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Novo livro de Fernando Vilela é um convite a explorar o mundo, mesmo se for em casa

26/03/2021

“Há muito tempo uma cabra animada encontrou perto de casa uma lâmpada encantada”.

Cabra Euzébia, que conhecemos do Abrapracabra! e do Abrapracabrasil!, acaba de embarcar em mais uma aventura cheia de rimas, ritmo, humor, cultura, referências e arte.

Abrapracabra no mundo!

Ela estava curtindo a vida com os amigos lá no Pantanal. Tudo ia muito bem, tudo estava muito bom, mas quem é viajante mesmo nunca dá conta de ficar no mesmo lugar. Euzébia despediu-se do jacaré – estava mesmo feliz – e abriu seu guia de viagem, olha só, bem no verbete Paris.

Com a cabra, conhecemos pontos turísticos, arte, palavras e cultura de diversos países. Imagem: Abrapracabra no mundo, de Fernando Vilela

Assim começa este livro, que, com palavra mágica e lâmpada maravilhosa, nos leva para Nova York (EUA), Japão, Turquia e até para o Egito.

Com rimas, muitas referências históricas, artísticas e culturais, a obra, do premiado Fernando Vilela, traz palavras em diversos idiomas, que vão sendo traduzidas ao longo da história.

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Confesso que me diverti muito rimando palavras em inglês, francês, turco e japonês

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Fernando Vilela

No final, um glossário nos informa sobre as inspirações do autor e os locais que visitamos na carona da dona cabra!

Abrapracabra: uma viagem nas rimas e nas ilustrações

Assim como nas outras aventuras da Euzébia, este novo livro é todo escrito em quadras rimadas: são quatro frases, sendo que segundo e quarto verso rimam, dando um ritmo à narrativa em texto.

Fernando Vilela, autor e ilustrador premiado da série Abrapracabra, conta que escolheu esse formato pois “acho que dão ritmo e humor ao texto, que se torna mais musical”.

A rima e o ritmo são muito importantes na leitura para os pequenos, porque bebês e crianças pequenas são muito atraídas pelas duas características: entendem bem de ritmo e adoram esse brincar com as palavras que a musicalidade e as rimas nos trazem.

Já as ilustrações de Fernando são um convite visual poderoso. Com carimbos, ele ilustra as viagens e nos mostra também pontos turísticos e obras de arte que são ícones dos locais que Euzébia visita.

Podem ser pontos de partida para um convite: viajar sem sair de casa, por museus ou mesmo por cidades “google afora” com as crianças.

“Aqui, convido leitores de todas as idades”, nos chama Fernando Vilela

Na conversa abaixo, é justamente essa uma das ideias de mediação que Fernando sugere. Confira abaixo os principais trechos de um bate-papo inspirador sobre o livro.

Brinque-Book: Essas conversas que você comentou com as crianças: onde elas aconteceram? Eram conversas sobre as aventuras anteriores da Euzébia? 

Fernando Vilela: Quando eu conversava sobre os livros Abrapracabra e Abrapracabra Brasil com as crianças, nos encontros nas escolas, ou com meus sobrinhos, sempre era surpreendido com o desejo das crianças de levarem a cabra para os lugares mais variados mundo afora.

Queriam levar a Euzébia para Paris, Tóquio, Líbano, Alaska, Araraquara, para a Disney e tantos outros lugares. Eu já tinha vontade de levar a cabra para viagens internacionais em cidades. Por isso, resolvi fazer este terceiro livro da série da cabra, desta vez no mundo.

BB: E como surgiu o nome Euzébia? Achamos que é a cara da cabra! 🙂

Fernando: A cabra já nasceu com o nome de Euzébia, naturalmente. Acho que combina com o jeito da cabra falar:

– Béééééh!

A mãe dela devia chamar ela assim:

– Euzéééébia!

BB: Você inseriu no livro muitas referências dos países que a cabra visitou: são referências arquitetônicas, gastronômicas, das artes, das línguas e que se refletem até na escolha dos animais de cada lugar. Como é que foi juntar tudo isso?

Fernando: Bem, eu adoro fazer viagens culturais. Como artista e curtidor de viagens, me delicio com as artes, a arquitetura, a gastronomia e outros aspectos culturais dos lugares que tive chance de conhecer pelo mundo afora.

E adoro estudar línguas estrangeiras.

A Euzébia foi um certo alterego do autor. Viajei com ela para muitos lugares que já visitei e outros que pretendo visitar. Os bichos que ela conheceu nos lugares, alguns são domésticos (cão e gato) e outros específicos [do lugar] (camelo).

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A Euzébia foi um certo alterego do autor

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Parte da pesquisa eu já tinha, de fotos e desenhos das minhas viagens. Sobre os lugares que não fui, tive que pesquisar mais, em livros e na internet.

BB: Algumas dessas cidades você já conhecia?

Fernando: Já fiquei um mês pesquisando gravura medieval na biblioteca nacional de Paris, passei dois meses em Nova York estudando e depois levei duas obras minhas pessoalmente, que foram adquiridas pelo MoMA.

São cidades onde fui algumas vezes e que adoro, sempre descubro novas coisas.

Em relação à escolha do mundo árabe (Egito e Turquia), fui para Istambul com Stela, minha companheira, fazer uma pesquisa para um livro nosso (Simbá, o marujo). A referência ao Japão vem do meu encanto pela arte e cultura desses povos.

BB: Nesse processo de mostrar essas referências, que marcam a narrativa, você parece muito cuidadoso em colocar as obras de arte e alguns ícones simbólicos no final do livro, chamando a atenção do leitor para eles, mostrando porque estão ali. O que você sugere para os adultos mediadores em relação a esses elementos? Quer dizer, são referências riquíssimas, que ampliam muito a conversa. Que dica você daria para esse adulto para ele não “instrumentalizar” a referência, a informação e, ao mesmo tempo, não deixar passar em branco?

Fernando: A dica que dou é:  adultos que compartilham esse livro, aproveitem as referências do final do livro não como um informativo, mas como disparadores de curiosidade.

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Aproveitem as dicas do final do livro como disparadoras de curiosidade

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O envolvimento deles e das crianças  podem levá-los a pesquisar fotos daqueles locais mencionados (pontes, museus, rios, mosteiros, montanhas, etc) ou de obras dos artistas dos museus.

Eu convido os leitores de todas as idades a fazerem um caminho análogo ao que fiz ao realizar esse livro: pesquisar, imaginar, se divertir e inventar mais histórias.

BB: Como educador, pesquisador, artista, o que você sugere que a gente faça para e com as crianças para facilitar os processos de aprendizagem e experimentação delas? Se você fosse falar do livro para crianças, o que você falaria, o que você contaria dele ou dos bastidores dele?

Fernando: Para mim, o livro ilustrado é um campo maravilhoso de liberdade de expressão para se jogar, reinventando as regras a cada publicação. É um lugar para imaginar, inventar, experimentar e fazer arte.

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O livro ilustrado não tem idade, apesar de ser direcionado ao público infantil, porque arte não tem idade

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Acho que o livro ilustrado não tem idade, apesar de ser direcionado ao público infantil. Porque arte não tem idade. Em uma exposição, show ou passeio, podemos estar com pessoas de qualquer idade e desfrutar as diferentes camadas da experiência estética.

Vejo livro ilustrado como um território para fazer arte e compartilhar.

BB: As rimas do Abrapracabrano mundo lembram muito as quadras dos repentes. Isso está nos outros livros da cabra e também no seu tão premiado Lampião e Lancelote (Pequena Zahar). Esse universo da poesia popular (nordestina, nesse caso), te inspira? Geralmente, quando se pensa em poesia, vem uma ideia de erudição, hermetismo… O repente, o cordel podem ajudar a gente a desmistificar a poesia?

Fernando: O livro foi escrito em quadrinhas rimadas (o segundo e o quarto verso rimando), pois acho que dão ritmo e humor ao texto, que se torna mais musical. Conversa com o cordel, com o repente e com o rap.

Me inspiro em todos esses universos. E confesso que me diverti muito rimando palavras em inglês, francês, turco e japonês.

O cordel e o repente são formas poéticas maravilhosas e realmente nos aproximam da poesia.

BB: Você consegue dar algumas dicas pra gente de como fazer carimbos em casa? Acha possível a gente dar um passo a passo simples para as crianças fazerem carimbos com borracha e se divertirem inspirados na sua arte?

Fernando: Vamos lá! É possível fazer vários tipos de carimbos em casa. Se fizermos uma tinta grossa com guache podemos fazer carimbos usando batata (cortando ao meio e desenhando com palitinho).

Dá para usar forminhas de isopor (essas que vêm com carne, peixe ou legumes) para desenhar, cavando com palito, também funciona.

Outra maneira é usar borracha escolar e almofada de carimbo. Eu faço mais esse tipo. E cavo um desenho diferente em cada borracha.

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E você? Onde viajou e para onde levaria a Euzébia numa próxima viagem?


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