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O que é livro ilustrado? Já ouviu falar? Te mostramos o que é (e o que não é) um deles

04/12/2019

Você já deve ter ouvido falar muito em livro ilustrado, certo? O livro ilustrado compõe hoje a maioria da literatura infantil oferecida às nossas crianças.

E é um tipo de literatura em franco crescimento no Brasil — seja em números (de quantidade, variedade, vendas) seja em qualidade.

Mas será que todo livro com ilustração é um livro ilustrado?

O que é um livro ilustrado

Livro ilustrado é aquele em que a narrativa é contada combinando imagens e palavras. Tanto o texto escrito quanto as ilustrações são essenciais para se entender a história: cada uma das duas linguagens conta de um jeito ou dá ênfase a uma parte do todo, complementando-se.

“No livro ilustrado há um diálogo entre a palavra e a imagem: a palavra alimenta a imagem e a imagem alimenta a palavra”, nos conta a escritora, artista plástica e educadora Stela Barbieri.

Com exemplos, por favor!

Um ótimo exemplo de livro ilustrado é Chapeuzinho e o leão faminto, de Alex T. Smith.

Enquanto o texto vai contando as ações, as imagens nos contam sobre o local onde essa chapeuzinho vive, o que faz toda a diferença na história.

 

Em muitos momentos, a ação também é contada pelo texto e ilustra simultaneamente, um complementando o outro.

Outro exemplo?

Neste O Urso Sonolento, de Nick Bland, as imagens contradizem parte do texto, revelando ao leitor as intenções da raposa, antes mesmo que o urso as perceba.

Isso transforma o sentido da narrativa, coloca o leitor como cúmplice da raposa e, ao mesmo tempo, como alguém que torce para o urso descobrir logo o que está acontecendo.

É muito mais divertido e irreverente! Sem contar que leva o pequeno para dentro da história e faz com que ele sinta que consegue antecipar a narrativa.

Mais um?

Na obra O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, do casal Don e Audrey Wood, as frases do texto fariam muito menos sentido se não estivessem acompanhadas das ilustrações, como abaixo:

E o livro-álbum?

Já ouviu falar em livro-álbum também?

Pois livro ilustrado e álbum são sinônimos. Assim como picture book. Quando você ouvir ou ler essas três expressões, pode ter certeza de que estão falando do mesmo tipo de livro.

 

Livro ilustrado = livro-álbum = picture book

 

Porém, livro-imagem é outra coisa: nesse caso, não há texto, só ilustrações. O livro-imagem é aquele em que a história é narrada só com as artes gráficas.

Esse A toalha vermelha, de Fernando Vilela, é um ótimo exemplo de livro-imagem. Conta a história da viagem de uma toalha, que caiu de uma embarcação no Brasil e foi parar em longínquos mares orientais sem dizer palavra:

Um livro em que o texto conta a história e as ilustrações só dão uma arejada nas palavras também não pode ser chamado de livro ilustrado.

Por exemplo, há muitos livros  com ilustras, mas cuja leitura pode ser feita mesmo sem as imagens…

Aí, nesse caso, é um livro com ilustrações, mas não um livro ilustrado! 😉

Para que (m) serve um livro ilustrado

O livro ilustrado tem uma linguagem próxima da do cinema, nos diz o artista plástico e autor premiado Fernando Vilela. Há uma preocupação com desenvolver uma narrativa coerente baseada nas imagens.

É um tipo de livro riquíssimo, repleto de camadas de sentido, que vão sendo reveladas a cada nova leitura, quando a gente repara naquele detalhe que ainda não tinha percebido.

As crianças amam isso, pois cada leitura é nova, apesar de o livro ser o mesmo! Cada leitura proporciona novasdescobertas e um novo entendimento.

 

Em geral, o livro ilustrado é categorizado como infantil.

A educadora Edi Fonseca já nos contou que esse tipo de obra pode ser lida para os pequenos desde a barriga!

Mas o que significa dizer que é um livro infantil?

Livro “infantil” não precisa ensinar nada, nem ser didático. Pelo contrário.

A escritora Marina Colasanti nos conta que a boa literatura para crianças — assim como a boa literatura em geral — não é aquela preocupada em “ensinar”. Diz ela:

“Os livros ‘finalistas’ [aqueles que têm uma ‘finalidade’ que não apenas a fruição artística] são pobres porque não exigem a participação do leitor: por sua própria natureza, são pratos feitos que apresentam, de maneira necessariamente óbvia, uma única idéia. E são questionáveis porque os princípios morais que defendem nem sempre são universais, e, frequentemente, são passageiros”.

As crianças têm uma forma mais holística de se relacionar com o mundo: corpo, movimento, intelecto, sentidos: tudo junto “descobre” o mundo com elas.

Daí que os livros ilustrados, suas imagens — que evocam muitos sentidos — e suas metáforas são ótimos companheiros de descoberta na infância.

Quem melhor que as crianças para fazer as perguntas mais incômodas e profundas? Por que o livro imagem seria raso e didatizante?

Os livros ilustrados, com suas muitas camadas, tocam adultos também. Há sempre uma boa surpresa numa boa obra desse tipo para o mediador de leitura com mais anos na bagagem!

 

 


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