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“Ler e saber”: os livros informativos para crianças trabalhados em sala de aula

06/02/2020

resumo Por que é preciso ler livros informativos com as crianças? Neste texto, falamos de competências leitoras, organização da informação, BNCC, leitura de não ficção em sala de aula e mostramos exemplos de boas obras desse gênero

Por que é preciso ler livros informativos com as crianças? E por que precisamos de leitores com novas competências?

Essas são duas das perguntas que a professora e pesquisadora espanhola Ana Garralón faz — e responde — logo no começo de seu livro Ler e saber – Os livros informativos para crianças.

Novas competências leitoras

Especialista no assunto, Garralón defende que os informativos podem ajudar as crianças a desenvolverem novas competências leitoras, em meio a um mundo cada vez mais conectado, tecnológico, com uma profusão de informação nunca antes experimentada.

“Uma quantidade imensa de informações surge e desaparece e de forma desorganizada e incompleta. Os livros podem ajudar as crianças a ordenar esse mundo de informações dispersas”, diz Garralón logo no primeiro capítulo do livro.

Para a pesquisadora, o livro informativo também mostra à criança que uma mesma pergunta pode ter várias respostas.

Se a ideia é ampliar também a leitura para outras linguagens, ampliando as competências leitoras e a diversidade de respostas e formas de se expressar, então livros informativos podem ajudar.

Gêneros digitais

Essas novas competências leitoras também aparecem com destaque na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017 e que está entrando em vigor.

Em Português, por exemplo, a BNCC prevê a leitura e o trabalho em sala de aula de múltiplos gêneros textuais. Pela primeira vez, amplia esses gêneros para os digitais, abarcando de e-mail à produção de posts em mídias sociais e mesmo a leitura de gifs.

Garralón mostra que os livros informativos usam muitos recursos de ilustração, fotografia, infográficos, gráficos, diagramas para complementar e ajudar a explicar os temas — por vezes complexos — apresentados.

Socialização e autonomia

Para a autora, ampliar leituras é também socializar, pois, com o conhecimento, vêm os argumentos, os assuntos e o desejo de compartilhar as informações com os colegas.

Além disso, o livro informativo gera curiosidade e permite uma aprendizagem mais autônoma, já que não está organizado por disciplinas ou por temas hierárquicos.

Por vezes, uma mesma obra entrelaça diversas áreas do conhecimento. E permite ao pequeno leitor que continue a leitura de acordo com seu entendimento, até saltando e depois retomando partes específicas.

Lendo o livro sobre o livro

A obra de Garralón não apenas defende a leitura do livros informativos com crianças, mas também conduz o leitor na exploração desse tipo de obra.

A parte 2 de Ler e saber detalha as principais características desse tipo de livro e ajuda o educador a definir os melhores conteúdos, como reconhecer o nível de leitura das crianças, o papel das imagens e a organização das informações.

Já a terceira parte é um compêndio de ideias para apresentar os informativos às crianças e incentivar esse tipo de leitura, tanto em casa quanto na escola ou na biblioteca.

Ideias para trabalhar os informativos com as crianças

Destacando o papel dos mediadores, Garralón termina o livro elencando algumas ideias para se incentivar que se leia esse tipo de obra, considerando o antes, o durante e o depois da leitura, como por exemplo:

  • promover rodas de leitura;
  • ativar os conhecimentos prévios das crianças sobre aquele tema;
  • incluir esses livros na “hora da história”;
  • ser ativos durante a leitura, anotando, perguntando, chamando a atenção para detalhes ou pontos importantes;
  • conversar depois da leitura;
  • pedir que as crianças façam fichas, avaliando e resenhando os livros, recomendando ou não sua leitura por colegas.

Informação com poesia

A obra e Garralón, fartamente documentada e baseada numa pesquisa de fôlego — são mais de 10 páginas só de bibliografia — traz também insights importante de diversos pensadores/as e teóricos/as.

E não abre mão de lirismo e poesia na hora de escolher as citações e desses autores, mostrando que a informação nem sempre precisa ser “dura”.

Como diz o filósofo José Antonio Marina, citado por Garralón na página 21 de Ler e saber:

A realidade bruta não é habitável: é preciso dar-lhe significados, segmentá-la, dividi-la em habitações e construir corredores e pontes para ir de um aposento a outro

José Antonio Marina

Alguns livros informativos

Lançado no ano passado, Era uma vez 20 é um bom exemplo. Ele traz vinte mini biografias de dez mulheres e dez homens que marcaram o Brasil.

Era uma vez 20

Entre os biografados estão Antonieta de Barros, Bertha Lutz, Nise da Silveira, Maria Quitéria, Grande Otelo, Zumbi dos Palmares, Pixinguinha e Monteiro Lobato.

Os textos e a pesquisa são de Luciana Sandroni (da série Ludi), que conversou com a gente sobre a obra no ano passado. O projeto gráfico — importantíssimo para livros informativos, como lembra Garralón — é da premiada Raquel Matsushita.

E as ilustrações estão assinadas por Natalia Calamari e Guilherme Karsten, ilustrador premiado internacionalmente — dois prêmios em 2019.

Brinque-Book Saber

Nesta coleção, diversos títulos, a maioria para crianças a partir de 4 anos, contam sobre vulcões, estrelas e planetas, o nosso corpo, as grandes invenções…

Com conteúdos trabalhados de forma divertida para facilitar a aprendizagem dos pequenos curiosos, algumas obras têm também abas internas com um grande mapa explicativo dos temas abordados em cada livro.

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Nós queremos muito conhecer a sua história em sala de aula: conte para a gente se você já trabalhou algum livro informativo com seus alunos e como foi! Adoraremos saber!


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