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Saiba por que é importante ler livros de medo e susto com as crianças

22/01/2020

As crianças geralmente adoram! Já se perguntou por que os pequenos se amarram tanto em monstros, duendes, bruxas, dinossauros e outros seres que podem ser aterrorizantes?

Ilustração de Cris Alhadeff para o livro Quem matou o Saci?, com  Alexandre de Castro Gomes 

São essas personagens fascinantes que habitam os contos de fada, muitas das narrativas orais que conhecemos, canções de ninar (olha aí o boi da cara preta!) e os livros, dos clássicos aos contemporâneos.

Não à toa, obras como Bruxa, bruxa, venha à minha festa! Vá embora, grande monstro verde são dois dos maiores sucesso de público aqui da Brinque-Book, sendo o primeiro considerado o livro mais querido entre os leitores da casa.

O medo

Medo e raiva são sentimentos básicos. Nascemos com eles. Imagine que para todos nós, incluindo os bebês, medo e raiva se manifestam fisicamente, vão nos causando sensações.

Que nos levam a reações.

É no processo de amadurecimento — físico também — que aprendemos a expressar sentimentos, sensações e a lidar com essas emoções tão fortes, porque básicas, necessárias, essenciais para a nossa saúde.

Lembra do filme Divertidamente?

Pois a psicóloga Danielle Rossini, do canal Bom pra Cuca, contou, em conversa aqui no blog, que as emoções humanas e sua importância na saúde mental são mais ou menos como mostra o filme.

Para que amadurecermos e aprendermos a lidar com o medo, é preciso entrar em contato com ele de modo seguro, projetar o medo básico em alguma coisa concreta.

As crianças pequenas se sabem indefesas e têm muito medo.

É justo aí que entram as histórias com bruxas, duendes, monstros, lobos maus… São elas que oferecem esse lugar de experimentar o medo de forma segura.

Podendo inclusive projetar o medo básico ora num tigre feroz ora na bruxa de João e Maria.

Nesses contatos, as crianças podem ir pedindo mais ou recuando um pouco. Nem sempre elas dão conta de viver o medo intenso que sentem.

Tudo bem. Siga a orientação delas para avançar na história, parar ou ler novamente pela centésima nona vez! 😉

Alguma choram, outras riem. Outras choram primeiro e riem depois… Mas o mais comum é que em algum momento elas tratem o medo com humor. O riso — assim como o choro — é um poderoso catalisador de emoções.

A jornada do herói

Retomando a questão do sentimento de impotência que as crianças sentem e de que já falamos alguns parágrafos acima, é também por causa deles que os livros de medo são tão importantes.

É muito reconfortante e necessário psiquicamente para os pequenos que possam ver vilões e seres horripilantes sendo vencidos por heróis com os quais podem se identificar.

Não é coincidência também que, mesmo entre adultos, as narrativas clássicas sempre tenham um herói e um vilão — ou muitos deles.

Ilustração de Axel Scheffler em O filho do Grúfalo, com texto de Julia Donaldson

Essas histórias se encaixam no que é chamado de “jornada do herói”, que funciona basicamente assim:

  • O herói é alguém comum, como eu, você e nossos filhos, com quem nos identificamos
  • Ele começa a história vivendo uma vida simples e, de repente recebe um chamado
  • Aceita esse chamado, esse desafio ou tarefa, às vezes mesmo sem querer
  • Deixa sua vida comum e viaja para enfrentar seu desafio — às vezes, a viagem é figurada
  • No caminho, encontra amigos que o ajudam
  • Transpoe o desafio — ligado ao vilão — com muito esforço
  • Volta à sua vida cotidiana, só que transformado

Muitos dos contos de fadas ou histórias de monstros que nossos filhos amam, têm sua origem nessas jornadas, e colocam as crianças em contato com esse arquétipo, que as fortalece para enfrentar o que assusta no dia a dia

 


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