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Como conversar com as crianças sobre o momento atual em 5 dicas e 5 livros

31/03/2020

Pode até parecer que não, mas as crianças estão atentas a tudo o que está acontecendo nesse momento. E não só atentas às mudanças de rotina…

As crianças percebem quando estamos tensos. Imagem de Chapéu, de Paul Hoppe

Percebem também as mudanças de humor e de tranquilidade dos adultos que as cercam; ouvem as conversas, notam as expressões, os gestos.

Adulto mediador

“Quando isso acontece [e as crianças percebem que algo esta diferente], é muito legal a gente trazer para elas [as informações] de um modo que elas entendam, sem fazer uma tempestade em copo d’água e sem fingir que não tem nada acontecendo”

É o que nos conta Danielle Rossini, neuropsicóloga e mãe, que conversa com as famílias em seu canal Bom pra Cuca.

Para ela, nosso papel como adultos é mediar como as crianças vão receber essa informação e ajudá-las a organizar emoções e sentimentos.

“Assim, elas vão dar ao momento o tamanho mais ou menos certo, nem mais nem menos”.

Está se perguntando como fazer isso? Danielle conversou com a gente deu algumas boas ideias!

No final do post, ela indica livros bacanas que podem ajudar a organizar as diversas emoções dos nossos filhos.

Vamos lá?

1-) Cuide da sua ansiedade

O primeiro passo é, como diz Danielle, “serenar o monstro dentro da gente”. É preciso entender o que está acontecendo e por que, buscar informações de fontes seguras, confiáveis, cuidar da nossa ansiedade.

Cada um tem sua receita para aquietar o coração: ler, meditar, trocar ideias (ainda que virtuais), assistir a um filme, cozinhar, alongar.

O que te deixa mais feliz e tranquila? Image de: Uma família é uma família é uma família, de Sarah O’Leary (texto) e Qin Leng (ilustrações)

É importante então estar bem informado e, ao mesmo tempo, com mente e coração tranquilos. Cuidar de nós para podermos cuidar dos pequenos.

“Se a gente cuidar das nossas ansiedades, aí conseguiremos responder as crianças”, defende Danielle.

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2-) Devolva as perguntas

As crianças vão perguntar muitas coisas. Antes de responder, devolva aos pequenos a dúvida: o que você acha que é? Por que você acha que estamos fazendo assim?

Isso ajuda em duas coisas: primeiro, você fica sabendo exatamente o que as crianças já sabem sobre o tema. Evita falar demais ou deixá-las sem informação.

Também consegue perceber o que pode ter motivado a pergunta e se tem um medo ou uma ansiedade querendo desorganizar os pequenos.

Aqui é essencial domar as fantasias — nossas e das crianças. A ansiedade alimenta e é alimentada por essas fantasias. De “e se” em “e se”, a gente entra num círculo vicioso que faz a ameaça crescer na nossa cabeça e pode nos desestabilizar.

Eric vivia preocupado com situações hipotéticas que só aconteciam em sua cabeça. Imagem de Eric faz tibum, de Emilie Mackenzie

Vale se apoiar na realidade para diminuir o tamanho dessa imaginação. E compartilhar essa realidade com as crianças, de modo que elas compreendam…

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3-) Foque na prevenção

Uma boa dica para isso, para concretizar o momento atual e, ao mesmo tempo, dar informações às crianças que ajudem a diminuir a ansiedade, é focar na prevenção.

Como é que se previne o coronavirus? Lavando as mãos, por exemplo. É um bom momento para mostrar às crianças vídeos e experiências que estão circulando pelas redes e mostram como a higiene é essencial.

Não deixe a imaginação fazer a situação crescer demais. Imagem de: Use a imaginação, de Nicola O’Byrne

Vale inventar histórias que expliquem como as crianças devem se proteger em casa, por que estão em casa, por que não estão visitando a vovó…

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4-) Mostre o que estamos aprendendo

Uma ideia para lidar com a situação de forma mais saudável possível é sentar com as crianças e mostrar que estamos tirando aprendizados importantes.

Como exemplo, Danielle cita que as pessoas estão mais solidárias e pensando mais umas nas outras. Que estamos compreendendo que estamos todos conectados, de algum modo.

Ou que aprendemos que, mesmo à distância, podemos manter laços importantes e nos comunicar com as pessoas que amamos de diversas formas. Estamos mais criativos nessas relações.

Estamos aprendendo a valorizar mais as coisas simples. Imagem de Estela, fada da floresta, de Marie-Louise Gay

Ou ainda: estamos valorizando mais coisas que antes dávamos como banais: um passeio no parque ao ar livre, uma caminhada na praia, um sorvete, um passeio com os amigos.

O que será que as crianças responderiam se perguntássemos a elas que lições estão tirando?

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5-) Leia histórias

Não é só no campo da conversa e da racionalidade que podemos aprender a lidar com essa crise sanitária. Ao contrário: as histórias são — e sempre foram — fundamentais para entendermos a realidade com o coração e as emoções.

São elas que nos ajudam a nomear o que sentimos e a ver o mundo com a perspectiva emocional dos outros, que pode ser ora parecida com a nossa, ora diferente.

No primeiro caso, nos identificamos e nos sentimos menos sós. No segundo, aprendemos, amadurecemos e nos tornamos mais resilientes.

Danielle fez uma seleção de quatro livros perfeitos para ler com as crianças nesse momento.

Ah, além dela, duas leitoras muito especiais — que mantém juntas um canal no instagram — indicaram a quinta leitura da lista, que tem tudo a ver com esse tema.

Aqui embaixo você conhece esses livros e descobre por que foram indicados. Desejamos ótimas leituras 😉

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A fabulosa máquina de amigos

Autor: Nick Bland
Ilustrador: Nick Bland
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Tecnologia / Convivência social / Amizade /
Dia do Amigo e Internacional da Amizade (20 de Julho)
Faixa Etária: A partir de 3 anos

Pipoca era uma galinha muito simpática. A mais simpática da fazenda Fricotico. Insistia em dizer olá para todos os amigos pela manhã, usava palavras como maravilhoso, fabuloso e alegrava todo mundo. Até que um dia, no celeiro, encontrou um misterioso retângulo iluminado que dizia olá.

>>QUEM INDICOU: Danielle Rossini, neuropsicóloga, do canal Bom pra Cuca.

>>POR QUE LER: Focando os usos e abusos da tecnologia, a gente pode conversar com as crianças sobre as informações que circulam na internet: no que dá para acreditar? O que são fontes confiáveis? Nem tudo o que está na rede é verdade. É bacana estabelecer limites de navegação para os pequenos e combinados para que sempre chequem as informações que leem por aí com os adultos.

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O ratinho, morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado

Autora: Audrey Wood
Ilustrador: Don Wood
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Ética / Leitor personagem / Animais / Astúcia / Medo / Amizade
Faixa Etária: A partir de 2 anos

Esta é uma divertida fábula sobre a esperteza dos pequenos contra a força dos gigantes. O ratinho que protagoniza as cenas tenta esconder um morango maduro de um grande urso que, aliás, não aparece na história.

>>QUEM INDICOU: Danielle Rossini, neuropsicóloga, do canal Bom pra Cuca.

>>POR QUE LER: Nessa história, o ratinho foge com seu morango de um urso esfomeado que nunca se vê. Analogia perfeita ao imaginário infantil e aos monstros e medos que surgem desse imaginário. Na fábula, o ratinho se organiza e controla a ansiedade com ações bem concretas: outra boa metáfora, diz Danielle.

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Quando mamãe virou um monstro

Autora: Joanna Harrison
Ilustradora: Joanna Harrison
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Ética / Conto / Humanos / Boas maneiras / Imaginação / Dia das Mães (2º Domingo de Maio) / Cooperação / Obediência
Faixa Etária: A partir de 3 anos

Ao receber a notícia de que os sobrinhos vêm lanchar, mamãe fica desesperada. A casa está uma bagunça, não há nada para servir para as visitas e a pobre mãe não sabe por onde começar… Enquanto isso, os filhos só pensam em brincar.

>>QUEM INDICOU: Danielle Rossini, neuropsicóloga, do canal Bom pra Cuca.

>>POR QUE LER: Nessa obra, ganhadora do selo Acervo Básico da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, a mãe vai se transformando em monstro conforme as crianças vão bagunçando, brigando, chorando. Danielle conta que é um bom ponto de partida para os pequenos entenderem por que e quando as mães ficamos bravas. É uma forma de implicar as crianças na relação e mostra o respeito aos limites dos adultos nesse momento de confinamento. 

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Apertada e sem espaço

Autora: Julia Donaldson
Ilustrador: Axel Scheffler
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Ética / Pluralidade cultural / Poesia / Rima / Humanos / Criatividade / Tradição oral / Insatisfação
Faixa Etária: A partir de 2 anos

O que fazer quando a casa é pequena? O velho sábio recomenda: coloque para dentro todos os animais da fazenda! Será que dá certo?

>>QUEM INDICOU: Danielle Rossini, neuropsicóloga, do canal Bom pra Cuca.

>>POR QUE LER: Com texto rimado, essa obra da premiada dupla Julia Donaldson e Axel Scheffler (de O grúfalo) é baseada num antigo conto judaico. “[Essa história] é muito legal para a gente poder ensinar para as crianças que, quando a a gente chegar no final dessa história toda, a gente vai aprender como é gostoso um beijo, um abraço, o quanto essas coisas são legais e às vezes a gente não dava valor para tudo isso”, comenta Danielle.

 

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O caracol e a baleia

Autora: Julia Donaldson
Ilustrador: Axel Scheffler
Tradutora: Gilda de Aquino
Temas: Rimas / Meio-ambiente / Coletividade / Conscientização / Amizade / Superação
Faixa Etária: A partir de 3 anos (leitura compartilhada ou a partir de 7 anos (leitura independente)

“Peço carona para volta ao mundo”. Assim, grafando na rocha escura, o pequeno caracol destemido lança suas ideias para o mar. Sonhador e curioso, ele não se contenta em apenas contemplar a imensidão do mundo ali da terra firme. Em uma noite estrelada, uma jubarte dedica ao molusco uma canção sobre gelo cintilante, grutas de corais, estrelas cadentes e ondas fenomenais. Trata-se de um convite, ela diz: “Vem navegar comigo”.

>>QUEM INDICOU: Do canal @inicio_da_vida, Paloma Bodanese, psicóloga e Helena Aguiar, psicóloga e mestre em psicologia clínica.

>>POR QUE LER: Repeteco de autores, é da mesma dupla premiada já indicada no quarto livro. “O caracol se sentia pequeno e impotente, sentimentos que podem surgir nesse momento de isolamento social”, diz o texto que apresenta a dica no perfil..

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E você? Como está lidando com a sua ansiedade e com a das crianças? O quem tem lido com elas? Conte para a gente nos comentários!

 


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