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Inspirado pela prosa e poesia, o autor britânico A.F. Harrold comemora o sucesso de Os Imaginários

21/11/2016

A.F. Harrold, poeta britânico e mestre das palavras para crianças e jovens, se sente ‘honrado e assustado’ pela chegada ao Brasil de Os Imaginários, pela editora Escarlate. O livro é vencedor do UKLA Book Awards (Associação Literária do Reino Unido), em 2016, com júri formado exclusivamente por professores, na categoria de leitura indicada a alunos de 7 a 11 anos.

Em entrevista ao blog da Brinque-Book, Harrold conta como teve a ideia de contar uma história tão fabulosa sobre um assunto já conhecido, que é ter um amigo invisível. “Estou muito animado para ver a edição brasileira e não conseguir entender uma palavra sequer”, disse o inglês, em tom de brincadeira.

Quais foram as primeiras faíscas que levaram você a criar essa história?

A história começou com uma imagem que apareceu na minha cabeça, a imagem de um amigo imaginário abandonado na beira de uma estrada depois de um acidente ter matado seu amigo real. A questão é: como você sobrevive se você é imaginário e a pessoa que imagina você se foi? A história deveria ter começado assim, mas quando chegou a hora de escrever as coisas mudaram, claro, e a história se esticou para frente e para trás sobre os amigos reais e imaginários.

Você poderia explicar o processo criativo para a construção dos personagens Amanda e Rodger?

É questão de sentar e escrever. É assim que eu conheço eles e aprendo sobre eles. A primeira cena que escrevi foi a cena em que Amanda chega em casa e tem nós em seus cadarços. Eu não sabia nada sobre ela quando escrevi isso, e então ela entrou no quarto e se sentou em sua cama e lidou com os cadarços de uma maneira que só a a Amanda faria e depois teve uma conversa com a mãe de uma maneira que só Amanda teria… e eu fiquei assistindo isso se desdobrar, como se estivesse assistindo a uma peça e conhecendo os personagens. A mesma coisa aconteceu com o Sr. Tordo. Até que a porta da frente estivesse aberta e Amanda o visse na entrada, eu não sabia de nada. Essa é talvez a minha coisa favorita sobre escrever livros: conhecer os personagens.

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Ainda sobre os personagens, aquilo que aconteceu com Sr. Tordo foi perfeito. Você já sabia como essa história iria terminar ou foi uma surpresa pra você também?

Na verdade eu não me lembro. Tenho a sensação de que o que acontece com ele sempre foi planejado (pelo menos do ponto em que eu sabia que algo iria acontecer), mas mudou como o livro acabou terminando. Lembro de pelo menos uma versão diferente daquela cena que está no livro.

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Como foi ver as ilustrações de Emily Gravett para a sua história?

Isso foi incrível. Fui tão sortudo. Quando me disseram que Emily faria o livro, não sabia o que esperar porque ela nunca tinha ilustrado um livro com capítulos antes, somente seus livros ilustrados. Mas assim que eu vi as amostras que ela fez para a Bloomsbury [editora britânica que lançou o livro] eu sabia que estávamos diante de uma vencedora. Ela ‘sacou’ o livro, ela entendeu o livro e amou o livro, e toda vez que me mandavam mais imagens eu ficava deliciado. Eu não sabia que os personagens eram daquele jeito, ou o mundo, e foi uma alegria ter meus olhos abertos.

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O humor é uma extensão da sua personalidade? E as partes assustadoras, onde você achou inspiração?

Escrevi o livro e parte dele era engraçado, parte era assustadora, parte era sentimental e um pouco nada disso tudo aí. Era o jeito que deveria ser. Os livros que escrevi antes deste, os três primeiros da série Fizzlebert Strump, eram comédias, e quando me deram a oportunidade de escrever algo diferente, deu nisso. Foi uma chance de ser mais emotivo, mais sério, um pouco mais longo e completamente diferente. Eu não planejei assim, mas foi o que aconteceu!

Como sua poesia aparece na sua prosa?

Acho que escrever poesia durante 20 anos antes de começar a escrever para crianças foi na verdade ótimo e útil. Poesia é sobre cortar as palavras ao mínimo necessário, cortar o excesso inútil, chegar ao coração do tema, aparar e aparar até que tudo o que você tem não pode mais ser reduzido. E escrever para crianças é o mesmo – você tem que dar conta disso, jogar fora toda a parte chata, aparar. Essa é a diferença entre escrever para adultos e crianças, eu acho, adultos precisam de mais detalhes sobre a beleza das flores na primavera e o que elas significam e como elas afetaram os romanos quando eles moraram aqui e qual pássaro está cantando e como ele canta uma semana antes do dia do aniversário do vovô por conta do aquecimento global e, e, e… com as crianças é preciso ir direto ao ponto!

O que lhe inspirou a se tornar um autor?

A preguiça. Eu tive um trabalho por um tempo, em que eu tinha que acordar toda manhã e trabalhar para alguém e fazer o que me mandavam fazer. Virou uma rotina chata por um tempo. Escrever ajuda você a criar seu próprio cronograma.

Como você se sente ao ganhar novos leitores no Brasil? =)

Eu me sinto honrado e espantado e que essa história esteja alcançando novos leitores, não somente no Brasil, mas também em todo o mundo em diferentes idiomas. Estou muito animado para ver a edição brasileira e não conseguir entender uma palavra sequer. Eu gostaria de agradecer à Brinque-Book por gostar do livro o suficiente para publicá-lo no Brasil, mas também gostaria de agradecer especialmente ao tradutor Alexandre Boide, que gastou horas e horas para escrever a minha história em português.

Em sala de aula

Esta história permite trabalhar temas como amizade, imaginação/amigo imaginário e identidade.

O livro permite abordar diversos temas, por exemplo: boa parte das brincadeiras de Amanda e Rodger envolve usar a imaginação para criar aventuras. Discuta com os alunos se eles também tinham brincadeiras assim e faça uma lista relacionando-as.

A amizade também tem papel importante na narrativa: o livro contrapõe constantemente a amizade de Amanda e Rodger com seus amigos da escola, Vicente e Júlia. Converse com os alunos sobre como essas duas amizades se opõem e o que significa ser um bom amigo. Peça que eles escrevam uma redação sobre o tema.

Saiba mais

Os Imaginários

Autor: A. F. Harrold
Ilustração: Emily Gravett
Tradução: Alexandre Boide

Formato: 15 x 19,8 x 2,1 cm
Número de páginas: 240
Recomendação: a partir de 8 anos

Sobre os autores e o tradutor

F. Harrold é um poeta e autor inglês e é o dono de muitos livros, alguns chapéus e uma barba. Ele passa seu tempo livre se exibindo no palco, em escolas ou em casa, e seu tempo não livre sentado acariciando sua barba e escrevendo. Ele vive em Reading, Reino Unido, com sua companheira e dois gatos.

Emily Gravett nasceu em Brighton, Reino Unido. Ela venceu o Prêmio Macmillan para Ilustração com Wolves em agosto de 2005, vencendo diversos prêmios e iniciando uma carreira internacional de sucesso. Ela vive em Brighton com seu companheiro, sua filha e dois ratos.

Alexandre Boide nasceu em 1979, em São Paulo. Trabalha no mercado editorial desde 2003. Em 2009, começou a atuar como tradutor freelance dedicado especialmente a álbuns de quadrinhos e séries de livros para o público infantojuvenil.


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