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Como escolher livros para a biblioteca dos seus filhos? Nove dicas imperdíveis

18/09/2019

Em resumo Baseadas nas nossas experiências, pesquisas, leituras e, claro, nos erros, listamos aqui algumas ideias de percurso leitor para pais e filhos formarem um acervo pessoal, afetivo e diverso

A cena muito comum é: você chega na livraria ou na biblioteca, aquela imensidão de títulos de todas as formas, cores, tamanhos, temas. Tirando um ou outro personagem licenciado em destaque, você não conhece quase nada do que está ali.

A princesa e a ervilha, de Caryl Hart (texto) e Sarah Warburton (ilustrações)

Na sua infância — assim como na nossa –, a oferta de livros infantis era pequena e geralmente mais voltada para leitores maiorzinhos, já letrados.

Agora, há uma profusão de livros-imagem,  livros-álbum, livros-brinquedo, poesias, contos, séries, formatos diferentes, clássicos revisitados e obras que prometem literatura para bebês e crianças de todas as idades. Como escolher então, se mal temos essa referência?

Se já aconteceu com você, bem-vindo e bem-vinda! Esse post é para gente como a gente 😉

Por isso, vamos compartilhar aqui nove dicas, todas baseadas em nossas leituras, pesquisas e experiências na (e sobre a) escolha de livros para crianças. Use-as sem moderação — e não necessariamente nessa ordem.

 

  • 1. Não tenha pressa.

Se você está na livraria ou na biblioteca, esqueça do tempo, não tenha pressa. Nem para conhecer o acervo, nem para escolher. Não precisa comprar nem levar nada. Não precisa decidir já. Olhe, observe, folheie, leia para as crianças que acompanham você. Tome um tempo para perceber o que as obras lidas, folheadas, descobertas causam em você e nos pequenos ouvintes.

A árvore de bebês, de Sophie Blackall (texto e ilustrações)

Riram? Se emocionaram? Se assustaram? Bom começo.

Fotografe as capas, anote os nomes — dos livros, dos autores e ilustradores, das editoras. Vá formando um repertório inicial, pessoal e absolutamente afetivo: obra boa é aquela que afeta você e seus pequenos ouvintes ou leitores autônomos.

Na próxima ida à livraria, não perca de vista o que você já viu e do que gostou nas idas anteriores.

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  • 2. Fuce em todos os cantinhos.

Não fique apenas em torno dos livros em destaque nos expositores, das promoções e de tudo o que está ali, na cara. Claro que tem obras ótimas expostas bem no caminho do leitor. Mas há muita muita coisa boa escondidinha, nos cantinhos, nos detalhes, no finzim daquela prateleira lááá embaixo, onde ninguém olha e a maioria mal alcança.

Os imaginários, de A. F. Harrold (texto) e Emily Gravett (ilustrações)

Essa dica deriva um pouco da anterior, pois pressupõe disposição para flanar pela biblioteca, pela livraria. Acredite, se estiver com crianças, elas também vão gostar de conhecer os lugares mais afastados e de ouvir uma história inédita.

Aplica-se também em termos menos literais. Por exemplo: não se prenda a editoras, autores e títulos óbvios, que estão na mídia o tempo todo. Aposte no novo e permita-se descobrir, sem cobranças.

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  • 3. Não tenha medo de errar.

Para a dica anterior dar plenamente certo, é preciso um pacto de coragem: não tenha medo de errar! Provavelmente, você vai ler um monte de livros nas livrarias e bibliotecas. Talvez não goste de vários deles. Ok, sem problemas, é assim mesmo o processo. Não se arrependa se, por exemplo, depois de horas fuçando, não achar nada que agrade.

Use a imaginação, de Nicola O’Byrne (texto e ilustrações)

Se escolher algum desses e depois descobrir que não era assim tão legal, tudo bem. Se o seu filho, sobrinho, enteado, amigo não gostar da obra que você escolheu para ele, fique em paz: as escolhas e o aprendizado são absolutamente feitos de erros. Quanto mais erros, melhor! 😉

E sensibilidades mudam. O que hoje não diz nada a uma criança, pode ser delicioso quando ela crescer um pouco, quando não tiver mais medo de cachorro, quando estiver numa fase mais arteira e curtir livros bem-humorados… Não se esqueça de que a arte fala direto com o subjetividade de cada um, e os afetos que desperta estão diretamente ligados com como nos sentimentos  naquele momento.

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  • 4. Leia. Leia. E leia de novo.

Antes de formar leitores, é preciso formar-se leitor e leitora. Como escolher livros sem ler? Como apaixonar pequenos por obras das quais você mesmo/a não gosta? A escritora espanhola Lara Meana, que também é livreira, mediadora de leitura, leitora apaixonada e mãe de dois adolescentes leitores, costuma dizer que gostar de ler não é uma coisa que se transmite, como um vírus.

Cadê o juízo do menino?, de Tino Freitas (texto) e Mariana Massarani (ilustrações)

Para apaixonar leitores, diz ela, é preciso estar apaixonada/o também pela literatura.

Por isso, esse caminho de descoberta de livros que estamos sugerindo desde a primeira dica é fundamental. É preciso permitir-se ler muito, ler todos os livros que chamarem sua atenção e ir, aos poucos, elegendo aqueles que vão para o seu lar.

Em casa, leia e releia. As obras novas, que vão chegando e ocupando as estantes, mas as velhas também. As que já foram escolhidas em outras oportunidades, as ganhadas, as de infância. Onde estão os seus livros de criança? Releia-os. Releia com seus filhos! Quer coisa mais gostosa que compartilhar com nossos pequenos uma história que fez parte da nossa infância?

Leia sozinha/o, leia com as crianças. Mesmo entre os livros que você já tem, que já escolheu, procure reler e compreender como e por que aquela obra afeta você.

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  • 5. Descubra do que vocês gostam.

Lembra quando falamos de montar um repertório inicial afetivo naquele primeiro momento, de exploração livre nos acervos de livrarias e bibliotecas? É a mesma coisa aqui, só que aplicada à sua própria biblioteca, ao acervo que você, a essa altura, está montando para seus filhos e filhas.

Bibioteca???, de Lorenz Pauli (texto) e Kathrin Scharer (ilustrações)

Por que escolheu cada um desses livros? Do que gosta neles? Quais emoções eles despertam em você? E nos pequenos leitores?

Olhando para esse acervo, você consegue identificar seus gostos, preferências, de que estilo de texto e ilustra gosta mais, quais traços e quais temas mexem mais com você… O mesmo com os filhos, filhas e crianças para quem você lê.

Com isso, construa racionalmente esse repertório afetivo, no plural, ou seja, incluindo você e as crianças e considerando todos os tipos e obras apaixonantes.

Não que deva ficar presa/o a isso, mas é ótimo como ponto de partida para novas explorações e para ampliar o acervo de livros a partir do que já é conhecido e amado.

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  • 6. Converse com os especialistas.

Ler sempre inclui também ler revistas, livros, sites que falem de… livros! Sim, sim: leia a revista Crescer, por exemplo, em que a jornalista Cris Rogério, especialista sensível, sempre resenha boas obras. A Crescer, com a Cris, é referência em literatura infantil, porque publica anualmente a já conhecida e esperada lista dos 30 melhores livros do ano. Onde sempre tem coisa muito boa!

Olívia e o grande segredo, de Tor Freeman (texto e ilustrações)

Bia Reis, também jornalista especializada e com aquele olhar cheio de sensibilidade assina um blog no Estadão — o Estante de Letrinhas — que vale muito a pena!

Revista Quatro Cinco Um, Suplemento Pernambuco, Jornal Rascunho… são publicações que se dedicam à literatura e podem ajudar a ampliar suas referências. Servem também para estabelecer um diálogo, uma conversa, entre o seu repertório e o de especialistas, artistas, estudiosos.

Claro que não precisam ser iguais, mas é sempre bom ouvir outros pontos de vista e ir afinando e refinando o olhar a partir do que sentimos e a partir do que o mundo nos mostra.

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  • 7. Siga no insta.

Nesse mesmo raciocínio, o mundo moderno nos oferece uma grande facilidade: muitos escritores, artistas, editoras, ilustradores, especialistas, blogueiros especializados estão a um clique de distância nas redes sociais.

Você não vem brincar?, de Ilan Brenman (texto) e Carlo Giovani (ilustrações)

O Instagram, por exemplo, acomoda centenas de perfis interessantes para quem quer se aproximar do universo da literatura infantojuvenil. Uma busca por lá revela nomes e hashtags com imagens e textos muito bacanas para apurar o olhar e a sensibilidade de adultos em busca de oferecer melhores obras para os pequenos leitores.

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  • 8. Sem adjetivos. Sem idades. Sem gênero.

Livro para criança não deve ensinar nada. Não precisa ter lição de moral, não precisa ser sobre como se comportar, não serve para disciplinar, transmitir valores morais, conteúdos escolares ou “ajudar” os pais a criar os filhos mais assim ou mais assado.

O lenço, de Patricia Auerbach (texto e ilustrações)

Tem que tocar, emocionar, fazer rir, contar de sentimentos e situações que são comuns à condição humana, narrar as histórias antigas e novas, que falam sobre o que é ser gente, nossas angústias e nossas felicidades. Para Marina Colasanti, por exemplo, um bom livro infantil é um bom livro. Ponto.

Não é preciso, portanto, na hora de escolher uma obra, se preocupar se ela é “para menino” ou “para menina”, se é para essa ou aquela idade, se fala desse ou daquele tema.

Claro que, a depender da idade das crianças, elas vão gostar mais de um determinado tipo de história ou vão se assustar com outro. Mas livro bom tem camadas, que vão sendo reveladas conforme o leitor cresce. Livro bom, dura.

Vale mais você compreender o que anima você a compartilhar com seus filhos e o que anima eles. Gostam mais de rir, de rimas, de livro de aventura? Que importa se a obra “é para bebês” e seus filhos são mais velhos? O cuidado aqui é levar às crianças algo de que gostem. Se o livro for complexo demais, provavelmente seus pequenos não vão ligar para ele agora. Só no futuro. Ouça o que eles dizem. 😉

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  • 9. Fuja sempre do óbvio e do estereotipado.

O óbvio e o que recorre a estereótipos geralmente não traz nada de autêntico, nada que emociona ou que realmente conversa com os sentimentos, dúvidas, questões e prazer dos pequenos leitores.

Colo de avó, de Roseana Murray (texto) e Elisabeth Teixeira (ilustrações)

Por isso, em geral, não afetam, não apaixonam ou nos fazem querer ler de novo e de novo e de novo.

Literatura e arte são formas de ampliar as possibilidades de sentir, de se conhecer mais potente emocionalmente, de se permitir viver novas realidades. E essa potência toda está naquilo que não reproduz conceitos e ideias limitantes e, como o nome diz, estéreis.


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