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Conheça o Thomate – uma conversa com o diretor de “Gildo – Boas Maneiras”

17/09/2020

Fã de HQ e de tirinhas de jornal — que lia na casa da avó, olha que delícia de memória afetiva! –, o menino Thomas Larson adorava desenhar e brincar de massinha de modelar.

Na adolescência, sua turma era a dos cinéfilos. Iam ao cineclube de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde nasceu, para ver os filmes que não passavam no circuito comercial.

Gildo e os amigos aprendendo boas maneiras? Será? Imagem: Frame do curta Gildo – Boas Maneiras, dirigido por Thomate e produzido pela Coala Filmes

Iranianos, japoneses, europeus…

Com o pai, ainda menino, aprendeu a “pilotar” uma câmera super-8. Esse tipo de equipamento foi lançado nos anos 60, e o filme tinha a mesma largura do filme das câmeras clássicas do cinema – 8 milímetros de largura.

Com sua super-8 e uma tarde de “oficina”, Thomas aprendeu com o pai a fazer stop motion, uma técnica que anima objetos, fotografando-os em posições diferentes, quadro a quadro.

Gildo e o Thomate

Thomas cresceu, mas trouxe essa infância tão potente e imagética consigo; tornou-se o diretor de animações Thomate e hoje brinca de encantar seus espectadores com muitas técnicas — e ainda mais sensibilidade.

Ele é o diretor do curta de animação Gildo – Boas Maneiras, produzido pela Coala Filmes, e que estamos exibido neste mês para comemorar o aniversário desse elefante tão querido.

Conversamos com ele sobre infância, animação, imaginação, Gildo e, claro, medos! 😉 Leia abaixo os principais trechos desse bate-papo:

Blog da Brinque: Vamos começar do começo? Como a animação entrou na sua vida?

Thomas Larson: Quando era criança, gostava muito de desenhar, de brincar de massinha, eram meus passatempos preferidos.

Nas férias e finais de semana, ia para a casa da minha avó. Ela assinava um jornal que tinha uma página de tirinhas. Essa página era muito rica, bem grande, com uma variedade de desenhistas brasileiros.

Foi nessa época que comecei a conhecer Glauco, Angeli, Laerte, Henfil. Embora muitas tiras deles fossem mais voltadas para adultos, mesmo assim eu ficava fascinado pelo traço e copiava o desenho deles, copiava os personagens.

Na adolescência, tinha um grupo de amigos que gostava de cinema. Eu sou de Ribeirão Preto (interior de São Paulo) e, nessa época, quando eu tinha 15 anos, havia vários cineclubes na minha cidade.

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Animação é uma arte que junta várias artes em uma só. E isso é muito legal

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A gente ia para esses cineclubes e ficava assistindo a vários filmes, filmes fora do circuito, iranianos, japoneses, italianos, franceses. Quando fui para a faculdade, resolvi que queria fazer audiovisual.

BB: O audiovisual entra na sua vida assim?

Thomate: Sim. Mas tem uma outra coisa interessante: quando eu era criança, meu pai tinha um câmera super-8 e foi ele que apresentou para a gente o conceito de animação.

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Numa tarde, ele deu uma verdadeira “oficina”, fizemos bonequinho, fotografamos quadro a quadro. Então, a gente fotografava, mexia um pouquinho o boneco, fotografava de novo… Depois, quando você sequencia essas fotos, dá a ilusão de movimento, né?

Na faculdade, optei por audiovisual, fiz Rádio e TV, em Bauru, e meu projeto de final de curso acabou sendo uma animação. Aí, depois de formado, enveredei pelo caminho da animação.

O que me atrai é isso, juntar essa paixão que eu já tinha pelo desenho, pela massinha, com música, interpretação, teatro… Animação é uma arte que junta várias artes em uma só. E isso é muito legal.

BB: O que você lia quando mais novo?

Thomate: Eu lia tirinha de jornal e passei por várias fases. Quando criança, tive a fase Asterix, que eu adorava Asterix. Dos 4 aos 6 anos, morei nos EUA, então lá era muito forte o Vila Sésamo, então os filmes do Jim Henson me marcaram muito: os Muppets, Cristal Encantado, todo esse universo me marcou muito quando criança.

BB: O Gildo é corajoso, mas tinha medo de bexiga de aniversário. Você tinha medo do quê quando pequeno? E hoje?

Thomate: Um medo que eu lembro de quando era pequeno é que, na casa da minha avó, ela tinha uns armários embutidos no quarto, de madeira, e a madeira tem os nós, que formam vários desenhos.

Naquele armário, para mim, tinham vários olhos, meio diabólicos. Tinha muito medo de sair do banho e me trocar naquele quarto com aqueles olhos me olhando (risos).

Hoje em dia, acho que o medo maior é ficar sozinho. Mas tenho uma família enorme, tenho dois filhos e uma filhinha, que é minha enteada. Esse medo não dura muito!

BB: Como foi animar o Gildo?

Thomate: Já tinha feito outros trabalhos com personagens que já existiam. E no caso do Gildo a Silvana [Rando, criadora do elefante] estava presente desde o roteiro. Ela acompanhou a gravação das vozes, dava as sugestões.

Antes e animar, eu gosto muito de fazer o animatic, que é uma espécie de rascunho, você faz um story board com as falas, o tempo das músicas, um rascunho mesmo do que vai ser animado.

Nessa fase de animatic, a Silvana também estava presente, por isso foi tranquilo. Tranquilo quando a gente tem essa troca com o próprio autor.

BB: Como é que se faz uma animação?

Thomate: Na animação, a gente pega o roteiro, a primeira etapa é a escrita do roteiro. Esse roteiro “pensa” mais com a imagem…

Depois, a gente pega esse roteiro e transforma no story board, que parece uma história em quadrinhos: são vários desenhos sequenciados para a gente começar a pensar como vai contar esse roteiro. Às vezes, nessa etapa, a gente até muda o roteiro.

Aí, do  board a gente faz o animatic, que é uma parte que eu gosto de fazer: você pega essa story board e já coloca a voz, coloca a música, coloca a indicação para a animação… Começa a ter uma ideia um pouco mais detalhada do que vai sair. Essa etapa também pode influenciar no roteiro, alterar.

No caso do Gildo, a gente já tinha um ponto de partida, que era o estilo da Silvana. E enquanto a gente está fazendo o animatic, os cenários estão sendo preparados, desenhados. Uma vez aprovado o animatic, vai para a animação, já com o cenário e, então, a finalização.

BB: Como você define a técnica que vai usar? O roteiro tem a ver com essa escolha?

Thomate: Sempre gostei de variar a técnica. Comecei trabalhando com stop motion, mas eu gosto de desenhar, por isso também trabalhei com desenho animado, já trabalhei com animação de recorte, de fotografias.

Enfim, misturar técnicas me atrai. E a técnica pode, sim, ser definida em função do roteiro.

O Gildo foi feito pela Coala Filmes, que é um estúdio especializado em stop motion. O Gildo, porém, é um desenho. A força dele está no desenho.

No roteiro, tinha momentos que pediam essa mistura, como a cena da melancia, por exemplo. A cena da melancia é muito importante, né?, e o stop motion dá uma graça, porque aproxima dos objetos reais de uma forma fantástica, uma fruta gigante em que o Gildo pula em cima.

BB: O que é stop motion, técnica que você também usou no filme do Gildo?

Thomate: O stop motion, mais conhecido como animação de massinha, é uma técnica que pode ser feita com qualquer coisa. Você fotografa quadro a quadro um determinado objeto, quer dizer: tira uma foto, mexe um pouquinho; tira outra foto, mexe um pouquinho.

E isso dá essa ilusão de movimento, de que está vivo, enfim, acho que o charme do stop motion é que ele se aproxima mais do mundo concreto. Um set de stop motion é como se fosse um mini set de filmagens, tudo reduzidinho.

BB: É possível transformar o celular em aliado na sala de aula e ensinar as crianças a fazerem seus próprios filmes?

Thomate: A questão do celular, ensinar a criança a mexer e editar não é o grande desafio dos educadores, não (risos). Essa criançada sabe muito mais que a gente, sabem tudo de audiovisual. Intuitivamente mesmo. Eles têm um contato tão grande com essas tecnologias que saber editar e fazer a animação não é um problema.

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E você? Que filme faria com o Gildo? 😉

 

 


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