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Ideias e livros para pensar uma infância gentil consigo e com os outros

13/11/2020

Diz o dicionário que gentileza significa ação nobre, distinta ou amável. Sorrir para as pessoas, escolher as palavras na hora de falar, pedir e mesmo reclamar, ajudar quem precisa nas mínimas coisas, um toque delicado, um abraço, um elogio sincero.

O que mais cabe na sua lista para definir gentileza?

Vamos falar sobre esse tema tão importante aproveitando que hoje, 13 de novembro, é o Dia Mundial da Gentileza?

A neuropsicóloga Danielle Rossini, que estudou psicologia positiva — aquela que foca em promover a saúde emocional — na Universidade de Berkeley, EUA, explica que:

“Gentileza é aquele estado de atenção, de certa preocupação, com a necessidade do outro”, que se reflete num comportamento… “Modulo meu comportamento, gesto, fala a serviço disso”.

Olhar para as necessidades do outro e acolher com afeto: gentileza 😉 Imagem: Três, de Stephen Michael King

Doar seu tempo para alguém que precisa, para uma causa, doar o que você não usa, ajudar um vizinho, colega, conhecido, tudo isso é ser gentil.

Mas mais que as “grandes ações”, há também as gentilezas de pequenos gestos, daqueles cotidianos, que expõem e dependem de um olhar atento diário: oferecer um copo de água, fazer um elogio sincero, colocar uma música de que o outro gosta muito.

“Isso vai enchendo nosso balaio de gentileza e dando robustez a essa habilidade e atitude”, explica Danielle.

Os tipos de gentileza

“A gentileza, a empatia, a gratidão são comportamentos chamados pró-sociais, aqueles voltados para a relação interpessoal”, diz a neuropsicóloga.

–“

Ser um homem forte inclui ser gentil. Não há nada de fraqueza na bondade e na compaixão. Não há nada de fraqueza em cuidar dos outros

“–

Barack Obama, ex-presidente dos EUA

Segundo ela, são três os principais tipos de gentileza.

Tem a gentileza mais genuína, que é aquela gratuita, benevolente: o sorriso sem intenção de reciprocidade, o elogio sincero porque sim.

Tem aquela que é mais estratégica: “eu não faço de caso pensado, mas eu sou gentil sabendo que eu vou me esquivar de uma situação desconfortável, por exemplo”, conta Danielle.

E há ainda a gentileza motivada, aquela em que somos gentis respondendo a alguém que foi nos tratou com gentileza, uma forma de reciprocidade.

Gentileza gera gentileza

Conhece essa frase, né?

Foi criada e desenhada no Viaduto do Gasômetro, no Rio de Janeiro (RJ) por José Datrino, o “profeta Gentileza”, que se tornou uma figura conhecida daquela cidade e chegou a ser homenageado em um Carnaval.

E ele está certíssimo, não é?

Quando são gentis com a gente, tendemos a ser gentis de volta 😉

Quem é gentil, afinal?

Danielle nos conta que as pessoas que estão se sentindo bem consigo mesmas, emocionalmente saudáveis, as otimistas fazem parte do grupo das mais gentis.

Aquelas com QI mais alto — teste que mede um dos tipos de inteligência — também.

E aqui há uma ponderação importante: em geral, essas pessoas são aquelas que tiveram mais oportunidades e também um contexto social favorável, o que pode explicar tanto o melhor desempenho no QI quanto o trato gentil.

O urso não é lá muito gentil, mas é a gentileza dos outros que derrete seu coração gelado. Imagem: O urso rabugento, de Nick Bland

Pessoas com filhos e mais jovens ficam no grupo das gentilezas também.

Faz bem até pra saúde

Uma informação importante: pesquisas mostram que ser gentil é bom para os outros e para nós mesmos.

Esse tipo de atitude ajuda a melhorar a pressão, reduz o estresse e libera ocitocina no sangue, o hormônio do amor, o que nos dá uma sensação de bem-estar.

Quem é gentil vive mais — e melhor.

Ambiente gentil na infância

Esse ambiente de gentileza na infância, além de ser respeitoso e ótimo para as crianças, claro, ainda vai ajudar a criar um adulto gentil, saudável emocionamente, equilibrado.

Ambiente gentil é saudável, seguro para as emoções: “é um ambiente contenedor, acolhedor, valorizador, onde você faz porque faz bem e não esperando algo do outro”, segundo Danielle.

Assim, a gente cria filhas e filhos sentindo-se bem, amados, valorizados. Faz uma espécie de reserva de bem-estar emocional para o futuro deles.

Depósitos emocionais favoráveis tanto para os outros — porque são crianças mais acolhedoras, inclusivas, que não fazem bullying — quanto para si, já que se tornam adultos emocionalmente mais abastecidos de bem-estar emocional.

“Então a gente administra os perrengues da vida adulta com mais resiliência, pró-atividade”.

Ensinamos gentileza?

Sim. Bebês humanos já demonstram empatia e capacidade de reconhecer as necessidades dos outros e tentar ajudar a resolvê-las. Ser gentil é uma habilidade com a qual nascemos.

Para quê serve um sapato? Para ficar elegante, claro! Mas, espera: os ratinhos precisam ter onde morar. E agora? Imagem: O gigante mais elegante da cidade, de Julia Donaldson (texto) e Axel Scheffler (ilustrações)

Mas que podemos desenvolver ou não.

Como então ajudar as crianças?

1) Dê o exemplo

Seja genuinamente gentil com todos. Tenha essa intenção, repare em seu comportamento e palavras. E avalie: como é a gentileza na sua casa? Como lidam com as crianças e com os demais adultos? O que pode melhorar?

2) Mostre repertório

Quando estiver lendo uma história, vendo um filme, ouvindo uma música ou passeando e aí notar um ato gentil, fale, comente, chame a atenção. Aponte para os pequenos o que é a gentileza e onde você a identificou.

3) Chame a atenção para o comportamento gentil

Ao invés de brigar com as crianças se não forem gentis, elogie quando forem! Destaque o comportamento, elogie, deixe claro que você reparou, gostou, que é bacana o que a criança fez.

3 livros para uma infância gentil

Danielle Rossini nos ajudou a selecionar três obras em que a gentileza aparece e que podem ajudar você a se inspirar e a levar esses exemplos às crianças.

1) O urso rabugento

Autor: Nick Bland
Ilustrador: Nick Bland
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Conto / Humor / Animais / Convivência social
Faixa Etária: A partir de 2 anos

Num dia de chuva e vento, uma zebra, um alce, um leão e uma ovelha procuravam um lugar para brincar – e achavam que tinham encontrado o local ideal numa caverna seca e quentinha. Mas eis que a caverna já conta com um inquilino e ele não quer saber de companhia! Como será que os quatro amigos vão acabar com a rabugice do urso?

Por que ler:

“Há muitos momentos em que é a gentileza o que derrete o coração rabugento desse urso”, diz Danielle.

///

2) O gigante mais elegante da cidade

Autora: Julia Donaldson
Ilustrador: Axel Scheffler
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Cooperação / Solidariedade / Criatividade / Amizade / Consumismo
Faixa Etária: A partir de 3 anos

Em uma terra mágica habitada por seres miúdos e diversos, como pessoas, elfos e animais, há um gigante adorável e desalinhado chamado Jorge. Um dia, ele decide que é hora de repaginar o visual.

Encontra uma nova loja no caminho e troca as roupas velhas e gastas por uma camisa, um par de calças, cinto, gravata, meias e sapatos pretos brilhantes. Tudo muito elegante.

No entanto, quando se depara com uma série de animais que precisam de ajuda, ele imediatamente começa a distribuir suas roupas para ajudar.

Por que ler:

Essa é uma obra todinha sobre gentileza e empatia, tratadas de forma rimada e bem-humorada.

///

3) Três

Autor / Ilustrador: Stephen Michael King
Temas: Respeito às diferenças / Autoconhecimento / Amizade / Animais / Cidade / Campo / Cotidiano
Faixa Etária: A partir de 3 anos (leitura compartilhada) / 7 anos (leitura independente)

O cachorro Três é um grande explorador! Anda pela cidade com as suas três patas, sempre muito contente, fazendo amigos e aprendendo coisas novas.

Ele descobriu, por exemplo, que as pequenas seis-patas, as formigas, têm casas subterrâneas e que a oito-patas, uma aranha, construiu sua casa lá no alto para se proteger do trânsito da cidade.

Um dia, de farejada em farejada, ele foi parar no campo, onde conheceu outros animais com diferentes números de patas e, também, uma duas-pernas, a Flávia.

Desvendando toda a riqueza que há nas diferenças, Três, do premiado autor Stephen Michael King, nos mostra a leveza e alegria de perceber que podemos ser felizes do jeito que somos!

Por que ler:

“O momento em que Três encontra a outra ‘três patas’ — ou “duas pernas” — é de uma gentileza…”

///

E você? O que a gentileza tem significado para você?


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