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Guilherme Karsten é um dos premiados na Bienal de Ilustração de Bratislava

30/10/2019

O brasileiro Guilherme Karsten, 37 anos, ilustrador de livros como Maenhê (em parceria com Ilan Brenaman) e Era uma vez 20, sobre a infância de mulheres e homens que fizeram história, recém-lançado em parceria com Luciana Sandroni, foi premiado na Bienal de Ilustração de Bratislava, uma das mais importantes do mundo, na categoria Placa 2019.

Na Bienal, ele levou o prêmio com o livro Aaahhh!, em que assina texto e ilustrações. E no Brasil já foi finalista de um Jabuti em Ilustração, em 2018, com seu livro Agora, também parceria com Ilan.

Em junho, quando foi um dos indicados pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) para representar o Brasil na Bienal, o Blog da Brinque conversou com ele sobre prêmios, carreira, ilustração e livros. Veja os principais trechos desse bate-papo a seguir (ou leia a conversa original, na íntegra):

Blog da Brinque: Qual é a importância desse tipo de reconhecimento internacional para a ilustração e para o trabalho de vocês? Em quê esse tipo de evento e premiação contribui?

Guilherme Karsten: É a primeira vez que participo deste evento; já ouvia sobre Bratislava [Bienal Internacional de Ilustração da Eslovênia] há anos, mas confesso que desconhecia a sua grandiosidade. Quando a FNLIJ [Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil] revelou os 10 artistas escolhidos para representar o Brasil na feira, notei que o meio editorial ( literatura infantil) ficou em polvorosa. O processo de participação é diferente de outros concursos de ilustração, com um filtro maior dos artistas, uma surpresa feliz pra mim por esse reconhecimento do meu trabalho. Com certeza, pesa bastante no currículo ter seu nome entre os participantes deste evento.

BB: O que é ilustrar, hoje?

Guilherme: Difícil pergunta, não sei se é hoje, mas tenho como um dogma a tentativa de fazer com que a minha ilustração não seja óbvia, mas que seja companheira do texto, que saiba contar a mesma história de outra forma ou até mesmo contar outra história, mas que corrobore e não atrapalhe. Uma boa ilustração te instiga a novas perspectivas, te faz imaginar além do que está sendo visto ou lido.

Um bom livro ilustrado é aquele onde a gentileza reina: há momentos em que a imagem dá vez à palavra e há momentos onde a palavra reconhece a imagem como protagonista

 

BB: Você pode comentar um pouco sobre seus processos de criação e inspiração? O que tem mexido com você – em termos de inspiração, arte, técnica, processos, materiais no momento no trabalho de você?

Guilherme: Após ler o texto e entender a história, decido de que forma vou trabalhar: digitalmente ou manualmente (normalmente vou pro computador, pois é mais confortável para mim). É hora de deixar a imaginação fluir e a imaginação pode vir de qualquer lugar, numa conversa, numa caminhada, numa refeição… é preciso estar atento. Sempre pesquiso algumas referências de imagens, filmes, músicas, etc., então começo a rabiscar algumas ideias. Confesso que sou um tanto apressado e impaciente, deveria pesquisar mais antes de iniciar os layouts.

Agora, quando o livro foi escrito por mim, o processo é muito mais difícil, demoro  para começar a rabiscar. Me sinto meio felino, dou voltas e voltas ao redor do texto, sondo o local, fico ressabiado, até que decido enfrentar, é ruim mas é bom — ou é bom, mas é ruim.

Chica da Silva em ilustra de Guilherme Karsten para  Era uma vez 20, com Luciana Sandroni

BB: O livro ilustrado vem ganhando cada vez mais apaixonados e mais prestígio também. É, em geral, um livro infanto-juvenil, mas que não agrada apenas aos pequenos. Queria pedir que você comentasse essa relação palavra-imagem, a profundidade de camadas e belezas e como uma conversa entre as duas linguagens enriquece a experiência estética do leitor de todas as idades.

Guilherme: Imagens e palavras precisam ser amigas. Um bom livro ilustrado é aquele onde a gentileza reina, há momentos em que a imagem dá a vez à palavra e há momentos onde a palavra reconhece a imagem como o protagonista. E esta conversa precisa ser mediada por um bom design que cria um espaço para ambas, as páginas precisam respirar. E como falei anteriormente, imagem e palavra se completam, não podem ser redundantes, senão o livro torna-se enfadonho.

BB: Falando nisso, uma imagem vale mais que mil palavras?

Mil palavras deixariam essa entrevista muito longa, resolvi usar uma imagem pra representar 😉


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