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Ana Luisa Lacombe conta André Neves, homenageado do Itau Cultural

25/10/2018

André Neves. Autor, ilustrador. Pernambucano. Premiado. Sonhador. Ganhador do Jabuti duas vezes -com Obax (Brinque-Book), em 2001, e Nuno e as Coisas Incríveis (Jujuba), em 2016. Homenageado pelo Cantinho da Leitura do Itaú Cultural neste mês, são dele as obras contadas pela Ana Luísa Lacombe neste sábado, 27/10.

Além de Obax, estão na lista dos livros selecionados para a contação Entre Nuvens (Brinque-Book, 2012), Malvina (DCL, 2015) e Tombolo do Lombo (Paulinas, 2016). Em 2018, ele lançou Manu e Mila (Brinque-Book), mais uma de suas delicadezas tantas vezes premiadas, recomendadas, reconhecidas.

>>Aqui, uma resenha do Manu e Mila para quem quer descobrir se a felicidade está nas pequenas coisas, como uma joaninha, ou nas maiores, que vêm de longe, como um besouro desbravador.

“Obax” / André Neves (texto e ilustração)

Foi para falar de Manu e Mila que ele concedeu esta entrevista exclusiva ao Blog da Brinque, cujos trechos reproduzimos abaixo.

 

“Literatura, para mim, é sonho”

 

BB: Para alguns educadores, a poesia, a arte, o corpo, o contato com a natureza ajudam as crianças a produzir pensamentos muito mais complexos que uma educação baseada apenas em lógica e no uso das expressões como racionalidade. Como você vê as possibilidades da literatura para crianças nesse campo do pensamento, da construção de um pensar mais complexo, crítico, empático?
André Neves: Livros literários libertam. Não apontam o que é certo ou errado. Apenas questionam; então o pensamento leitor, sozinho e concentrado, pode elaborar vivências passadas, presentes e futuras. Literatura é a melhor foram de compreender-se humano sem a interferência de ninguém. Esse é também um dos problemas em relação a uma formação leitora, já que vivemos em um mundo contemporâneo onde os humanos não compreendem sentir solidão. O mundo virtual leva a comunicação a qualquer lugar do mundo. Podemos ver, ouvir, falar, nos conectarmos onde essa rede nos levar.

BB: É uma pergunta que todo mundo faz, mas talvez porque não dê mesmo para fugir dela, queremos saber: você pode contar um pouco do seu processo criativo e de trabalho? O que inspira você? Como essas inspirações vão se concretizando? De que forma você escolhe as técnicas (ou elas escolhem você)?
André: A inspiração daquilo que faço vem diretamente das coisas que acontecem comigo. Apenas uso fantasia para modificá-las. Algo que ouvi, vi, presenciei, experimentei ou brinquei. Às vezes, nem percebo quando acontece. O fato é que cedo ou tarde isso vem à tona e se transforma em história. A realidade é algo chato demais para recontar. Então, trato minhas realidades com fantasia. Assim tudo fica mais leve, poético e divertido.

Literatura, pra mim, é sonho.

E a técnica naturalmente se manifesta para aquilo que estou sonhando. Porque técnica é apenas técnica. As minhas formas, volumes, texturas e cores são técnicas com as quais me sinto confortável para pintar, contar. Até com uma linha podemos contar uma boa história, basta ela aparecer. Por isso, o mais importante é o que os leitores não sabem. O melhor de fazer livros ilustrados não são propriamente as técnicas plásticas das minhas ilustrações. A parte mais gostosa de criar é a anterior. Conceber um início, um meio e um fim com uma insatisfação constante para tentar melhorar algo que não existe. Uma busca constante que me fará mudar e mudar.  Será sempre assim enquanto eu estiver neste mundo. Porque a arte é eterna, e eu sou apenas sonho.

Manu e Mila. Uma história sobre as diferentes formas de ver a beleza do mundo, aquilo que nos faz feliz. De onde partiu essa inspiração? Acredita que, na vida, o outro seja sempre um guia pra nos mostrar novos caminhos? Aprendemos e construímos nossas relações dentro do que somos e do que convivemos com as demais pessoas? Seus livros sempre têm alguém de importante que dá as mãos a outro personagem, certo?
André: Manu e Mila não foi diferente do que relatei acima. Aconteceu de verdade. Uma história ouvida por mim e sentida por amigos. Apenas transpus com fantasia na infância, para um jardim, para uma brincadeira, para felicidade. Momentos de aprendizados e descobertas, porque de mãos dadas podemos respeitar a alegria na forma que cada um a enxerga.

André Neves também já brincou no Brinque-Book Brinca e já teve livros indicados nas nossas dicas de leitura especiais para o fim de semana.

Se animou a ouvir a incrível Ana Luísa Lacombe contando o incrível André Neves? O encontro é às 12h, no Cantinho da Leitura, andar térreo do Itaú Cultural, que fica na avenida Paulista, 149 (próximo da estação Brigadeiro, linha verde do Metrô). A entrada é gratuita, com lotação de 30 pessoas. Não é necessário retirar ingressos.

 


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