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Um olhar generoso sobre as diferenças é tema de “Três”, de Stephen Michael King

14/08/2020

Era uma vez um cachorro chamado Três, que perambulava pela cidade farejando amigos, caminhos, comida. Caminhando, pulando, correndo ele reparava em tudo à sua volta:

Reparava, por exemplo, na formiga, uma pequena seis patas, para quem pode ser difícil viver na cidade; ou na oito patas, que faz de sua teia um porto-seguro; refletia, ainda, sobre as suas próprias três patas, que o levavam a todos os lugares.

Quantas patas você é capaz de contar? Onde seus pés te levam? Imagem: Três, de Stephen Michael King

Sim, o cativante cachorro criado por Stephen Michael King é portador de uma deficiência física.

Delícias de ser quem se é

“E a naturalidade com que o autor aborda o tema é um dos grandes acertos da obra”, nos conta Clara de Cápua, que assina o Material de Apoio ao Professor de Três.

Essa naturalidade por vezes se revela no modo como Três nomeia os outros animais, pessoas e coisas, pelo número de patas ou pés, focalizando as vantagens e desvantagens de cada um ser quem é, mostrando como é natural ter essa ou aquela característica.

Em certo momento, o cativante cachorrinho nos diz o quanto gosta de ser um três patas, porque os quatro patas que conhece são imóveis e — pior — são o lugar onde os dois pés colocam seus bumbuns.

Claro, os quatro patas a que Três se refere são as cadeiras, que recebem, sentadinhos, nós, humanos, os dois pés.

Assim, ter três patas, dois pés, ou até mesmo ser um sem patas que rasteja não coloca os sujeitos e personagens em posição de vantagem ou desvantagem.

Três apenas constata diferenças físicas. Que não levam a desigualdades, pelo contrário.

O simpático cachorrinho e sua amiga oito patas. Imagem: Três, de Stephen Michael King

Com toda a delicadeza e as sutilezas que já conhecemos do estilo de Stephen Michael King — autor de O homem que amava caixas, Vira-lata e Pedro e Tina –, a história é um fábula amorosa sobre bichos, pessoas, insetos, a vida e as múltiplas formas de afeto, relação, acolhimento.

Do jeitinho que cada um é, sem tirar nem por…

Stephen: uma história pessoal

Interessante notar que o autor de Três teve um problema auditivo ainda na infância. Até hoje, tem déficit na audição e precisa de aparelho auditivo. Stephen atribui a essa característica as oportunidades que teve de desenhar e desenvolver-se na linguagem que o consagrou.

Ele fala sobre isso na entrevista abaixo:

Stephen Michael King: “Meus personagens são uma versão mais colorida de mim mesmo”

E é com o olhar generoso e grato que ele olha sua condição física. Assim como revela esse mesmo olhar ao narrar a vida do cachorrinho de Três.

Inspirar-se em suas próprias experiências faz parte da linguagem desse autor australiano tão premiado. Em Vira-lata, por exemplo, ele conta a história de um cachorro abandonado que sua irmã resgatou e levou para ele — ela dizia que o bichinho tinha o mesmo temperamento do próprio Stephen.

“ESTOU AQUI ME APRESENTANDO A VOCÊS COMO UM ARTISTA, MAS, NO FUNDO, EU SOU UM POUCO COMO UM CÃO VIRA-LATA”

Disse ele, em um encontro quando esteve no Brasil, falando dessa obra e arrancando risos da plateia.

Stephen Michael King encontra leitores: “o desenho é minha primeira linguagem”

Para ilustrar e escrever O homem que amava caixas, Stephen resgatou memórias de infância com seu pai, sujeito de poucas palavras, que aprendeu a ler adulto, mas que fez dos livros e das histórias locais de troca de afeto e de generosidade entre ele e os filhos.

Em Pedro e Tina, Stephen homenageia e declara seu amor a Trish, sua companheira há mais de 20 anos, com quem é casado e tem dois filhos.

A mesma generosidade com que Stephen olha sua vida, ele espalha em seus livros, não é mesmo?

Para trabalhar a obra em 3 dicas

Em sala, com a turma, ainda que virtualmente, esse livro pode gerar muitas reflexões e garantir, claro, momentos de risadas e prazer (essencial para formar leitores, não é mesmo?).

Além de Língua Portuguesa, o Material de Apoio ao Professor, elaborado por Clara de Cápua, propõe trabalhar a obra também em disciplinas como Artes, Geografia e Ciências.

Baixe aqui material de apoio completo!

Três é um dos 7 livros que inspiraram o post abaixo.

Arte na BNCC: 7 ideias de 7 livros para trabalhar esta disciplina com seus alunos

Inspirados pelo material de apoio e pela nossa leitura do livro, trazemos aqui 3 dicas para trabalhar o livro com sua turma, seja na leitura, seja em disciplinas específicas.

1) Olho nas imagens

Em um livro ilustrado (a gente dá uma boa definição desse tipo de livro neste post aqui), as imagens contam a história tanto quanto — por vezes até mais — que as palavras.

Há uma “conversa” entre a linguagem visual e a verbal, em que uma mostra uma parte e a outra revela algo diferente da primeira. Juntas, nos dão ideia do todo.

O momento exato em que Três encontra, pela primeira vez, uma outra três patas, como ele! Imagem: Três, de Stephen Michael King

Neste livro do Stephen, as lindas ilustrações dele são essenciais para a narrativa fazer sentido e para descobrirmos, por exemplo, por que o cachorro se chama Três. Ou quem é o animal chamado de duas patas que voa 😉

Esse jogo em que narrador assume o ponto de vista de Três, que define tudo pela quantidade de patas, vai ficando ainda mais divertido quando confrontamos texto com imagens. Por exemplo: sabe que animal teria apenas uma pata?? Só vendo para descobrir.

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2) Olho nas patas

Pensando nas Ciências, ofereça revistas e jornais para que os alunos recortem imagens de animais variados. Será que eles consguem encontrar todas as espécies presentes no livro?

Você pode fazer uma lista, durante a leitura com os alunos, elencando os bichos que aparecem na obra. Mas é bom lembrar que eles podem recortar das revistas todas animais que encontrarem, mesmo os que não estão no livro.

Depois de recortados os bichos, convide as crianças a fazerem painéis, organizando os animais morfologicamente em: duas patas, quatro patas, duas patas e duas asas, seis patas

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3) Olho no caminho

Em vários momentos do livro, Stephen marca o caminho que Três faz na cidade. Em Geografia, você pode estimular a conversa sobre localização espacial pedindo às crianças que narrem o caminho que faziam entre casa e escola.

Pode ser uma boa forma de concretizar, mesmo que na memória das crianças, uma relação de espaço e deslocamento que segue suspensa por agora, que estamos todos em casa.

Inspire-se nas ilustrações do livro para propor às crianças que criem mapas afetivos. Imagem: Três, de Stephen Michael King

Outra ideia é pedir aos pequenos que façam plantas simples de suas casas e desenhem seus percursos, assim como aparece no livro, e um cômodo a outro. O que eles fazem ao  longo do dia? Em que local ficam por mais tempo?

Pensar as diferenças entre cidade e campo, bem marcadas na obra, pode ser outro caminho de reflexão ligado à Geografia e às Ciências. O que tem de diferente no campo e na cidade? E se as crianças desenhassem essas duas paisagens? Que tal?

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Três

Autor / Ilustrador: Stephen Michael King
Temas: Respeito às diferenças / Autoconhecimento / Amizade / Animais / Cidade / Campo / Cotidiano
Faixa Etária: A partir de 3 anos (leitura compartilhada) / 7 anos (leitura independente)
R$ 45 — professor tem 30% de desconto o Portal do Educador Brinque-Book

 

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E você? Que projetos tem feito à distância com seus alunos?

 

 

 


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