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Crianças em isolamento social: como acolher os sentimentos e identificá-los

02/07/2020

Estar em casa o tempo todo, privado do convívio dos amigos, dos avós, da rotina escolar, que organizava o dia a dia: nada disso está sendo fácil para as crianças.

Elas estão mais irritadas, entediadas, tristes, desafiadoras, com o típico comportamento de oposição e negação que muitas vezes geram conflitos com os adultos em volta.

Crianças estão mais irritadas. Isso pode ser efeito do isolamento social. Imagem: Zeca Zangado, de Robert Starling

Também tem acontecido por aí?

Pois saiba que é normal e esperado. Tanto que uma equipe de pesquisadores de Brasília da Fio Cruz criou uma cartilha sobre efeitos do isolamento social na saúde mental infantil.

Entre esses efeitos, estão dificuldade de concentração, irritabilidade, tédio, alterações no padrão de sono / alimentação e sensação de solidão.

  • Conversamos com a neuropsicóloga Danielle Rossini sobre esse tema. Além de explicar as razões pelas quais os pequenos estão mais e mais afetados, também dá dicas e sugestões importantes para ajudá-los.
  • No final do post, você acessa também um material inédito, exclusivo e inspirador feito por Robert Starling, autor de Zeca Zangado. Na história, em pleno isolamento social, Zeca aparece triste, em busca dos amigos. Como será que o pai vai acolher o pequeno dragão?

Emoções bagunçadas

Claro que essas emoções à flor da pele precisam de cuidado, mas, para isso, antes de qualquer coisa é preciso saber que é natural e esperado que isso aconteça.

Especialmente agora que estamos em isolamento há bastante tempo.

“Para as crianças, aquela sensação de novidade, de poder ver TV quando quiser e fazer coisas em casa que não faziam antes, já passou. Agora o sentimento é: ‘vou ter que ver TV de novo?'”, explica a neuropsicóloga Danielle Rossini.

Ela ressalta que não só as crianças — mas também os adultos estamos mais sensíveis e propensos a nos desorganizar emocionalmente nesse momento.

Desconforto que extravasa

Será que podemos ajudar as crianças a expressar o que sentem de uma maneira saudável? Imagem:Zeca Zangado, de Robert Starling

É preciso estar atento, ligar as antenas, aos muitos sinais que as crianças dão, muitos deles não verbais.

“Quanto menor forem os pequenos, menos eles conseguem falar e explicar o que sentem verbalmente”, diz Danielle. Desse modo, acabam se expressando por meio de ações e comportamentos de objeção, confronto, bagunça.

No fundo, o que eles querem não é bagunçar ou questionar cada ordem sua. Precisam apenas dizer que estão assustados, cansados, que não se sentem bem.

Nosso primeiro impulso é dar uma bronca, conter, administrar. Mas será que é disso que eles precisam? Será que precisam se colocar e organizar o que sentem e não conseguem falar?

Dicas para apoiar crianças

Danielle compartilhou algumas dicas práticas que podem ajudar sua família a se perceber emocionalmente e a acolher nossos filhos.

1-) Acolha em você

É natural que estejamos estressados, frustrados, assustados, cansados. Antes de olhar com empatia para uma criança em crise, por exemplo, olhe com carinho para você e para as vezes em que foi você que se descontrolou, gritou, reagiu com imaturidade a uma demanda dos pequenos…

Procure modos de extravasar essa desorganização: um banho mais longo, um livro, uma música, dançar na cozinha, trocar dicas de séries, um telefonema — uma conversa franca com uma/o amiga ou com com a/o companheiro/a…

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2-) Naturalize os sentimentos

É preciso dizer às crianças que, sim, é chato mesmo não sair de casa, não poder ver os avós, assistir àquele desenho — tão bacana — de novo e de novo e de novo.

Naturalizar o que eles estão sentindo, validar essa sensação, mostrar que é isso mesmo e que eles podem sim estar frustrados com isso.

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3-) Dê voz aos comportamentos

Se as crianças por aí estão com muitos comportamentos que parecem de embate, vale tentar dar voz a elas, para que se expressem. Pedir que desenhem, que contem ou leia uma história pode ser um bom caminho.

Em desenhos e histórias, podem aparecer monstros, bichos, coisas chatas. É o gancho pra falar que sim, tem coisas chatas acontecendo, mas tem também coisas legais.

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4-) Dê lugar para as emoções

Dialogar e expressar o que sente — ainda que por um desenho — faz parte de um processo que pode levar à uma regulação das emoções. Dependendo de como estiver a criança, é bacana oferecer um momento para extravasar até fisicamente (um circuito de obstáculos no quintal, uma corrida no corredor, a dança das cadeiras no meio da sala…).

Ou então o oposto: um relaxamento, meditação, uma música calma, uma leitura no meio da tarde, um banho morno com alguns brinquedos para relaxar…

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5-) Faça recombinados

As regras que valiam antes não valem agora. E mesmo as regras do isolamento podem ser revistas para funcionar. Os horários e deveres pactuados fazem sentido?

A rotina está adequada? O que pode ser feito para que o dia a dia seja mais leve para todos e todas?

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Zeca Zangado e o isolamento social

Acesse aqui um livreto inédito, feito por Robert Starling, autor de Zeca Zangado. Nessa história, Zeca tenta lidar com as questões do isolamento social numa mensagem acolhedora a todos os pequenos isolados em casa.

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E você? Conte para a gente como tem lidado com crianças em isolamento


Comments ( 2 )

  • Parabéns a editora que no momento atual se preocupa tanto com as famílias, agradeço o apoio, o material disponível e a atenção para conosco. É de suma importância recebermos materiais gratuitos e de muita qualidade, neste momento muitas famílias estão impossibilitadas de fazer compras, algumas por dificuldade de entrega em suas casas pelo correio e outras por questões financeiras mesmos, e saber que podemos contar como vocês é maravilhoso.

    • oi, Almira, tudo bem? Muito obrigada pelo comentário tão carinhoso! Ficamos muito felizes em saber! Conte com a gente, estamos por aqui, criando sempre um conteúdo que possa ser útil e inspirador. Se tiver dúvidas ou temas que ache que precisam ser tratados em nosso blog ou redes sociais, pode nos mandar ideias por aqui! Um abraço, Equipe Blog da Brinque

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