultos também e porque, como já elaboramos uma série de sentimentos que as crianças ainda estão aprendendo a sentir, não é fácil nos colocarmos no lugar delas e percebemos que, para elas, aquilo não é uma “bobagem”.

Nesse processo, a arte sempre pode fazer a ponte entre nosso olhar adulto e o delas. “É importante acessar o universo da criança pela linguagem dela, para entender o que ela quer dizer e para que ela entenda. A história é o grande veículo para facilitar isso. A criança vai acompanhando a ação das personagens e elaborando”, diz Danielle.

Toda emoção é digna

Muitas vezes aquele tema difícil é tudo o que nossos filhos precisam para elaborar os medos, conversar sobre situações e fato desagradáveis, expressar uma angústia… Não há melhor formar de acolher nossas crianças e ajudá-las com nossas ideias e visões de mundo do que quando elas nos contam como se sentem.

E quando fazem isso no nosso colo, ouvindo uma história, num momento de afeto.

Por exemplo, os pequenos adoram livros e histórias de mistério, de bruxas, fadas, monstros e seres encantados porque conseguem elaborar seus medos através dessas narrativas.

E o medo é uma das emoções mais comuns na infância.

Um ponto essencial nesse diálogo, segundo Danielle, é: toda emoção é digna, não tem emoção “feia”. É lícito sentir raiva, medo, nojo… Só depois de sentir é que vamos nomear e aprender a lidar. O ponto aqui é ajudar as crianças a lidarem com o que sentem.

Portanto, pode sentir raiva. O nosso papel é ajudar as crianças para que não agridam a si e aos outros quando estão com raiva. E este é um processo longo e de amadurecimento. Um bebê vai reagir à raiva de uma forma diferente de uma criança de três anos ou de outra ainda maior.

Falar sobre é essencial

Muitas vezes, com a intenção de proteger, podemos subestimar as crianças. Poupá-las de temas e conteúdos que, sim, são difíceis, na verdade pode gerar ainda mais medo, angústia e insegurança.

O importante aqui é deixar as emoções das crianças nos guiarem. Que perguntas elas já trazem? Que temas já ganham a atenção delas? Como se sentem na hora de dormir? O que as angustia? São nesses assuntos que podemos procurar um livro, por exemplo, para ajudar a conversar a respeito.

Acolher como são

E, finalmente, é importante ter em mente que temos de acolher nossos filhos e as pessoas como são, ainda que sejam diferentes de nós ou daquilo que esperávamos que fossem.

Nossos filhos com toda a certeza vão absorver alguns dos nossos valores e dispensar outros, criando os valores deles. E isso é ótimo! Temos de deixá-los à vontade — e com a certeza de ser amados — para fazer isso.

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Como você lida com isso na sua casa ou na sala de aula? Conte para a gente. Neste post aqui, indicamos três livros que podem ajudar a falar de emoções. Você tem outro para indicar? Coloque nos comentários!


Comments ( 7 )

  • Aqui em casa, o próprio momento de leitura, independente do tema a ser lido, já é – por si só – um momento de afeto, troca e partilha! Inclusive, várias vezes, a hora da leitura foi – pra mim e para o meu Miguel (4 anos) – um momento de esclarecimento, união, acolhida, perdão e reconciliação! Na nossa família, ler nos aproxima, nos sensibiliza, nos permite ser mais humanos e amigos.. a leitura é um pilar de sustenção da nossa casa! Justamente por isso criei o Instagram @contando.historinhas … Não achei justo guardar o tesouro das nossas leituras só para gente!!! Hoje, já somos mais de 15.000 leitores… E seguimos contando e partilhando muitas histórias e afeto! ❤️📚

    • oi, Rafaella, tudo bem? Que relato lindo! E é isso mesmo, né?, troca, partilha, afeto, conversas… Só coisa boa! Beijos! Equipe Blog da Brinque

  • Quando me tornei mãe várias dúvidas e receios, de como poderia criar minha filha rondavam a minha cabeça , uma dessas seria de como lidar com assuntos delicados, tipo violência sexual, sentimentos de inveja, raiva, preconceitos raciais , religiosos… conversava com outros ao meu redor e estes nunca me davam algo que me confortasse consistentemente, afirmavam que era só ir vivendo e educando….
    quando entrei na vida literária consegui o q sempre almejei, vivenciar os fatos antes mesmo destes coexistirem .
    Todo dia temos um debate em casa, um fórum , um novo conhecimento … todos os dias são novas portas pelas quais nunca havíamos percorridos antes. Um universo paralelo !
    E hj temos um ig (@faz.conta.aju) para vivermos ainda mais esse universo.
    Meu nome é Fabiola, sou pediatra e tenho hj uma filha de 5 anos e um bebê de 1 mês.

    • oi, Fabiola, tudo bem? Obrigada por compartilhar sua história com a gente! Livros são universos, né?, como pessoas! Um beijo! Equipe Blog da Brinque

  • Ler é criar vínculo e por meio da leitura trabalhamos emoções e sentimentos, a criança compreende a realidade e a si, ao outro. É um exercício de si e do outro. Ameiii. Lemos hoje na Escola Mustafá e as crianças logo falaram dia sentimentos que ele mostrava e se colocaram no lugar e deram ideias de como fariam para ajudá-lo.

    • oi, Paula, tudo bem? É isso mesmo! E é incrível como as crianças são super sabidas e sensíveis, né? Um beijo! Equipe Blog da Brinque

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