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Como e por que ler os clássicos para e com as crianças?

06/08/2019

Nos livros escritos há muitas gerações, habitam as histórias do ser humano sobre o que somos, fomos e o que (ainda) sentimos

 

Você já se perguntou se, diante de tantas ótimas ofertas de livros para crianças e jovens, ainda faz sentido ler os clássicos?

Essa não é uma dúvida incomum: há de fato muita literatura de boa qualidade para essa faixa etária, com temas, termos e estética contemporâneas, com os quais nossos filhos de identificam de imediato.

Então, qual é o sentido de ler uma obra de 200, 300 ou 600 anos? E como ler textos tão diferentes dos de hoje para as crianças que, na maioria das vezes, estão adquirindo vocabulário?

A árvore de bebês, de Sophie Blackall (texto e ilustrações)

Por que ler os clássicos com as crianças?

Para a consultora literária Celinha Nascimento, clássico é uma obra que atravessa gerações, continua sendo lido e lido e lido, e inaugura alguma questão inédita até então.

O escritor, ensaísta e editor Ítalo Calvino escreveu, não por acaso em seu livro Por que ler os clássicos (publicado no Brasil pela Companhia das Letras), que “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. Ou seja, um livro que ainda vale a pena ser lido.

Ana Maria Machado, autora de obras que já podem ser consideradas “clássicas” da nossa literatura, é tão entusiasta desse tipo de livro para os pequenos que até escreveu sobre isso:  Como e por que ler os clássicos universais desde cedo, da Editora Objetiva.

Eis abaixo algumas razões para não abrir mão dos clássicos:

1-Um clássico é um patrimônio do pensamento universal

Tanto é assim que a UNESCO – membro da ONU (Organizações das Nações Unidas) para a Educação e a Cultura – definiu assim e tem ações de salvaguarda das histórias que ajudaram a narrar as conquistas afetivas, emocionais, psicológicas e intelectuais da Humanidade.

Afinal, um clássico tem em si muito do que se pensava, sentia, imaginava no tempo em que foi escrito e é um testemunho disso.

2-Um clássico traz em si uma questão nova, um olhar novo

Como exemplo, Celinha cita a noção que temos hoje de que carregamos em nós o bem e o mal. Muito corriqueira, diz ela, mas antes foi preciso que Robert Louis Stevenson escrevesse sobre isso em 1886!

Ela se refere à obra clássica O médico e o monstro, que conta a história de Dr. Jekyll – médico contido, afável e altruísta – e Mr. Hyde – o oposto disso.

“Quanto mais conhece um clássico, mais você fica tranquilo para ler. Se você leu aquela obra, você sabe como fazer, o que ler na íntegra, o que recontar, o que ler com ênfase por ser um trecho maravilhoso…”

CELINHA

3- Um clássico é um boa narrativa, e boas narrativas ajudam a formar leitores

Em seu livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo, a escritora Ana Maria Machado defende que se o leitor conhece boas narrativas desde cedo, os encontros com boa literatura mais tarde acontecerão quase naturalmente.

Como ler os clássicos

 

Como ler o clássicos

Conte uma história, Estela, de Marie-Louise Gay

Achou uma boa ler essas obras para seus pequenos grandes leitores? Então, como fazer?

1-Comece com releituras e adaptações.

Tanto Celinha quanto Ana Maria Machado defendem que o primeiro contato dos pequenos com essas obras pode ser a partir de um boa releitura.

Isso porque a linguagem dos originais é mesmo mais “difícil”, com situações, referências e palavras que não usamos mais em nosso contexto.

“Os contos de fadas originais têm abandono, violência”, explica Celinha. “Podemos deixar para as crianças maiores”.

Segundo ela, há boas versões e “releituras” dos clássicos, recontados por grandes escritores contemporâneos – ou mesmo por autores também eles clássicos, como Monteiro Lobato.

2-Use outras linguagens também.

Até desenhos animados, lembra Celinha, fazem referências ao clássicos e podem ser um ponto de partida para recontar essas histórias às crianças menores. Há boas versões para cinema, teatro…

3-Se você conhece os clássicos, pode contar oralmente: de memória ou com o livro em mãos.

Quanto mais você conhece o clássico, mais à vontade fica para escolher como e o que contar, quais partes dar ênfase e quais outras não evidenciar, como tratar de determinada passagem ou mesmo quais pontos não contar ainda.

4-Livros livres

E sempre deixe os livros à mão das crianças. Mesmo que achar que o pequeno ainda não está pronto para “enfrentar” a íntegra de um obra, deixa-o folhear, conte sua versão e diga: quando crescer mais um pouco, leio com você.

Clássicos de outras culturas

 

O livro do Lívio, de Hefrna Bragadottir

Também vale – e é recomendável – ampliar o conceito de clássico para outras culturas. Os contos de fada, por exemplo, são narrativas orais consideradas clássicas da Europa, porque participaram da construção subjetiva daquele continente.

Há contos africanos, indígenas, japoneses, da região do Oriente Médio -quem nunca ouviu falar em Sherazade ou Ali Babá?

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>>Você sabia que a Brinque-Book vai lançar uma nova versão de Poliana, clássico de Eleanor Porter? Pois a versão foi traduzida e adaptada por Marisa Lajolo, que conversou com o blog da Brinque aqui. Dá uma olhada!

 

 


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