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Silvana Rando conta para a gente sobre sua infância, amizades e o novo livro

24/03/2021

Silvana Rando é uma autora e ilustradora com boa memória: a infância e o prazer de criar — criança! — estão bem presentes em tudo o que ela faz. Seu traço inconfundível e suas personagens fortes, engraçadas, doces, vivazes já nos fizeram amar um elefante medroso, uma turma de animais na escola e até uma barata, a querida Socorro. Quer conhecer agora A Pequena Lana?

Ela é uma criança cheia de ideias. Salva o planeta, cura seus pacientes, toma chá com os tatus bolinhas, dá uma volta por aí com os enormes dinossauros.

Silvana Rando Pequena LanaComo será que  Lana e Nico se conheceram? A dupla veio direto de memórias afetivas da autora desta história. Imagem: A pequena Lana, de Silvana Rando

Mas falta um amigo, sabe? Ela deseja tanto esse amigo que, um dia, ele aparece de um modo bem inusitado em sua vida. Em seu novo livro, que leva o nome da personagem, Silvana nos conta uma história inspirada em outra história, uma que aconteceu com ela na infância.

E por que falar de amigos e infância é tão importante e mobilizador?

“Meus primeiros amigos ajudaram na minha formação como indivíduo. Quando estava sozinha com eles, eu tinha que me colocar, mostrar quem eu era e escolher caminhos”, diz Silvana.

Conversamos com a autora nesse bate-papo colorido, como seus traços. Confira os principais trechos a seguir:

Blog da Brinque: Você dedica o livro a seus amigos de infância e conta uma história inspirada em um fato real que aconteceu com você. Por que, na sua opinião, nossos amigos de infância são tão marcantes?

Silvana Rando: Acredito que a gente seja uma mistura da genética com o meio onde vivemos. Meus primeiros amigos ajudaram na minha formação como indivíduo. Quando estava sozinha com eles, eu tinha que me colocar, mostrar quem eu era e escolher caminhos.

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Meus primeiros amigos ajudaram na minha formação como indivíduo

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Difícil pra caramba fazer isso longe da família.

BB: A pequena Silvana era do tipo que tinha muitos amigos ou poucos, mas próximos? Do que você brincava e com quem? 

Silvana: Quando eu era menor, brincava o dia todo com o meu irmão, que é oito anos mais velho. Ele inventava histórias incríveis, era maravilhoso.

Pequena Lana Silvana RandoA infância, esse território colorido onde o brincar faz morada. Imagem: A pequena Lana, de Silvana Rando

Mas sempre fui curiosa e do tipo que adora conhecer pessoas. Assim que cresci um pouquinho, na época em que a cerca de casa caiu, eu passei a visitar os vizinhos e a brincar com a turma na rua.

Daí em diante, ninguém mais me segurava. Meus pais ficavam enlouquecidos, pois nunca sabiam onde eu estava. Na rua a gente brincava de tudo, mas o melhor era ser a Mulher Biônica, pois eu realmente me sentia empoderada!

BB: Você tem amigos de infância até hoje? E o amigo que inspirou o Nico, ainda tem contato com ele?

Silvana: Sim, tenho contato com vários amigos de infância, e o Nico continua lá, ao lado da casa de minha mãe. Ele foi um dos meus primeiros amigos e talvez o mais peralta.

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Quando eu era pequena, numa tarde de chuva, minha mãe estourou pipoca doce e se sentou ao meu lado. Até hoje, quando faço pipoca doce, eu volto para aquele dia chuvoso

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Quando brincávamos era preciso acionar uma esperteza a mais, senão eu estava frita!Foi uma ótima experiência de vida.

BB: Nesse momento que estamos vivendo, as crianças estão, muitas delas, sem quintal e sem amigos com quem conviver. O que você acha que pode ser esse quintal metafórico para elas?

Silvana: Tão triste ver as crianças em isolamento, longe da escola e dos amigos. Talvez esse quintal esteja inserido em pequenos atos que ajude a criança a construir uma memória afetiva.

Lembro de quando eu era pequena, numa tarde de chuva, minha mãe estourou pipoca doce e se sentou ao meu lado para desenhar uns gatos engraçados, formados por círculos.

Chá, bolo de areia e a companhia incrível do tatu bola. Quem nunca? Imagem: A pequena Lana, de Silvana Rando

Aquilo era tão raro, pois ela vivia atarefada. Nunca mais esqueci desse momento e até hoje, quando faço pipoca doce, eu volto para aquele dia chuvoso.

BB: O livro tem uma delicadeza também ao tratar o brincar. Lana faz muitas coisas, é criativa, emenda uma brincadeira na outra, tem ali um olhar bem da criança. Como você faz para acessar esse ponto de vista novamente?

Silvana: Lembro exatamente de como eu pensava quando era criança e ainda consigo sentir isso com bastante clareza. Essa “Silvaninha” é que acaba escolhendo as histórias que eu faço. Ela me ajuda um bocado, preciso pagar um sorvete para ela!ee

BB: Criar uma história é um pouco acessar esse lugar da infância, do brincar?

Silvana: Sempre me divirto construindo minhas histórias, pois acabo lembrando de como eu era. Muitas vezes, até converso com a minha família, para saber sobre os detalhes esquecidos. É um presente poder visitar a minha infância e criar para as crianças de hoje.

BB: Essas memórias de infância, tão importantes, você costuma contar, compartilhar, anotar?

Silvana: Adoro lembrar das minhas histórias de criança, mas guardo tudo na minha cabeça. Tenho vontade de fazer um livro contando as bizarrices da minha infância, como, por exemplo, quando minha mãe me deu minhoca frita para comer. Era uma espécie de simpatia, para acabar com as minhas lombrigas. Argh!

BB: Você pensa nas memórias que sua filha está criando?

Silvana: Aqui em casa, sempre fomos muito atenciosos. Hoje, minha filha está com 17 anos e parece gostar da infância que teve. O bacana é a importância que ela dá aos gestos mais simples, aqueles momentos do dia a dia. Me sinto aliviada por isso.

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Sempre me divirto construindo minhas histórias, pois acabo lembrando de como eu era [quando criança]

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BB: Qual é a memória mais antiga que você tem?

Silvana: Na minha cabeça, tudo está meio bagunçado, pois não sei o que veio antes ou depois.Também tem a memória que construímos por escutar as histórias da família ou por ver as fotos de um aniversário, por exemplo.

Dizem que eu comecei a assobiar quando era muito pequena, ainda no berço. E eu realmente me lembro dessa sensação de ter conquistado essa coisa tão difícil que é o assobio, só para poder chamar o meu pai.

Silvana Rando A pequena LanaInfância representada em um desenho, porque a gente sempre se reconhece das memórias uns dos outros. Imagem: A pequena Lana, de Silvana Rando

Até hoje, quando nos encontramos, um assobia para o outro.

BB: Você tem fotos, recortes, “lembranças” dessa infância?

Silvana: Tenho fotos, já desbotadas e alguns brinquedos que estão na casa da minha mãe. Há pouco tempo, encontrei a caixa de blocos de montar da Hering-Rasti que eu brincava com o meu irmão e havia peças formando um pedaço de uma casa. Fiquei muito emocionada, pois ela fazia parte das nossas brincadeiras e ainda estava lá, intacta. Foi como voltar no tempo.

BB: Pequena Lana nos leva, na hora em que abrimos, para esse quintal quase mágico da infância de cada um. Era um pouco isso que você queria? Por que você quis contar e compartilhar essa história?

Silvana: Acho que as pessoas se reconhecem na memória do outro. Uma vez, publiquei em uma rede social o meu desenho da Lana no quintal, brincando com os tatus-bola. Uma mulher comentou: “minha infância representada em um desenho”.

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Acho que as pessoas se reconhecem na memória do outro

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Compartilhar a minha experiência pode ajudar a resgatar a infância de outras pessoas. A importância de lembrarmos quem somos realmente.

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A pequena Lana

Autora / Ilustradora: Silvana Rando
Temas: Amizade / Letra bastão
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) / a partir de 6 anos (leitura independente)
R$: 44,90

 

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E você? Quais são suas memórias de infância?


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