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Irmãos: como ajudá-los a melhorar a relação sem ter medo de conflito

17/09/2021

Amor de irmão é um dos afetos mais importantes da vida, tanto na infância quando depois que crescemos, não é mesmo? A cumplicidade de ocupar o mesmo papel na família – de filhos, de crianças – é única.

Zeca era um dragão muito feliz. Até chegar um ovo em sua casa. Imagem: Zeca conhece Nina, de Robert Starling

O ponto de partida dessa conversa é a história  do novo livro de Robert Starling, Zeca conhece Nina, que nos conta sobre esse dragãozinho feliz que, de repente, ganha uma irmã. Aliás, a obra está na promoção Mês dos Irmãos: livro com essa temática têm 40% de desconto.

E o Zeca? Ele já conhecemos de outras narrativas: Zeca zangado, do mesmo autor 😉

Conflitos entre irmãos podem ser positivos

Nem sempre a relação é tranquila. Muito pelo contrário, certo? Brigas e conflitos constantes, um tal de “foi ele quem começou” ou “ele não quer me emprestar o brinquedo!” que a gente vai ficando frustradas (os), achando que alguma coisa não vai bem na relação dos pequenos.

Mas saiba que, apesar de muito desgastante, principalmente para nós, adultos, os conflitos entre os pequenos são naturais e muito saudáveis até.

“Existe uma coexistência de afetos positivos e negativos e isso não é um problema. Eu posso ter raiva do meu irmão e ao mesmo tempo amá-lo. Se a gente, como adultos, permitir essas coexistência, isso é muito importante e elaborador para os relacionamentos”, explica a neuropsicóloga Danielle Rossini, colaboradora frequente do Blog da Brinque.

Conversamos com ela sobre o tema e trouxemos:

  • 5 dicas em perguntas e respostas sobre como ajudar as crianças a se relacionarem melhor com os irmãos;
  • 3 livros bacanas sobre o tema que valem muito a leitura — e que estão em promoção! 😉

A gente tende a pensar que vamos resolver as brigas atuando somente sobre as crianças, certo? Mas não é bem assim. Nesse conversa com a Danielle, fica claro que o trabalho, muitas vezes, é em nós mesmas (os).

3 dicas para melhor o relacionamento entre os irmãos

A seguir, você confere os principais trechos de nossa conversa com Danielle em cinco dicas-perguntas-respostas. Os livros vêm na sequência:

1) Não tenha medo do conflito

“A gente tem uma percepção de adulto de uma situação de conflito”, uma sensação de desconforto diante do conflito que a gente foi construindo ao longo de anos, explica Danielle. Mas, para a criança, não é assim. Ela experimenta a situação de uma forma muito mais leve e fluida: se, num minuto, está muito brava com o irmão, no seguinte, podem estar novamente brincando juntos no maior afeto.

Para os pequenos, o conflito é uma possibilidade de se expressar, de resolver uma questão que está incomodando, defender algo valioso que parece ameaçado ou mesmo sinalizar que há algo emocionalmente que não está tão bem (consigo mesmo, em relação ao irmão ou às vezes até na escola).

—“

Existe uma coexistência de afetos positivos e negativos e isso não é um problema. Eu posso ter raiva do meu irmão e ao mesmo tempo amá-lo.

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Vale lembrar que as crianças não pensam nem sentem como nós, adultos; é preciso não usarmos sempre a nossa regra para medir as relações entre elas

“Existe uma coexistência de afetos positivos e negativos e isso não é um problema. Eu posso ter raiva do meu irmão e ao mesmo tempo amá-lo. Se a gente, como adultos, permitir essas coexistência, isso é muito importante e elaborador para os relacionamentos. A gente que tem uma crença, de adulto, associado ao tudo ou nada”, ressalta a especialista.

Nesse sentido, o conflito pode ser positivo, tanto como forma de as crianças se colocarem e elaborarem o que sentem quanto como modo de aprenderem a resolver as situações de uma maneira cada vez mais saudável.

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2) Ajude a resolver e saiba o que esperar

“Quando a criança é muito pequena, ela vai ter uma tendência a responder fisicamente: morder, bater. Eu vou fazer uma contenção, uma intervenção com uma contenção, segurando as crianças para elas não se machucarem e eu vou apresentar para ela repertório: ‘a gente não precisa bater. O seu irmão pode ficar chateado, você pode ficar chateado e não vai resolver nossa situação. Talvez se a gente fizer isso, isso e isso  possa ajudar'”, recomenda Danielle.

Crianças na primeiríssima infância (entre 0 e 3 anos) são muito dependentes do meio para formar suas percepções. Elas não têm a menor obrigação de não querer agredir, de se controlar e não arremessar o brinquedo, mas podemos chamá-las para experimentar mais  situações compartilhadas  com os irmãos, em que elas percebam que são integradas a esse espaço familiar.

Quando eles vão ficando mais velhos um pouco, a gente pode começar a trazer para eles outras ideias: “será que a gente precisa resolver brigando? Que outras formas a gente tem de lidar com essa situação?”

“Mas sempre lembrar de usar essa situação como uma oportunidade, onde a gente esquenta, sobe, aquilo fica diluído depois a gente resolve, isso é fantástico”, lembra ela.

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3) Permita que os pequenos expressem o que sentem

Nas palavras de Danielle:

“Primeiro, a gente precisa autorizar as crianças a se expressarem. As crianças têm que sentir que podem expressar suas descargas emocionais. Quando a criança tem medo, ela pode sentir medo. Quando a criança tem raiva, ela pode sentir raiva. Existe um espaço que a gente tem que autorizar a elas: está tudo bem sentir tudo isso. Isso acontece mesmo, a gente sente isso.

A gente autorizar é o primeiro passo; ajudar a criança a perceber, inclusive, quando ela está sentindo isso. Às vezes, a gente fica com vontade de falar uma coisa que é mais rude, de gritar, de bater. Criança, quando pequena, não sabe dar nome a essas coisas. Quando mais velha, vai aprendendo, mas nem sempre é fácil. Então, a primeira coisa é a gente poder dar esse espaço, autorizar e ajudar a criança, nessa autorização, a reconhecer um pouco mais essas emoções, poder nomear o que está sentindo, e isso é um processo.

Só depois dos 6 ou 7 anos é que a criança vai começar a ensaiar perceber um pouco mais o que ela está sentindo mais facilmente. Antes disso, é muito complexo para a gente esperar que a criança tenha essa consciência emocional. Mas o nosso papel, então, é a gente poder permitir esse espaço e a gente ajudar a criança a ir nomeando isso.

Além de permitir esse espaço, de ajudar a dar nome, a gente pode empatizar com a criança. Um jeito de a gente abrir esse espaço sem ficar naquele julgamento, naquela condenação (“nossa, mas que feio você falar isso do seu irmão! Nossa, mas que errado! Nossa, mas que maldade!”), abrir esse espaço é para dizer: “nossa, quando a gente às vezes tem um irmão com nosso brinquedo ou quando a gente está com a alguma coisa nossa e outra pessoa tira, ou quando uma pessoa dá atenção para outra criança e que não a gente, poxa, a gente pode estar sentindo tal coisa, tal coisa, tal coisa”.

A gente dá o nome [do sentimento] falando “a gente”, para se colocar nesse processo. Quando elas começam a entender mais metacognitivamente as coisas, lá perto de uns 6, 7 anos, às vezes você poder falar: “nossa, quando eu tinha sua idade, quando eu era pequena, a coisa podia acontecer desse jeito, desse jeito, desse jeito”.

Esse acho que é um ponto interessante: espaço, abrir por meio de uma comunicação mais empática, se colocando, ajudando a criança falando: “olha, pode ser que a gente, a gente se refere junto, se coloca junto, a gente usa a nossa experiência pessoal como espelho, nossa, quando eu era criança também acontecia isso etc etc etc etc etc isso vai autorizando a criar esse espaço, essa expressão emocional”.

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4) Mantenha a postura acolhedora

A partir do momento em que a gente autoriza as crianças a falarem, é importante manter a postura acolhedora.

“E aí o pai do Zeca (de Zeca conhece Nina) dá aula. Quando crescer, quero ser igual a esse pai, porque ele é incrível de todas as maneiras. Se você seguir o passo a passo do pai do Zeca, você está feito! Ele arrasa ajudando o filho a lidar com os conflitos emocionais e com a ambivalência do nascimento de um irmão. O pai do Zeca é a receita de bolo”, brinca Danielle.

Mas o que o pai do Zeca faz, afinal?

Ele acolhe e vai ajudando Zeca a falar. Além disso, oferece ainda algumas alternativas de comportamento para o pequeno irmão mais velho lidar com a situação.

Pensando um pouco em ações que a gente pode fazer, diz Danielle, uma criança com mais de 5 anos  já começa ter maturidade para participar mais das situações do dia a dia e sentir-se parte, ajudando.

“Quando a gente recruta um pouco mais esse lugar dessa criança — ela não é a responsável, ela não tem que dar conta da outra criança de alguma forma, mas, poxa será que você pode me ajudar? Você pode me ajudar? Você é o irmão mais velho, você já não usa mais fralda, você pode me ajudar a pegar aquela fralda para trocar a fralda do seu irmão etc etc? — costuma dar uma sensação bacana de pertencimento”, avalia.

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5) Não julgue

Sobre isso, Danielle diz:

“Um dos comportamentos parentais que são mais desorganizadores das capacidades pró-sociais das crianças é justamente um comportamento de julgamento, muitas vezes associado a uma monitoria negativa. O fato de a gente ficar ali o tempo todo criticando as crianças, isso vai fazendo com que as crianças fiquem desconfortáveis com os comportamentos que elas apresentam.

É preciso ter um olhar mais empático.

A gente precisa ajudar a resolver o conflito, mas isso não significa que tenhamos que abafar. Temos que aprender a perceber a situação e me posicionar.

Esse adulto julgador, crítico, ele não vai estar desenvolvendo um comportamento mais funcional, que favoreça as habilidades sociais dessa criança. Vai dar num comportamento mais arredio. Volta no que falamos no começo: abrir espaço para a criança expressar o que sente”.

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3 livros para falar sobre a relação entre irmãos com as crianças

Claro que não poderia faltar uma boa lista de livros sobre este tema, certo? A começar, claro, pela obra que inspirou esse post, o primeiro da lista 🙂

1) Zeca conhece Nina

Autor e Ilustrador: Robert Starling
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Relações familiares / Nascimento de irmã / Amizade / Sentimentos / Emoções
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou a partir de 6 anos (leitura independente)

A chegada de um irmão ou de uma irmã é sempre um período de adaptação para família, especialmente para as crianças. Como o filho, antes único, vai se transformar em irmão mais velho? Será que os pais vão deixar de amá-lo? Amor, afinal, se divide ou se multiplica? Pois é justamente sobre esse tema que se debruça este novo livro de Robert Starling (autor e ilustrador do bestseller Zeca Zangado e de A Superpreguiça!). Nesta história, Zeca está feliz e tranquilo com seus pais, curtindo passeios e aventuras. Até que um ovo chega em sua casa. O que será que tem dentro dele? Então, Zeca conhece Nina, sua irmã mais nova. Primeiro, ele se sente furioso porque ninguém mais tem tempo para ele. Cadê os passeios agora? Depois, ele fica com ciúmes, com raiva e triste. Mas não conta os sentimentos a ninguém. Será que Zeca vai conseguir expressar também o imenso amor que já sente pela irmã?

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2) Rosa e Rafa

Autor e ilustrador: Marie-Louise Gay
Temas: Relacionamento Familiar / Criatividade / Imaginação / Cotidiano
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

Rosa e Rafa são gêmeos parecidos. Muito parecidos. Desenhar, por exemplo, é uma coisa que os dois adoram. Mas, quando o assunto é desenho, algumas diferenças começam a aparecer. Rosa é desenhista ótima de flores, borboletas, laranjeiras. Já Rafa acha que suas flores parecem panquecas e suas lagartas são iguais a meias listradas… Rosa diz: “Desenhe o que você quiser”. Exatamente o que Rafa faz! Só que ele prefere elefantes ferozes, ursos, tubarões. O que pode acontecer? As repetições narrativas e as ilustrações expressivas de Marie-Louise Gay nos dão a resposta e nos conduzem pela força e pela potência da imaginação e do brincar das crianças.

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3) A irmão do Gildo

Autora e ilustradora: Silvana Rando
Temas: humor / nascimento de irmão / amor / relacionamento familiar / cotidiano
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente)

Certo dia, no café da manhã, Gildo olha a barriga da mãe e pensa: “Ela exagerou na comida!”. Na verdade, havia ali um bebê que, de acordo com o elefante, demorou para chegar. Até que finalmente Laurinha veio ao mundo, e com ela uma série de mudanças na vida de Gildo. Esperar e compreender a chegada de uma irmã é sempre um processo que envolve muitas emoções, que passam por dividir a atenção da mãe, os brinquedos, as risadas, os gostos e, mais do que tudo, o amor um pelo o outro. Esta é uma história que faz parte da vida de tantas crianças, contada por Silvana Rando com leveza e sensibilidade, e que também revela ainda mais os sentimentos de nosso querido Gildo.

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E você? Como tem sido a experiência com os irmãos na sua casa? Conte para a gente 🙂


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