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Dia dos Professores: nossos autores falam de mestres que marcaram suas vidas

14/10/2021

O 15 de outubro, Dia dos Professores, é uma data para se comemorar: aquela que celebra os educadores, apoiadores das crianças, dentro e fora das escolas.

Uma educação potente, afetiva, amorosa é, afinal, aquela que dá asas e que nos ajuda a descobrir todas as nossas potencialidades, tudo aquilo que pode nos ajudar a voar nosso caminho afora, não é mesmo?

dia dos professores

Assim como um amigo especial, o professor pode nos apresentar mundos de afeto e amizade. Imagem: O lugar do meu amigo, de Marcia Cristina Silva (texto) e Catarina Bessel (ilustrações)

Especialmente nesse período que estamos vivendo, tão marcado por desafios enormes para crianças e educadores, foi ficando mais e mais clara a importância central da escola e da Educação para os pequenos.

Mais do que o conteúdo, escola e professores são essenciais para a saúde mental das crianças, seu desenvolvimento emocional, habilidades socioemocionais e para o conhecimento de si e do mundo.

Quem criou o Dia dos Professores?

A história do Dia dos Professores é das mais bonitas — e, por vezes, esquecida: quem criou o Dia dos Professores foi a deputada estadual negra Antonieta de Barros, no ano de 1948.

Nascida em Santa Catarina, filha de mãe negra liberta, foi uma das três primeiras mulheres eleitas no Brasil e a primeira parlamentar negra, ainda na década de 1930, logo após a instituição do voto feminino.

Dia dos Professores Antonieta de BarrosAntonieta de Barros, educadora, uma das primeiras mulheres eleitas e certamente a primeira parlamentar negra, foi a autora da lei que criou o Dia dos Professores, em 1948. Imagem: Era uma vez 20, de Luciana Sandroni, ilustrado por Guilherme Karsten e Natália Calamari

Ela era educadora e lutava por uma educação para todos e todas em uma sociedade em que, mesmo em um dos estados mais escolarizados do País, o analfabetismo chegava a 65%, segundo reportagem publicada hoje no jornal El País sobre Antonieta.

A história dessa mulher incrível, que criou o Dia dos Professores em 1948, em Santa Catarina, está no livro Era uma vez 20 (Escarlate), de Luciana Sandroni, ilustrado por Guilherme Karsten e Natália Calamari.

Conversamos com a autora Luciana Sandroni quando o livro foi lançado, em 2019. Vale a leitura:

Brasileiras e brasileiros que fizeram história são tema de novo livro de Sandroni

O Dia dos Professores passou a ser uma data nacional 20 anos depois da lei de Antonieta de Barros, pelas mãos do então presidente João Goulart.

Dia dos Professores: uma homenagem em forma de memórias

Você se lembra dos seus professores? Do que gostava neles? Quais deles marcaram a sua vida? O que você leva deles com você até hoje?

Educar é ajuda a encontrar um sentido, é criar memórias. Educar marca! Que educador marcou você e sua vida?

Fizemos essa pergunta a alguns de nossos autores e dividimos com você as belíssimas respostas!

Tino Freitas
autor de Os invisíveis

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Assumpção era o nome da minha professora de matemática na antiga sétima série (hoje, oitavo ano), no início dos anos 1980. Eu estudava no CES – Centro Educacional de Sobradinho, no interior da Bahia.

Numa ocasião, ela havia chamado a mim e a meus pais para uma conversa na coordenação. Eu não entendi o motivo. Era um bom aluno. Me comportava “direitinho”, quase um “CDF”. Foi quando ela revelou o motivo da reunião, em frente a mim, à coordenadora e aos meus pais: eu havia tirado 8 na prova (o famoso MS – Média Superior). Ela reforçou que aquilo era inadmissível. Que eu era aluno de 9 e 10 (AS – Avaliação Superior) e que meus pais precisavam estar atentos para algo que pudesse estar acontecendo em casa e me distraindo da matéria.

 

Eu havia tirado 8 na prova. Ela reforçou que aquilo era inadmissível

 

Naquele momento fiquei bem chateado. Afinal, pensava: que mal havia tirar um 8 de vez em quando? Um dia, entendi que ela estava ali defendendo o cuidado com o aluno que parecia fora do seu normal. Penso que fazia aquilo com todos. E que sua intenção sempre era fazer com que nos dedicássemos à escola com nosso melhor (seja ele a nota que fosse).

Ela estava cuidando para que, desde aquele momento, eu não me acomodasse com “a média”. Era a sua forma de afeto para comigo. Quando entendi isso, trouxe para a vida. E aproveito esse espaço para agradecer professora Assumpção, por não ter se omitido, pela coragem de lutar por seu aluno ao ver que ele, de certa forma, poderia estar correndo algum “perigo”.

 

Aproveito esse espaço para agradecer professora Assumpção, por não ter se omitido, pela coragem de lutar por seu aluno ao ver que ele, de certa forma, poderia estar correndo algum ‘perigo’

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Guilherme Karsten,
ilustrador de Era uma vez, 20 e autor do premiado Carona 

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Lembro da professora Rosane, ela foi minha professora de Educação Artística de 5ª à 8ª série. Eu estudei na escola Machado de Assis, uma escola municipal aqui em Blumenau, é uma escola bem antiga e tradicional, com mais de 100 anos de idade. E, apesar da construção ter passado por muitas reformas, a sala de artes era uma sala antiga, numa espécie de porão, com uma estética muito diferente das outras. Um lugar mágico onde podíamos fazer muitas experiências manuais, de traços a lápis em papel a peças de teatro e os cenários.

 

É sempre bom ter por perto pessoas que acreditam em nós, mesmo que ainda não estejamos prontos

 

Certa vez minha professora chamou a mim e uma colega para fazermos a arte da capa da agenda escolar, topamos. Ela nos direcionou e conseguimos dar conta da proposta. Por dois anos consecutivos fizemos a arte da capa.

Cada um dos quase 1500 alunos tinha a agenda, foi meu primeiro trabalho como artista. Recentemente achei essa agenda e tive uma decepção, a ilustração era muito feia, o trabalho nem era tão bom assim (risos). Mas minha professora acreditou em nossa capacidade. Foi um momento de susto e gratidão ao mesmo tempo.

É sempre bom ter por perto pessoas que acreditam em nós, mesmo que ainda não estejamos prontos, mas estamos no caminho.

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Silvana Salerno
autora de São Paulo: a aldeia que virou metrópole

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O professor que mais me marcou foi o professor Lélo, de Língua Portuguesa, do quinto ao oitavo ano. Ele introduziu a literatura brasileira e a escrita para mim.

Escrevíamos dissertações, narrações e líamos a fase romântica de Machado de Assis (“Helena”, “A mão e a luva”), “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, “O cortiço”, do naturalista Aloísio Azevedo, “Menino de engenho”, do regionalista José Lins do Rego, a poesia de Cecília Meireles, Drummond, Vinicius, João Cabral etc.

 

Foi assim que passei a frequentar a biblioteca da escola e a ler vorazmente esses e outros autores

 

Eu adorava as aulas dele! Depois que lia o livro indicado, pedia a ele sugestão de outros livros do mesmo autor.

Foi assim que passei a frequentar a biblioteca da escola e a ler vorazmente esses e outros autores. Gostaria de encontrar o professor Lélo para dizer como ele foi importante na minha formação leitora e como isso influiu na minha carreira de escritora. Um grande viva aos professores!

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Caio Tozzi
autor de Super Ulisses 

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Foram vários os professores que marcaram minha trajetória nos tempos de escola, com sua dedicação e amor por ensinar.

Mas, no Ensino Médio, tive um professor de História que dava suas aulas de uma maneira tão informal, conduzindo por meio de jogos, brincadeiras, com muita leveza e descontração. Era algo que chamaríamos hoje de ‘disruptivo’, acho.

 

Só sei que me apaixonei profundamente pela História do mundo e do Brasil

 

Só sei que me apaixonei profundamente pela História do mundo e do Brasil, sabia tudo de cor, virei um leitor voraz sobre o assunto. Ele conseguia fazer com que o conteúdo chegasse e se conectasse a mim.

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Milton Célio de Oliveira Filho
autor de O caso do grande roubo do museu

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A professora que marcou a minha história chamava-se Dulce. Minha primeira professora!
O tempo apagou uma enxurrada de lembranças da criança que fui um dia, mas a imagem  dela permaneceu fresca na memória.

 

Talvez pelo modo carinhoso com o qual tratava alunos e alunas, pessoinhas um tanto assustadas diante do novo desafio

 

Talvez porque ela tenha me apresentado o primeiro caderno (capa verde), a primeira cartilha, as primeiras letras.

Talvez pelo modo carinhoso com o qual tratava alunos e alunas, pessoinhas um tanto assustadas diante do novo desafio – a escola!  Dulce! O nome lhe cabia bem… doce e amável!

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Aline Abreu,
autora e ilustradora de Achou?

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A professora que mais me marcou foi Rosa Maria Prado Ferrari. Fui aluna dela dos 12 aos 14 anos, no Colégio Micael, mas a sensação é que ela me acompanhou durante muito mais tempo.

Me lembro até hoje da primeira vez em que a vi entrar na sala. Ela é uma mulher pequena de estatura, mas quando ela começava a aula era como se fosse uma gigante que envolvia a sala inteira, era um carisma impressionante.

A Rosa nos ouvia muito atentamente, o olhar dela brilhava. E ela conseguir ver em mim (e me mostrar) uma força e uma potência que se escondiam na sombra de uma aluna tão tímida.

 

Quando termino um livro, sempre penso nela. Sempre vou pensar

 

A coisa de que eu mais gostava era quando ela vinha com uma proposta de redação. Eu sentia que podia escrever com liberdade e que, na outra ponta, a Rosa estava lá para me ler; me sentia segura pra arriscar.

A primeira redação que entreguei a ela tinha o título: A primeira vez que vi Rosa Maria (risos). Foi a partir dessas experiências que percebi como eu conseguia me expressar muito melhor na escrita do que numa conversa e que a escrita era parte fundamental de mim.

Quando eu estava na época de escolher curso universitário, ela me chamou na casa dela para a gente matar a saudade e dizer que eu escrevia muito bem, que devia pensar sobre um caminho profissional que envolvesse a escrita.

Quando termino um livro sempre penso nela. Sempre vou pensar.

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Marcia Cristina Silva
autora de O lugar do meu amigo

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Sempre fui uma aluna muito distraída e muito pouco me despertavam o interesse professores que simplesmente se interessavam em passar a matéria e checar o conteúdo memorizado com provas.

Fui uma aluna mediana até os 12 anos quando conheci Lou, uma professora de inglês que não só me ensinou outro idioma, mas também abriu um universo de livros, de filosofia e questionamentos. Uma professora inquieta que discutia qualquer assunto e parecia conhecer toda a biblioteca da escola.

Por causa dela, descobri o meu mundo

 

Por causa dela, me tornei professora de inglês. Mas, principalmente, por causa dela, descobri que dentro de cada livro havia pessoas que dialogavam comigo e que liam os meus silêncios.

Por causa dela descobri o meu mundo.

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Catarina Bessel
ilustradora de O lugar do meu amigo

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O professor que mais me marcou foi um que tive na faculdade de arquitetura e urbanismo. Professor de história da arte, italiano, que nas aulas versava sobre a construção das cidades, a arte na cidade e a cultura.

 

Foi o professor que mais me mostrou o lado maravilhoso da produção humana, e portanto, da vida

 

Foi com esse mesmo professor que fiz meu trabalho de conclusão de graduação, e ele me mostrou muitos textos sobre estrangeiros que olham para cidades que ainda não conheciam com os olhos ‘lavados’, olhos de quem vê tudo pela primeira vez.

Diferentemente de outras aulas de história, em que a historia do homem é também uma historia majoritariamente econômica, de poder, de violência, a historia de arte me mostrou do que os sonhos e a criação são capazes.

Foi o professor que mais me mostrou o lado maravilhoso da produção humana, e portanto, da vida.

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E você? Conte para a gente suas memórias afetivas dos tempos da escola!


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