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Homem chora: como e por que criar meninos capazes de expressar o que sentem

25/09/2019

Em resumo Documentário aborda o machismo sob novo ponto de vista: ele é ruim também para os homens, impede que lidem com emoção  e os tornam inseguros e agressivos

“Homem não chora”. “Você é menino ou um saco de batatas”? “Não foi nada, seja homem”! “Ah, você é homem, você é forte”! “Chorar é coisa de menina”. Quantas vezes ainda dizemos isso para os nossos filhos? O que estamos ensinando a eles? Já parou para se perguntar?

O silêncio dos homens, um documentário recém-lançado que pode ser assistido de graça e na íntegra no YouTube (ou aqui embaixo), perguntou sobre isso para mais de 40 mil pessoas.

Realizado por  Papo de Homem, pelo Instituto PdH e pela Monstro Filmes, o tema principal do longa-metragem documental é mostrar como educamos os homens para que não se permitam sentir, nomear ou expressar seus sentimentos. E a consequência negativa disso.

“Ser capaz de identificar poucos sentimentos; não ser capaz de nomear o que se sente é um dos motivos que levam vários homens e usar a violência como  linguagem. Essa linguagem vai perpassar a relação com ele, mas com outros homens, com mulheres, com filhos…”, explica o coordenador do projeto Ismael dos Anjos, que é fotógrafo, jornalista e pesquisador de masculinidades.

  • Meninos precisam chorar e ser acolhidos

Sentir emoções, ser capaz de nomeá-las, reconhecê-las, expressá-las, elaborar-las e até transformá-las é essencial para os nossos meninos, para que vivam uma vida feliz, com maturidade, capacidade real de dar e receber, de amar e ser amado e de seguir seu coração e seu caminho.

Nossa educação, que ainda reforça estereótipos machistas, segue desautorizando nossos meninos — e os homens que eles serão — de viver uma vida mais plena e igualitária, sem a necessidade de dominar nem ser dominado.

A boa notícia é que é na infância que damos às nossas crianças os parâmetros que vão nortear as escolhas delas vida afora. Quanto mais ajudarmos nossos meninos a entrar em contato com as emoções sem reprimi-las e, ao mesmo tempo, entendermos que é justo nisso — e não na agressividade — que está a verdadeira força, melhor para eles. E para nós.

  • Ensinando a lidar com emoções

Lidar com emoções não é mesmo fácil. É um aprendizado para nós, adultos, também. É o tipo de coisa que nunca “aprendemos” de fato, até porque as emoções e nossas reações a elas vão mudando ao longo dos anos.

Mas listamos algumas ideias para inspirar você a ajudar seu filho a sentir, nomear, expressar e lidar com os sentimentos. O que não significa deixar ele fazer o que quiser, já avisamos (mas fazer e sentir são coisas diferentes!).

Isso pode com certeza dar a ele outras referências de como se relacionar com ele mesmo, com o mundo, com as pessoas que vai amar e com o modo como é saudável ou não expressar os sentimentos.

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1. Nunca impeça o choro

Porcolino e mamãe, de Margaret Wild (texto) e Stephen Michael King (ilustrações)

O choro é uma forma de expressão. É interessante pensar que o bebê e a criança pequena tem quase só esse meio para colocar para fora um mundo de sentimentos.

Nao importa se seu filho está chorando porque ralou o joelho ou porque acordou irritado ou porque não quer comer a ervilha que encostou no feijão. Tenha em mente que, por mais banal que te pareça o motivo dele, ele provavelmente sente diferente. E é como ele se sente que importa nesse momento e para a construção de uma autoestima e do autoconhecimento dele.

É preciso validar o sentimento do seu filho antes de tentar mostrar uma outra perspectiva.

Sendo assim, nesse caso, o melhor é dizer algo como: “sei como você fica triste quando isso acontece. Que pena que aconteceu de novo. Você está irritado e frustrado com isso, certo? Pode chorar”. Deixe ele chorar e expressar o que está sentindo.

Depois — e só depois — proponha algo para solucionar o problema. “Que tal comer essa outra aqui, que não encostou em nada?”. Ou ainda: “acha que consegue experimentar para ver qual é o gosto de uma ervilhajão?”.

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2. Acolha-o e ajude-o a nomear o que sente

 

A princesa e o gigante, de Caryl Hart (texto) e Sarah Warburton (ilustrações)

O que vale para o choro também serve para outras formas de se expressar. As crianças às vezes arremessam coisas, gritam, se jogam no chão.

Claro que não devemos autorizar nossos filhos a atirar coisas por aí, porém, antes de colocar o limite é preciso validar não a ação, mas a emoção.

E nomeá-la, porque saber o que está sentindo é essencial para acalmar a criança e organizar seus sentimentos.

E como se acolhe e se valida? Falando: “tudo bem sentir raiva. Eu também sinto às vezes. Mas não arremessamos as coisas”. Ou: “acho que você está muito cansado. Tudo bem se sentir exausto assim. Venha, vamos para casa descansar”.

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3. Sempre mostre os limites

 

A macaquinha, de Marta Altés (texto e ilustrações)

Assim como nomeamos as emoções e dizemos que está tudo bem senti-las, também precisamos dizer que não agredimos, que não gritamos, que não arremessamos os brinquedos. Assim, tiramos o foco da educação do sentimento e acolhemos o que quer que a criança sinta, direcionando a nossa responsabilidade como educadores para a ação.

Ou seja, os nossos filhos precisam saber que estão seguros para se expressar, mas que não devem agir contra si ou alguém ou alguma coisa.

Prefira colocar os termos como “não fazemos” ao invés de “é errado” ou “é feio”. E jamais misture a criança com a ação, dizendo coisas como: “você fica feio quando grita”.

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4. Converse, converse e converse de novo

O lobo sentimental, de Geoffroy de Pennart (texto e ilustrações)

Abra seu coração ao seu filho e não tenha medo de se mostrar vulnerável, de admitir que sente medo, raiva, que às vezes também não sabe as respostas, que sente frustração e não gosta disso… Faça isso especialmente se você é pai, pois dá um modelo masculino saudável e forte aos meninos.

A arte pode ter um papel importante aí, especialmente os livros, pois, em geral, a leitura compartilhada é  um momento em que pais e filhos estão juntinhos, vivendo plenamente a troca de afeto.

É geralmente quando as crianças sentem-se ouvidas e vinculadas com o adulto o contexto ideal para surgirem dúvidas e comentários, em que os pequenos perguntam sobre o que sentem e expressam emoções.

Ouça com atenção e procure ajudar a criança a dar nome ao que sente, entender. Não julgue ou censure nesse momento. Depois de uma conversa empática, se você achar que a conduta dela não foi a mais adequada, coloque o limite afetuoso na ação, sem misturá-la com a criança.

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5. Dialogue com afeto

 

Chapeuzinho e o leão faminto, de Alex T. Smith (texto e ilustrações)

Nossa sociedade vez ou outra nos dá um sinal de que ainda acha que afeto, respeito, amorosidade são sinais de fraqueza e de falta de autoridade. Pelo contrário.

Dialogue sempre com respeito e delicadeza, lembrando-se sempre de que seu filho é uma pessoa. Pequeno. Indefeso. Muito confuso sobre o funcionamento do mundo. Precisa de amor, paciência e alguém disposto a mostrar a ele como agir de forma saudável para ele e para os outros.

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E você? Como faz para estimular seus filhos a lidarem com suas emoções?

 


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