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Stephen Michael King: “Meus personagens são uma versão mais colorida de mim mesmo”

26/09/2018

Stephen Michael King/Arquivo pessoal

Era uma vez um universo em que havia um urso branco que acordava colorido todos os dias. Havia também um homem que amava caixas e que, com elas, criava delicadezas e presença com o filho. Nesse lugar, moravam ainda Pingo e Filó, dois amigos que resolvem descobrir o que acontece com a quinta-feira quando chega a sexta. Também tinha um caracol que não gostava da chuva amicíssimo de uma tartaruga louca por água. Isso sem contar os amigos incríveis Pedro e Tina, a espoleta da Duda e os fofos filhotes que moravam num lugar inusitado: o bolso de seu Totó.

“Filhotes de bolso” / Stephen Michael King (texto e ilustrações)

O universo do ilustrador e escritor australiano Stephen Michael King é imenso, colorido, rico, diverso, divertido e irreverente. Autor de mais de 46 obras – entre aquelas em que escreve e ilustra e as que assina a ilustração ao lado de parceiros como Margaret Wild e Janeen Brian -, o premiado artista amou os livros desde a infância.

Filho de mãe professora e pai que se alfabetizou sozinho, ele encantou-se pelas histórias que os pais contavam e, de repente, notou que adorava fazê-las. “Minha mãe às vezes me lembra que eu costumava redesenhar as ilustrações das obras que eu não tinha gostado, refazendo de acordo com o que eu imaginava que elas tinham de ser.”

A convite da Brinque-Book, o autor de textos e imagens se prepara para vir pela primeira vez ao Brasil.

Confirmado na programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 5 de novembro o autor participa de duas atividades. Além disso, estará em São Paulo, no dia 10 de novembro, para dois eventos abertos ao público: um bate-papo na Livrara Nove.Sete, na Vila Mariana, e outro na Livraria da Vila.

Confira no final deste post a agenda completa e aberta ao público de Stephen Michael King no Brasil!

Ao Blog da Brinque, Stephen Michael King concedeu uma entrevista exclusiva, que você lê a seguir:

Brinque-Book: Livros fizeram parte da sua infância? Seus pais liam para você? Que tipo de leitor você era quando criança?
Stephen Michael King: Cresci numa casa repleta de livros. Não tínhamos muito dinheiro, mas sempre tivemos muitos livros. Minha mãe era professora e, por um tempo, foi diretora escolar. Meu pai aprendeu a ler sozinho, aos 21 anos. Ele conseguiu aprender o suficiente para ler autonomamente, mas nunca leu um romance inteiro. Meus pais se conheceram, se apaixonaram, e minha mãe o introduziu no mundo das histórias. Quando meu irmão e eu nascemos, meu pai não quis que perdêssemos a beleza dos livros. Ele lia para a gente todas as noites, às vezes inventando histórias, às vezes relendo nossas obras preferidas de novo e de novo e de novo.

Se pais e avós encontrarem tempo e espaço
para lerem para suas crianças,
possibilidades ilimitadas podem se desdobrar

 

BB: De que tipo de livros você gostava quando criança? E hoje? O que lê?
Stephen: Eu era um leitor como a maioria das crianças: animais, castelos, piratas…livros que me fizessem sentir triste ou feliz, como, por exemplo, a história de um cachorro que se perdia e, no final, era encontrado. A aparência do livro importava muito quando eu era criança. Minha mãe às vezes me lembra que eu costumava redesenhar as ilustrações das obras de que não tinha gostado, refazendo de acordo com o que eu imaginava que elas tinham de ser.

BB: Crianças amam histórias. Também amam tempo de qualidade com os pais, com os avós. No entanto, em um país como o Brasil, “formar” leitores ainda é um desafio. Um terço dos brasileiros jamais comprou um único livro. O que podemos fazer para engajar as crianças na literatura?
Stephen: Acredito que meu trabalho seja fazer livros os mais lindos que eu puder, para atrair as pessoas para dentro das minhas histórias. Meu pai me inspirou quando eu era um garoto. A hora de dormir era a melhor porque ele não estava ocupado trabalhando ou pensando em contas e em outras coisas de adulto. Nós simplesmente compartilhávamos histórias. Juntos. Minha mãe sempre dizia que os livros são a passagem para tudo: aprendizado, arte, aventura. Sobre a sua pergunta, não tenho muitas respostas, a não ser continuar fazendo o que estou fazendo, esperando que a mágica dos livros revele-se a si mesma. Não sei sobre o Brasil, mas acredito que, se pais e avós encontrarem tempo e espaço para lerem para suas crianças, possibilidades ilimitadas podem se desdobrar.

“O homem que amava caixas”/ Stephen Michael King (texto e ilustrações)

BB: Como o desenho veio para a sua vida?
Stephen: Meu pai sempre dizia que eu adorava deixar marcas. Tudo o que eu precisava era de um graveto na terra ou de lápis e papel. Minha mãe e meu pai queriam que eu fosse um grande leitor. Vendo tantos livros quando criança, me apaixonei por essa arte. Quando pequeno, me lembro de tocar no desenho impresso no livro e, depois, esfregar os dedos, como seu eu tivesse tocado em um desenho “real”. Eu sofri uma perda de audição que começou quando estava no primeiro ou segundo ano do Fundamental. Recebi um aparelho auditivo aos 13 anos. Todo esse período em que não ouvi fez com que a literatura escrita e ilustrada se tornasse minha forma de comunicação preferida.

Adoro que a arte possa ser calma,
completamente silenciosa,
e ainda assim dizer alguma coisa

 

BB: O que desenhar significa para você?
Stephen: Não consigo parar. Gosto de trazer ao mundo algo que não tenha sido visto antes. Cada desenho é como uma planta, que cresce da semente. Fico muito feliz por estar contribuindo -um pouco que seja- com as crianças, com seus pais, com o mundo. Nesta tarde, estou plantando duas plantinhas em um jardim próximo de casa. Vou regá-las e nutri-las. Fazer um desenho é parecido. Nutro uma ideia, ajudo a fazê-la crescer e adoro vê-la em plena floração.

BB: O desenho é considerado uma das primeiras linguagens da infância. Você nota que as crianças são mais sensíveis para compreender essa forma de expressão?
Stephen: Você conhece Reggio Emilia [cidade no norte da Itália, famosa por suas escolas infantis públicas, cuja pedagogia se baseia na pesquisa e nas artes como forma de expressar e compreender o mundo]? Há um lindo poema [sobre isso, escrito pelo idealizador das escolas de infância de Reggio Emilia, Loris Malaguzzi], “As Cem Linguagens”. Acho que sempre soube e senti isso, mesmo quando muito pequeno. Há a dança, a música, a arte, a natureza… Às vezes, acho que os adultos se esquecem de todas essas linguagens. Eles sabem que as palavras podem ser poesia ou letras para uma música, que podem nos inspirar a grandes coisas. Mas as palavras dos adultos muitas vezes pensam demais neles mesmos, excluindo todo o resto. Adoro que a arte possa ser calma, completamente silenciosa, e ainda assim dizer alguma coisa. Pintar, desenhar, fazer, sorrir, ouvir, dançar… tudo isso me libera de ter de me expressar apenas com a minha voz.

Eu posso ser um pouco tímido no mundo real,
então as personagens que crio são versões
mais coloridas de mim mesmo

 

BB: Seus livros são repletos de felicidade, amor, relações, cores. O que inspira você e esse universo?
Stephen: Eu não sabia bem onde me encaixava, a qual lugar pertencia. Mas uma vez que encontrei meu lugar no mundo, fui feliz desde então. As relações e o amor me inspiram. Minha mulher, Trish, nossos filhos, nossa família, nossos bichos e nossa vida são as minhas principais fontes de inspiração. Eu posso ser um pouco tímido no mundo real, então as personagens que crio são versões mais coloridas de mim mesmo. Quando eu visito escolas, os alunos frequentemente me perguntam sobre como eu começo [um livro], como acho o final ou como sei quando acabar. Minha resposta é sempre a mesma: se estou me fazendo essas perguntas, então estou no caminho errado. Em primeiro lugar, preciso pensar o que estou tentando dizer, então tenho que pensar no que é que eu quero dar ao mundo. Desse modo, geralmente encontro algo que me faça sentir profundo. Quando sinto algo no meu coração e sei o que quero dizer ao mundo, então a história se encontra. Uma vez que encontro o coração, tenho muito pouco trabalho: eu só brinco, e a história se desdobra.

Stephen Michael King/Arquivo pessoal

BB: Com que frequência você desenha ou escreve? Tem uma rotina para isso?
Stephen: Sempre tive rotina, mas, agora, com 55 anos, fico feliz em poder dormir quando estou cansado. Crio uma rotina sempre que começo um novo projeto…mas mesmo isso varia agora que sou mais velho. Durante o inverno, trabalho mais dentro de casa, durante o dia, quando está quentinho. No verão, prefiro trabalhar pelas manhãs, no estúdio, antes que o dia fique muito quente. Os projetos ganham vida própria, e eu estou sempre muito animado para trabalhar neles tanto quanto eu consigo. Equilibro meu trabalho com muito tempo com família e amigos. Família é prioridade.

BB: Como escolhe as técnicas que vai usar?
Stephen: Mantendo tudo simples. Eu mudei de técnicas ao longo dos anos, mas é sempre uma coisa de cada vez, passo a passo. Não gosto de usar um monte de técnicas. Se alguma coisa está capturando a emoção e se tudo o que preciso fazer é desenhar e pintar, perfeito. Agora, eu trabalho a maior parte do tempo no computador, mas tudo ainda é escrito à mão, pintado à mão e todas as texturas são feitas com tinta, à mão.

AGENDA | Stephen Michael King no Brasil

64ª Feira do Livro de Porto Alegre 

5 de novembro
10h30 às 11h30
O Autor no Palco com alunos do Ensino Fundamental
Teatro Carlos Urbim

A partir das 15h30
Autógrafo dos livros: O caracol e a tartaruga são amigos / O caracol e a tartaruga em dias chuvosos / O homem que amava caixas / Pedro e Tina
Praça de Autógrafos

17h30 às 19h30
Palestra no 11ª Traçando Histórias – Mostra de Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil
Auditório do Memorial

6 de novembro
A partir das 18h30
Autógrafo dos livro O urso de todas as cores
Praça de Autógrafos

Livrarias Nove.Sete, em São Paulo

10 de novembro
10h
A partir das 9h, serão distribuídas 100 senhas numeradas mediante a compra do livro “O urso de todas as cores“, que dará acesso ao bate-papo com o autor, que irá acontecer às 10h, seguido de sessão de autógrafos.
Na compra do lançamento + 3 títulos da editora, os leitores ganharão um caderninho (cuja capa traz uma ilustração exclusiva do autor).
Rua França Pinto, 97, Vila Mariana.

Livraria da Vila-Lorena, em São Paulo

10 de novembro
15h
A partir das 10h, serão distribuídas 80 senhas numeradas mediante a compra do livro “O urso de todas as cores“, que dará acesso ao bate-papo com o autor, que irá acontecer às 15h, seguido de sessão de autógrafos.
Na compra do lançamento + 3 títulos da editora, os leitores ganharão um caderninho (cuja capa traz uma ilustração exclusiva do autor).
Rua Lorena, 1.731, Jardins.

Clique aqui para conhecer os livros de Stephen Michael King publicados no Brasil.

Leia também a entrevista concedida à Feira do Livro de Porto Alegre.


Comment ( 1 )

  • Sou professora das séries iniciais do Ensino Fundamental. Fiquei muito feliz com a notícia da vinda de Stephen Michael King ao Brasil. O primeiro livro que li foi O Homem que Amava Caixas e, depois desta leitura sempre procuro novas publicações para encantar meus alunos em sala de aula. Eles já leram: Vira-lata, Filhotes de Bolso, A Árvore Magnífica, Pedro e Tina, O Urso e a Ávore dentre outros. É emocionante ver alunos, ainda em processo de alfabetização identificar livros na estante da biblioteca a trazê-los dizendo : “olha professora achei outro livro daquele autor do livro que você leu outro dia”, apontando para o nome do autor na capa ou ainda dizendo,: “o professora, os desenhos deste livro paracem com os desenhos do Livro O Home que Amava caixas…. ” São livros envolventes, de uma sensibilidade sem tamanho que falam ao coração do leitor, por isso cativam tanto as crianças. Mesmo as que estão ainda em processo de alfabetização.

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