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Criança & natureza: não existe tempo ruim pra brincar, basta ter a roupa certa

17/08/2018

Nos livros e histórias para crianças, é comum acompanhar os pequenos vivendo aventuras, desbravando florestas, coletando conchas no mar, divertindo-se com pedras, seixos, galhos, escalando árvores…

Basta, por exemplo, dar um olhada na série Estela, da Marie-Louise Gay, para ver a menina brincando em meio à natureza e partindo dessa inspiração para fabular e criar fantasias. André Neves é outro autor que situa suas personagens em ambientes naturais ricos, prontos para serem escalados, investigados, remexidos, como fazem Manu e Mila, na mais nova – e homônima – criação do premiado pernambucano.

“Estela Fada da Floresta” / Marie-Louise Gay (texto e imagens)

Mas essa imagem está cada vez mais distante da realidade das crianças urbanas, com prejuízos para elas. Pesquisa dos microbiologistas B. Bratt Finlay e Marie-Claire Arrieta mostra que os micro-organismos são essenciais para processar vitaminas, calibrar o sistema imunológico e diminuir a incidência de alergias. Micro-organismos que a gente só encontra, claro, brincando fora de casa.

Conversamos com a idealizadora do Ser Criança é Natural, pedagoga e pesquisadora das “escolas da floresta” Ana Carol Thomé sobre infância e natureza. Estamos afastando as crianças de um convívio natural com o meio ambiente?

Idade “certa”

Muitas pessoas se preocupam com qual é a idade “certa” para que as crianças entrem em contato com a natureza. Um bebê pode ficar descalço na terra? Não vai ficar doente? Ana Carol faz uma provocação: “Somos natureza”, diz ela. Deveríamos estar nos perguntando com que idade introduzir as crianças ao mundo urbano, sugere ela, questionando: “Na cultura indígena, o bebê está na terra desde que nasce, certo?”

“Manu e Mila”/ André Neves (texto e ilustrações)

Para ela, não há idade “certa” ou “errada”, salvo recomendação pediátrica, para as crianças estarem no meio natural, numa praça, num parque. Mas ela nota que as mães dos pequenos têm mais receio, tanto que não levavam bebês para o projeto Ser Criança é Natural até que ela criou, enfim, o Ser Bebê é Natural.

Terra, areia, grama não são sujeira. É fato que muitas praças e parques infantis estão repletos de lixo e cocô de bichos, o que, claro, não é adequado para pés e mãos. Mas em um local onde não haja essa interferência, a dica é relaxar e deixar a criança explorar todas as formas, cores, texturas tão variadas e ricas que o ambiente natural oferece.

Vitamina N

“Recomendo às mães que não fiquem limpando a mão das crianças a todo momento. Lavar com água e sabão quando a brincadeira terminar já é suficiente. Não precisa passar nada além disso, esqueça o álcool gel”.

Ana Carol lembra que colocar a mão na boca ajuda a melhorar a resistência do corpo a vírus e infecções, assim como estar no sol, no vento, exposto ao ar também reforça a imunidade dos pequenos. “O que deixa doente é ambiente fechado”.

Roupa certa

“Será que quando as crianças ‘ficam gripadas porque tomaram um vento ou pisaram descalças na terra’ a causa é essa mesma? Será que não precisam tomar mais vento e pisar mais na terra para o corpo reconhecer novamente aquele ambiente?”

Ela lembra que não há tempo ruim pra brincar ao ar livre. Basta apenas a roupa certa. Para o sol, roupa certa é leve, clara, que proteja a cabeça e os olhos, como um boné e óculos de sol.

Para o frio e a chuva, galochas, capa e uma roupa que mantenha aquecido, o que é diferente de roupa que esquenta: “para manter aquecido, tem que se movimentar. Encher de roupa prejudica o movimento e esfria o corpo”.

Outra dica: natureza não é só parque: planta em casa, árvore na rua, um belo céu azul são natureza também.

 

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