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Chapeuzinho vermelho de Alex T. Smith atualiza o clássico da literatura infantil

09/04/2019

Alex T. Smith é bem humorado. Tudo é divertido nele, até o modo como conta sua própria trajetória de jovem — e premiadíssimo — ilustrador. Por exemplo: diz que decidiu escrever e desenhar para crianças depois de considerar outras opções, como viajante espacial, boleiro e coelho profissional.

O bom humor e essa irreverência que mantém o olhar infantil sobre o mundo é também o fio condutor de seu novo livro, Chapeuzinho e o leão faminto, lançado em março pela Brinque-Book, que atualiza o clássico da literatura infantil de um jeito divertido e provocador, daqueles que faz rir e pensar: que tal os vilões experimentarem o diálogo ao invés da força?

Um clássico é aquele que não envelhece, que continua atual e que suscita diversas versões, releituras, atualizações, outras obras inspiradas e muita conversa. Chapeuzinho vermelho é uma dessas obras

 

Nesta versão do inglês Adam T. Smith, a irreverência começa já no… começo, quando o autor apresenta as personagens usando recursos gráficos bem atuais — como setas — e brincando com a própria narrativa: primeiro, ele afirma que a Chapeuzinho será devorada. Depois, ao apresentar o leão, planta a dúvida, que leva ao riso: “isso é o que ele pensa”.

Smith desloca a narrativa no tempo e no espaço: dos anos 1800, quando foi compilada a versão mais conhecida, para os dias atuais; da floresta europeia para a savana africana. Só essas mudanças já chamam a atenção e dão uma bossa ao conto, tão conhecido, causando um divertido estranhamento.

Nesta história, quem fica doente não é a vovozinha, mas a tia jovem e bonitona da chapeuzinho, que vive com o pai — não com a mãe, como na versão mais clássica. A tia liga para a menina pedindo ajuda, e a pequena, extrovertida e animada, reúne remédios para levar à parente.

Note as cores escolhidas pelo artista. São cores quentes e alegres, que remetem ao clima de uma savana onde viveria um leão e também nos remete à arte e à cultura africanas. São também cores que ressaltam a personalidade desta Chapeuzinho, que é confiante, extrovertida e muito sabida, como ficará claro ao longo da história.

 

No caminho, Chapeuzinho vai brincando com o que seriam grandes perigos e desafios, como crocodilos (acima) e javalis (abaixo). Nada parece assustar a menina, e o desenho colorido, assim como a expressão dela e dos animais, reforça essa sensação de que a menina brinca e tira de letra os “perigos” da floresta.

É nesse momento que aparece um leão faminto, que planeja devorar a pequena humana. A forma como Smith conta esse trecho é particularmente engraçada, usando uma linguagem rápida e com timing preciso das tiragens cômicas.

 

Repare que, para contar o plano “muito, muito malvado” do leão, Smith lança mão de recursos gráficos com os quais os pequenos leitores certamente estão habituados e que destoam de uma fábula clássica. Novamente, é desse estranhamento que surge o riso e a irreverência.

Para surpresa do leitor — e do leão –, o plano, bastante parecido com o plano do lobo mau na Chapeuzinho clássica, começa a dar errado no momento em que a menina chega à casa da tia. Note (abaixo) a expressão sabida dela e o olhar do leão, que parece iludido — ele sim, inocente — pela sua tentativa de enganar a protagonista.

E qual não foi a surpresa do leão quando a chapeuzinho muito esperta usou o feitiço contra o feiticeiro. Se o leão “era” a tia, que tal um penteado novo?

Aqui, mais uma vez, Smith reconta o clássico com tintas bem atuais, trocando uma chapeuzinho tímida, desprotegida e inocente por outra que dá conta de proteger a si mesma e à tia. E faz isso com inteligência, raciocínio rápido, bom humor, sagacidade.

Ao colocar a Chapeuzinho nesse lugar, Smith cria um modelo de menina forte, que vence as batalhas da vida com leveza e inteligência, defendendo sem medo aquilo em que acredita. Destaque para o momento em que ela dá uma bronca no leão por armar planos maliciosos, vendo as pessoas como inimigas, ao invés de dialogar e ter um pensamento mais coletivo.

Repare na quarta capa. Quartas capas interessantes são sempre bacanas, porque nos lembram de não perder nenhum detalhe dos livros ilustrados. Nesta obra, é ela que marca a história cronológica e afetivamente. No início, a quarta capa mostra a menina ao nascer do sol de um novo dia. No final do livro, a ilustra revela um sol se pondo, indicando que aquele dia está no fim, e dá pistas do destino de algumas outras personagens da narrativa.

 

Você já leu esse livro? Compartilhe com a gente a sua jornada de leitura! 🙂


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