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Como garantir autonomia às crianças no novo normal das aulas em casa?

04/12/2020

Escola é um espaço de construção de relações e de autonomia, para muito além de local de aprendizagem de conteúdos. “A escola é insubstituível”, explica a neuropsicóloga Danielle Rossini, “pela possibilidade de ampliação de repertório”.

Quando fala em repertório, Danielle está se referindo a duas coisas, principalmente:

1) repertório social, que inclui as experiências com outras crianças e com adultos fora do círculo familiar.

Estar com os pares é muito importante para uma infância saudável emocionalmente e a convivência com outros adultos mediadores, também:

“A gente, no papel de pai e mãe, é muito mobilizada por conteúdos emocionais e, por isso, há momentos em que naturalmente escapa esse ligar do mediador”, avalia Danielle.

Na escola, as crianças constroem outras relações e repertórios, com consequências diretas em sua autoimagem. Imagem: Socorro em: uma vida nada fácil, de Silvana Rando

E 2) repertório sobre si mesmo, consequência dessas relações coletivas, com impactos diretos no conceito que os pequenos vão desenvolvendo de si mesmos ao interagirem nesse universo ampliado.

Essas vivências permitem a ampliação da autoimagem das crianças. Nesses espaços coletivos, elas vão sendo reconhecidas e se reconhecendo capazes em situações e habilidades que não têm lugar para acontecer no ambiente doméstico, pela própria característica desse espaço.

“Aquilo que eu percebo que eu sou no ambiente da escola pode ser um pouco distinto daquilo que percebo que sou no ambiente de casa”, explica a neuropsicóloga.

Na escola, por exemplo, podem se expandir as competências pelas quais as crianças se sentem valorizadas.

Quando a escola vira casa

“Essa exploração é engrandecedora do processo de autonomia da criança, que vai crescendo conforme o pequeno vai se desenvolvendo”, explica Danielle.

Segundo ela, a autonomia é construída e precisa dessa ampliação de repertório, impossível de ser oferecida em casa pela própria natureza das relações domésticas.

Por mais que a gente se esforce, mães e pais, diz Danielle, têm uma visão parcial dos filhos, no sentido de que enxergam as crianças pela lente da convivência cotidiana, das próprias expectativas e feridas.

Além disso, têm um papel claro, que é cerceador e acaba se desenvolvendo mais na chave da cobrança.

Entre os pares, as crianças experimentam outras habilidades e ampliam o conceito de si mesmas. Imagem: Socorro em: uma vida nada fácil, de Silvana Rando

“Será que ele está entendendo a aula?”, “Por que ele não anotou esse exercício?”, “Nossa, como ele fala! Será que é assim na escola?”, “A professora chamou a atenção dele! Vou reforçar a bronca”.

Danielle exemplifica como os pais acabam vivenciando muito de perto a rotina escolar em tempos de escola híbrida, e se envolvendo e preocupando com questões que antes ficavam fora de sua atuação, que as crianças aprendiam muitas vezes a resolver sozinhas.

O que fazer, então, já que substituir esse ambiente escolar em casa é impossível? A especialista dá algumas dicas, que começam com entender esse papel da escola e, a partir disso, agir:

1) Escola: observe mais, interfira menos

Nas aulas on-line e nos encontros presenciais — se eles já estão acontecendo –, a escola tem aberto espaço para as crianças conviverem, conversarem, trocarem?

Em que medida as brincadeiras e convivência tem se mantido nesse “novo” ambiente?

Você sente que a escola está atenta a essa dimensão tão importante? Tem oferecido espaços, ainda que virtuais, para uma troca entre pares, ou se seja, entre as crianças?

A escola tem sido um apoio ativo para os alunos lidarem com a situação que se coloca, de diminuição de espaços coletivos de convivência?

Procure interferir o menos possível nas atividades das crianças, na relação delas com os educadores, nas conversas das aulas on-line.

Um lenço pode muito se estiver vestindo uma criança… ou rainha! 🙂 Imagem: O lenço, de Patricia Auerbach

Sim, você está ouvindo, está acompanhando seu filho, está tendo acesso a atitudes dele que talvez você não goste tanto.

Mas a professora e os colegas vão saber lidar com isso, assim como seu filho. Confie nas relações dele ou dela, no modo como ele ou ela já estabeleceu essas mesmas relações.

Deixe que os adultos de referência das crianças na escola atuem. Não vai ser como seria na escola, claro, mas pode ser melhor do que se você assumir a liderança.

Os espaços estão misturados mesmo, nossa tarefa é tentar “desmisturá-los” o máximo possível.

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2) Assuma um olhar empático

Estamos todos sobrecarregados, mas as crianças também!

Para elas, é muito difícil habitar um mundo completamente virtual, com pouco contato com a natureza, repleto de restrições.

As crianças estarão mais sensíveis, irritadas, desestabilizadas, não é nada contra os adultos, nada pessoal 😉 Para manter o clima tranquilo em casa — muito necessário para a saúde emocional de todos –, vale a pena ter isso em mente.

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3) Crie espaços menos estruturados

Para amenizar os impactos dos itens anteriores, tenha em mente uma ideia: natureza!

Nesse momento, estar em contato com ambientes naturais, plantas caseiras, uma grama, um céu na varanda que seja é muito importante!

Do lado de dentro, mesmo que num pequeno apartamento, tenha uma bacia com água e diversos utensílios para os pequenos. Ofereça espaços e brincadeiras menos estruturadas:

Potes, utensílios variados, pedrinhas (que não possam ser engolidas pelos menores!), conchas coletadas em viagens anteriores, tecidos, roupas antigas, cestos, almofadas, blocos de madeira, papelão…

Tudo isso são elementos que podem se transformar em qualquer coisa que a criança queira!

A ideia é montar um ambiente seguro e deixar com que ela brinque sem a interferência do adulto: não dê muita sugestão, não direcione, não elogie nem critique. Deixe a criança livre para explorar os elementos.

Você pode achar ideias inspiradoras para esse tipo de brincadeira aqui no post abaixo:

Procurando ideias de brincadeiras para os seus pequenos? Tente os tecidos!

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E você? Como tem tentado manter a autonomia dos seus filhos em casa?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas como garantir esse tipo de desenvolvimento para as crianças numa escola que vai continuar sendo em casa?

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