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Ideias e dicas para acolher grandes e pequenos em tempos de isolamento

27/08/2020

Ainda estamos isolados, as crianças em casa e sem escola. O peso emocional disso nos pequenos têm sido estudado, e o resultado é que eles estão mais ansiosos, irritados, tristes, desanimados.

O tempo em casa pode começar a “pesar”. O que fazer? Imagem:Carona na vassoura, de Julia Donaldson (texto) e Axel Scheffler (ilustrações)

Uma pesquisa recente, conduzida pela FioCruz – DF, evidencia exatamente essa realidade. A verdade é que não sabemos ainda ao certo o custo emocional do que estamos “pedindo” às crianças.

“Para nós, adultos, que sabemos o que está acontecendo e temos as ferramentas até neurobiológicas para lidar com isso já é difícil, imagine para as crianças”, avalia a neuropsicóloga Danielle Rossini.

3 dicas para aliviar a pressão

De toda forma, é bom saber que há muitos modos de aliviar a pressão — de adultos e crianças — nesse momento, enquanto ainda estamos em casa.

Conversamos com a Danielle Rossini, neuropsicóloga, e ela nos deu 3 dicas inspiradoras para ajudar sua família a organizar os sentimentos por aí.

Além disso, indicou também 3 livros para você ajudar seus pequenos a elaborar competências necessárias nesse momento:

1) Esteja presente

Escolha momentos do dia, na sua rotina, no seu “hell office” em que você possa de fato estar com as crianças.

Faça uma avaliação de como é seu dia, quais são os horários mais cheios de demandas — sejam do trabalho, sejam domésticas — e veja quando e quanto é possível estar 100% com as crianças, fazendo coisas bacanas juntos.

Brincar, colher uma flor no quintal, bater um bolo, fazer um pã0, jogar, praticar uma atividade em casa…

Na lista de atividades, inclua dança, ioga (há muitos canais com aulas on-line, inclusive para crianças), montar um circuito com almofadas na sala, cultivar um jardim na sacada.

Aqui, a essência é: compartilhar, com presença, momentos de alegria. Pode parecer que isso não cabe na nossa rotina, tão atarefada.

Mas a verdade é que um momento de qualidade com as crianças as deixa mais tranquilas e menos demandantes — e também nos enche de energia.

Bora se divertir com as crianças? Imagem: O incrível livro do Gildo, de Silvana Rando

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2) Tenha um momento para você

Danielle nos lembra que, para tranquilizar as crianças e ter um clima mais leve em casa, é preciso aliviar o peso sobre nós mesmos.

“Em condições normais, temos rede de apoio, atividades fora de casa, momentos em que podemos exercer outros papéis, que são só nossos. Agora, não. Precisamos dar um jeito de ter esse espaço”, diz ela.

Do que você gosta de fazer? O que te relaxa? Em que medida esse prazer cabe na sua rotina? Como é possível combinar com as crianças e com adultos um espaço seguro de relaxamento para todos?

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3) Converse com as crianças

Você sabe bem que as crianças “captam” tudo o que acontece à volta delas. “Se a gente não fala com elas, isso dá margem a fantasias, que podem deixá-las ainda mais ansiosas”, explica Danielle.

Se a dúvida aí é sobre quanto e o quê dizer, a fica esta dica:

Pergunte, pergunte, pergunte. Procure entender o que as crianças estão captando desse momento. Se têm dúvidas ou medos. Peça que contem histórias para você ou que desenhem o que estão sentindo.

Nessas formas de expressão, as crianças se expressam.

Procure entender suas brincadeiras e observá-las. O que surge nesses momentos imaginativos?

A partir dessa observação, você pode pensar o que explicar e o quanto revelar para os pequenos. Não esconda a realidade. E procure responder só o que elas perguntaram.

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3 livros para trabalhar emoções

Danielle escolheu 3 obras que, segundo ela, têm todos os componentes para as crianças trabalharem emoções e competências essenciais para o momento.

Dê uma olhada nessa lista:

1) O crocodilo que não gostava de água

Autora e ilustradora: Gemma Merino
Tradutor: Gilda de Aquino
Temas: Respeito às diferenças / Relacionamento familiar / Autoconhecimento / Identidade / Animais / Humor
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

A autora catalã Gemma Merino combina texto e ilustrações criativas para contar a história de um pequeno crocodilo que, lutando contra as próprias dificuldades, termina descobrindo quem ele realmente é. Onde já se viu um crocodilo que gosta de subir em árvores e não gosta de água? Pois é, o crocodilo dessa história é assim.

>>Por que ler:

Aqui, Gemma merino nos mostra o tempo todo sobre as diferenças e valida a ideia de que cada um é como é — e tudo bem.. Ou seja, não importa como você esteja sentindo esse momento, seu sentimento é válido.

Cada criança tem um jeito de lidar com uma situação desafiadora. Cada família, também. As diferenças são, às vezes, nossa fortaleza como coletivo — que divide a casa, o espaço, a vida.

Esse livro traz essa reflexão de um modo bem bonito, que as crianças certamente perceberão.

Deixamos aqui embaixo um post com dicas de leitura dessa obra:

“O crocodilo que não gostava de água” tematiza as diferenças; ouça aqui

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2) Uma família é uma família é uma família

Autora: Sara O’Leary
Ilustradora: Qin Leng
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Relacionamento familiar / Respeito às diferenças.
Faixa Etária: A partir de 4 anos

O que constitui uma família? Há um jeito certo? Uma quantidade exata de pessoas? Uma fórmula ideal? De forma afetuosa e bem-humorada, este livro faz uma exploração de diversas formações familiares e demonstra, de maneira sutil, que ao mesmo tempo em que existem infinitas famílias diferentes é o afeto entre seus integrantes que as une e as torna especiais.

>>Por que ler:

Danielle separou esse aqui porque ele mostra que cada família é de um jeito; o que vale para uma, pode não valer para a outra. O tema é especialmente importante se as crianças por aí começam a cobrar você, comparando com a mãe ou o pai da amiga, do colega, do primo…

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3) Os três lobinhos e o porco mau

Autora: Eugene Trivizas
Ilustradora: Helen Oxenbury
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Clássico recontado / Animais / Lobos / Superação / Medo / Amizade
Faixa Etária: A partir de 2 anos

Este livro inverte os conhecidos papéis do lobo mau e dos porquinhos: quem era caçador vira caça e vice-versa, mantendo o maniqueísmo de algumas histórias infantis, que simplesmente separam os personagens entre bons e maus, bobos e espertos.

>>Por que ler:

Resiliência e empatia são competências-chave nessa história. Competências, aliás, muito bem-vindas nesse momento

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Quando é hora de pedir ajuda

O aumento da ansiedade entre os pequenos não é fenômeno tão recente. Já tratamos disso nesse texto aqui embaixo:

Em “Eric faz tibum”, urso supera medos e ansiedade com imaginação e amizade

Se você notar que o medo, a irritabilidade ou sintomas físicos — como enjoo ou sudorese — estão exagerados e está difícil lidar com eles em casa, talvez seja a hora de pedir ajuda.

“É importante, nesses casos, ter um olhar externo para ver se realmente as crianças estão conseguindo lidar com a situação”, avalia Danielle Rossini, neuropsicóloga.

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E você? Como está lidando? Como estão as crianças na sua casa?

 


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