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“Poderia” traz um potente poema sobre empatia e o outro; veja dicas de leitura

03/06/2020

Já pensou que, se você e os pequenos morassem em outro país, diriam “brincar” de forma diferente? Diriam jugar se tivessem nascido na Argentina ou na Espanha.

Play se fossem de Londres (Reino Unido) ou se estivessem no Alasca (EUA).

Abspielen se fossem alemães. Ou falariam spille se vocês nascessem na Noruega.

Já pensou se sua cidade natal fosse Osaka, no Japão? Então vocês teriam de dizer enso suru.

Mas nem precisa ir tão longe. Se tivessem nascido aqui mesmo no Brasil, mas entre os Kaiapós, que vivem no Pará, brincar, para vocês, seria tinunkiâ.

Quem poderíamos ser se tivéssemos nascido em outro lugar? Imagem: Poderia, de Joana Raspal (texto) e Ignasi Blanch (ilustrações)

Em outro lugar?

Para além da língua, já pensou em quem você poderia ser se tivesse nascido em outro lugar? Se, por acaso, ao invés de brasileira (o), fosse cidadão da Síria, do Iraque, da Guatemala, da França ou do Azerbaijão? O que seria diferente? O que seria igual, apesar das diferenças?

Já pensou nisso?

A premiada escritora e bibliotecária catalã Joana Raspal (1913-2013) já pensou, sim, em tudo isso.

O novo livro da Brinque-BookPoderia, poema em prosa escrito por ela com ilustrações de Ignasi Blanch, é um delicado texto que nos mostra o que poderíamos ser em outras diversas situações.

Como nos vestiríamos; como teria sido nossa escola e como seria a escola de nossos filhos; o que gostaríamos de comer; no que acreditaríamos; do que brincaríamos quando crianças. Todas essas dimensões tão essenciais da nossa vida poderiam ser completamente outras.

Quem poderíamos ser se vivêssemos no lugar do outro? Imagem: Poderia, de Joana Raspal (texto) e Ignasi Blanch (ilustrações)

>>Conheça a obra indo por aqui; tem degustação!

No mesmo momento em que nos faz pensar sobre essas possibilidades cotidianas, Raspal vai sutilmente nos dizendo que esses “detalhes” não são detalhe: são, afinal, nosso modo de ser, nossa cultura, nossa qualidade de vida e nossas experiências.

No lugar do outro

E — olha só que interessante — essas diferenças, que podem ter enorme impacto nas nossas vidas, não são escolhas nossas.

Nessa perspectiva, a escritora catalã vai nos revelando sua mais poderosa mensagem:

Poderíamos ser refugiados em fuga? Poderíamos viver (mais ou outros) preconceitos? O mundo nos seria mais hostil? Nossa vida seria mais difícil? Por acaso? Apenas por nascer num lugar e não noutro?

Se ainda não pensamos nisso, somos delicadamente convidados a fazê-lo — pelas letras de Raspal e pelas tintas coloridas de Blanch.

Este poema, um dos mais conhecidos de Raspal em seu país natal, Espanha, e agora apresentado neste livro, é todo ele um convite para imaginarmos quem seríamos e como viveríamos se estivéssemos na pele e no lugar — literalmente, geográfico até — do outro.

Empatia é fundamental

Temos ouvido tanto falar em empatia, uma capacidade humana cada vez mais necessária. Mas, para ser empático, não serve imaginar a vida do outro com nossos olhos. O segredo está em tentar imaginar o que sente e pensa quem é diferente de nós, na perspectiva dele.

Poderia certamente nos ajuda a definir melhor esse conceito, tornando-o mais concreto para as crianças.

Ser empático é uma qualidade fundamental nos dias de hoje porque precisamos de uma sociedade mais justa, igualitária, que abarque e promova a diversidade e toda a inteireza do ser humano e da natureza.

Mas não é “apenas” só no coletivo que essa habilidade é positiva.

Empatia é essencial para nossos filhos serem mais saudáveis emocionalmente e, ao mesmo tempo, construírem melhores relações na vida pessoal e profissional.

Quem não deseja isso, não é mesmo?

Um mundo diverso e complexo oferece muitas possibilidades para as crianças. Podem, assim, viver integralmente quem são, com verdade e afeto.

A empatia ajuda a todos nós nessa tarefa de reconhecermos o outro — e a nós mesmos, nessa relação –, aprendermos com ele, amadurecermos e buscarmos recursos emocionais, afetivos e práticos mais sofisticados, que vão nos deixando mais criativos, flexíveis, inovadores.

Tudo o que precisamos até para o mundo do trabalho, que tende a ser cada vez mais exigente com nossas habilidades socioemocionais.

>>Leia mais sobre esse tema nesta conversa, em que mostramos a importância da empatia e ainda damos dicas de livros para explorar com os pequenos.

Para lembrar o que nos une

Embora foque nas possibilidades de diferença entre nós e os outros, Poderia nos faz ver também o que nos une, nossa condição humana.

E é nessa condição que podemos nos reconhecer e imaginar afetuosamente o lugar do outro.

Neste diálogo, conseguimos sentir o que sente aquele que luta uma luta diferente da nossa, porque nos permitimos imaginar o sentir — humano — do outro. Empatia é essa capacidade de reconhecimento do sentimento alheio.

Fugir de um país em guerra civil, por exemplo, é um desterro que não é nosso, mas poderia ser. Conseguimos imaginar o que seria, para nós, essa situação. Porque também somos humanos. E é nessa humanidade que somos os mesmos, embora outros.

Ver a vida com os olhos dos outros revela muito mais sobre semelhanças que sobre as diferenças. Imagem: Poderia, de Joana Raspal (texto) e Ignasi Blanch (ilustrações)

Dicas de leitura

Para aproveitar ainda mais essa leitura tão potente com as crianças, separamos aqui algumas dicas para enriquecer as conversas em casa e para a experiência ser ainda mais divertida e significativa.

1-) Modifique o idioma

O livro começa nos contando que, se tivéssemos nascido em outro lugar, diríamos “sim” em outro idioma. Já pensou nisso? A língua é o que nos permite pensar e expressar. Mudando o idioma, o que será que muda?

Que tal imaginar com as crianças uma brincadeira em que vocês possam dizer uma frase em diversos outros idiomas? A tecnologia, hoje, nos permite pesquisar rapidinho palavras e expressões do mundo todo. Vamos fazer essa viagem?

2-) Ganhe ritmo

A leitura do livro nos propõe um ritmo. Você pode ler a obra, sozinha (o) primeiro, algumas vezes, até encontrar o seu jeito de ler: onde quer dar pausa? Em que trecho pretende colocar mais ênfase? Que parte é tão profunda que chama um silêncio logo depois?

Esse tipo de coisa, que só a oralidade nos permite, enriquece a conversa do livro com os pequenos, pois eles percebem muito bem essas sutilezas.

3-) Jogue com a memória

Ao longo da obra, Raspal vai nos mostrando quantas pequenas — e enormes — diferenças podemos experimentar apenas por nascer aqui ou lá.

Como era o lugar onde você nasceu? Que diferenças havia entre a sua experiência de criança e de seus filhos? E como era com sua mãe ou pai — avós dos seus pequenos? Como se vestiam, o que comiam, do que brincavam, como se vestiam?

Resgate essas memórias e compartilhe com os pequenos, eles adoram!

4-) Ouça as histórias

Conforme vamos lendo para os pequenos, ainda mais quando o tema é assim tão profundo e sensível, eles costumam perguntar, comentar, trazer impressões e experiências — vividas ou imaginadas.

Aproveite essas oportunidades. Ouça o que as crianças têm a dizer, suas histórias e pontos de vista. Não julgue, não “corrija”, deixe que os pequenos tragam suas impressões e acolha suas perspectivas.

5-) Repare nas ilustrações

Se as letras de Raspal nos contam muitas histórias, as cores de Ignasi Blanch também. Repare em tudo: as cores que o ilustrador escolheu, as feições das crianças, a quantidade de elementos em cada página — e como isso muda ao longo do livro.

Repare também na técnica que ele usou: a tradicional gravura, similar a um carimbo, em que o desenho é talhado em diversos materiais — como madeira ou metal — e depois passados nas tintas para serem pressionados sobre o papel.

Blanch “carimba” suas figuras em diversas cores, diversas vezes, sobrepondo-as. Como nossas histórias, em camadas, iguais e diferentes.

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Poderia

Autora: Joana Raspall
Ilustradora: Ignasi Blanch
Tradutor: Alexandre Boide
Temas: Empatia / Identidade / Solidariedade / Compaixão / Imigração / Preconceito
Faixa Etária: A partir de 3 anos (leitura compartilhada) ou 7 anos (leitura independente)
R$ 39,50

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E você? Como seria se tivesse nascido em outro lugar?

 


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