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“Uso a técnica de juntar letrinhas pra formar palavras”: Blandina & Lollo brincam com a gente

11/12/2018

Essa é uma dupla que não brinca em serviço. A mais recente de Blandina Franco e José Carlos Lollo foi internacional e de cair o queixo: derrubaram os moais de Ilha de Páscoa -com uma ajuda da Patricia Auerbach.

Blandina escreve. Lollo desenha. Ou seria o contrário? Bom, seja como for, os dois já publicaram mais de 30 livros juntos, foram duas vezes finalistas do Jabuti e levaram a menção honrosa do prêmio internacional Bologna Ragazzi, da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. Acabaram de lançar A queda dos Moais, pela Escarlate —que conta a história de uma família que vai parar na Ilha de Páscoa e se depara com os moais caídos de cara na areia.

“A queda dos Moais” / Blandina Franco e Patricia Auerbach (texto) e José Carlos Lollo (ilustrações)

A dupla está também empenhada em ampliar o número de sócios do clube PasNo, dos pais sem noção que levam a família em viagem a lugares como…a Ilha de Páscoa.

Tudo isso só mostra que brincar é coisa séria. Eles toparam brincar com a gente e responderam a perguntas muito, muito sérias, que você pode ler a seguir, se entrar na brincadeira.

>>Ah, aqui, uma entrevista com a Patricia Auerbach sobre o livro A queda dos Moais, em parceria com Blandina e Lollo.

Quem é você?
Eu sou a Blandina e ele é o Lollo. Ou: Eu sou o Lollo e ela é a Blandina, dependendo de quem está respondendo. E, como dessa vez eu que vou responder todas as perguntas porque o Lollo pediu preu escrever enquanto ele desenha, a resposta final é: Eu sou a Blandina e ele (aqui eu aponto pra um cara de barba, sentado do meu lado, desenhando em um papelzinho como se não estivesse prestando atenção em mais nada) é o Lollo.

Quem faz livros é o quê?
Geralmente são pessoas de todos os tipos e cores e tamanhos e formatos e idades, mas nada impede que em algum lugar do mundo exista um livro feito por alguém que seja outra coisa.

Como é o lugar em que você trabalha?
Eu trabalho em uma mesa sem nada supérfluo em cima e com um cachorro embaixo dela. Na minha mesa tem uma galinha de angola e seus três filhotinhos, uma casinha de plástico vermelha que um dia foi peça de um jogo e que hoje é a minha futura casa de campo, uma borracha em forma de caveira, um boneco antigo de madeira que ganhei de um amigo querido, dois Ernestos, um Becassine, um porco do desenho animado Sing que o Lollo rabiscou a cara pra ficar parecido com ele, dois leques (porque eu sinto calor), alguns lápis grafite do Tintim, caixinhas desenhadas que guardam esculturinhas de madeira balsa que o Lollo fez, algumas pedrinhas pintadas e, com sorte alguma, outra coisa que eu precise.

A mesa da Blandina, por Lollo

Já o Lollo trabalha em uma mesa cheia de coisas inúteis do tipo: papéis, lápis, canetas, tintas, aquarelas, uma luminária, um scanner, um computador e outras coisas que eu ainda não sei porque ele deixa ali.

Quais são suas técnicas prediletas para desenhar, escrever, ilustrar e imaginar?
Para escrever, eu uso a técnica juntar letrinhas pra formar palavras e depois parto para o estágio 2, que é juntar palavras pra formar frases e assim por diante até o Lollo chegar, ler e mudar a ordem das linhas pra ficar melhor.

Para desenhar, o Lollo usa a técnica que der na telha dele. Ele lê uma história, fica quieto rabiscando ou fazendo uma dobradura ou entra no banho e desenha em todas as paredes do chuveiro e então decide se a ilustração tem que ser aquarela, lápis de cor, canetinha, digital ou uma mistura de tudo isso. Técnica escolhida, aí ele enrola até o prazo estar quase acabando, depois senta e desenha na técnica escolhida.

Como é que você tem uma ideia para escrever ou desenhar? E como tira ela da cabeça e coloca no papel?
Normalmente quando eu quero ter uma ideia eu nunca tenho. Acho que minhas ideias são meio selvagens: às vezes, elas pulam pra dentro da minha cabeça; outras vezes, se esgueiram e eu não sei nem como e nem por quê. Elas surgem do nada e nos horários mais impróprios: quando estou dirigindo, quando estou quase dormindo, no banho, no banheiro, no meio de uma reunião sobre uma coisa que não tem nada a ver com a ideia que eu acabei de ter. E quando uma ideia surge eu preciso escrevê-la em algum lugar, se não, ela se esconde e eu passo o resto do dia tentando encontrá-la de novo, brincando de gato mia com ela e, normalmente, perdendo a brincadeira.

Por isso, quando uma ideia aparece eu anoto uma palavra- chave, tipo uma senha de memorização, que vai fazer eu me lembrar dela. Por exemplo, se eu tiver uma ideia de como explicar a maneira que minhas ideias nascem eu posso anotar simplesmente “selvagem”, “pulam” ou “pipoca”, o que provavelmente resultaria em outro tipo de explicação saltitante.

O Lollo é diferente, ele tem ideias em manadas. Ele está ali, parecendo que está quietinho, quase assobiando, e de repente tem uma ideia atrás da outra. Às vezes, a ideia Alpha vem primeiro, abrindo caminho pra várias outras mais fraquinhas. Outras vezes, algumas ideias mais bobinhas vêm saltitando pela sala e você pode esperar que logo mais a ideia líder da manada aparece, deixando todo mundo com cara de “Por que eu não pensei nisso?”. E ele nunca esquece delas, o que é muito impressionante. Não precisa anotar senhas como eu, ele simplesmente não esquece ideia nenhuma! “Em 1987, eu estava pensando em pneus e tive a ideia de contar uma história assim e assado…” Só que eu não vou contar pra vocês o que é esse “assim e assado”porque eu já esqueci o que era!

A mesa do Lollo, por ele mesmo

Qual foi a ideia mais brincante que você teve e que virou livro?
Essa é fácil e a mesma coisa pra nós dois: soltar puns juntos em lugares públicos.

Seus lápis e cadernos brincam com você?
Meus cadernos são um pouco sérios, com anotações do que eu preciso fazer e contas e receitas de massa de pastel de vó Lena e listas de brinquedos que o José pediu de Natal, o que todo mundo sabe que é um assunto sério com o qual não se brinca.

Os cadernos do Lollo fazem um monte de coisas todos os dias e são muito mais viajados do que os meus. Onde o Lollo vai, ele leva um caderno pra ficar desenhando, brincando, fotografando e se divertindo. E os lápis dele são os mais felizes que eu conheço. Uns tem o grafite esculpido, o Lollo pega um estilete e esculpe cabecinhas no grafite e depois ninguém tem coragem de usá-los, então eles viram uma espécie de lápis imortal que nunca será toquinho.

Quando não tem ninguém olhando, do que você brinca? E quando tem alguém olhando?
Você acha que eu vou contar pra todo mundo o que eu faço quando não tem ninguém olhando? Tá bom, eu conto! Quando não tem ninguém olhando, eu estudo, aprimoro meus conhecimentos universais sobre os grandes enigmas da humanidade e aprendo sânscrito. Nada a ver com conversar com bonequinhos como se eles fossem vivos e eu entendesse o que eles falam ou dançar na sala
fingindo que sou uma estrela disco cantando em voz alta e desafinada músicas dos anos 70.

O Lollo eu não faço a menor ideia do que ele faz quando não tem ninguém olhando, já que eu não estava olhando, mas desconfio que deve ser alguma coisa que envolva bonecos de super-heróis ou pecinhas de lego ou procurar brinquedo na internet deixando uma tela de Photoshop aberta no computador para o caso de ser flagrado no flagra.

Os cadernos do Lollo fazem um monte de coisas todos os dias e são muito mais viajados do que os meus

 

Em que momento, lugar, clima, hora do dia ou posição você mais gosta de ler, escrever ou desenhar?
Ler, quando estou acordada. Desenhar, quando estou dormindo. Já o Lollo não acha legal essa coisa de separar as coisas, então ele gosta de fazer as duas coisas dos dois jeitos e ao mesmo tempo.

O que você mais gostava de ler quando criança? Mudou muito para os dias de hoje?
Em criança, eu gostava de ler coisas divertidas, Tintim, Lucky Luke, Asterix, Bolota, Brotoeja, Agatha Christie. Depois, eu passei a gostar de ler livros de maravilhas. Guimarães Rosa, Gabriel Garcia Marquez, Jorge Luis Borges, Ítalo Calvino. E, finalmente, cheguei à maturidade e hoje em dia gosto de ler Tintim, Lucky Luke, Asterix, Bolota, Brotoeja, Agatha Christie, Guimarães Rosa, Gabriel Garcia Márquez, Jorge Luís Borges, Ítalo Calvino, Luís Fernando Verissimo, Stieg Larsson, Nelson Rodrigues, Rex Stout, Dav Pilkey, Liniers e mais um monte de coisas.

O Lollo gostava de ler livros como Viagem ao centro da Terra, Oliver Twist, A ilha do tesouro, O lobo do mar, O livro da selva, As aventuras de Tom Sawyer e Caçadas de Pedrinho. Hoje em dia ele prefere ler livros de autores como Júlio Verne, Charles Dickens, Robert Louis Stevenson, Jack London, Rudyard Kipling, Mark Twain e Monteiro Lobato.


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